Santos perde nos pênaltis e fica com o vice
No jogo entre o “campeão óbvio”, devido à campanha realizada até o momento, e o “campeão surpreendente”, por todo um background que envolveu a última temporada, melhor para o primeiro, ainda que o segundo estivesse amadurecendo até os últimos minutos da partida.
Após um confronto em que cada tempo foi dominado por um time, o São Paulo, dono da melhor campanha da Copa São Paulo 2010, com melhores ataque e defesa, levou seu terceiro título na competição, superarando o Santos na disputa por pênaltis, no Pacaembu.
Definitivamente, o nome do jogo foi o goleiro Richard, um dos principais destaques do torneio. Afinal, o arqueiro, que pegou os três pênaltis cobrados pelos santistas e garantiu o título tricolor, foi questionavelmente mantido em campo após, no princípio da segunda etapa, ter saído mal do gol e derrubado Renan Mota, em lance usual para expulsão
De qualquer forma, o nervosismo e o cansaço dos alvinegros esteve evidente nas bolas batidas por Alan Patrick, Alan e o próprio Renan Mota, que consagraram Richard na série de penalidades.
Tempos distintos
Em uma partida movimentada, o Santos teve maior domínio na primeira etapa, mesmo vindo de um confronto difícil contra o Palmeiras, realizado no último sábado. Mais acordado, abriu o marcador em uma bonita jogada tramada por Alan Patrick e Renan Mota.
O atacante entregou a bola ao meia santista, que encontrou Renan invadindo a área pelo meio. O alvinegro dominou e tocou na saída de Richard, inaugurando o marcador para o Peixe, aos 16 minutos.
O gol fez o São Paulo avançar com um pouco de desorganização, arriscando pouco e vendo o Santos chegar com mais objetividade e efetivadade. Em uma das investidas tricolores, Ronieli chegou até a mandar a bola para as redes, mas estava em posição irregular, marcada com alguma demora pelo árbitro Thiago Peixoto.
A decepção tricolor acabou sendo o atacante Lucas Gaúcho, bem marcado e com pouca movimentação no confronto, ainda que tenha encerrado o certame como artilheiro.
Domínio paulistano
Na segunda etapa, porém, os papeis se inverteram. Visivelmente cansado, o Santos passou a rebater bolas conforme os últimos 45 minutos se arrastaram. Foi quando o São Paulo assumiu o comando da partida, e viu na pontaria, na trave, na zaga santista e no goleiro Rafael adversários difíceis de serem batidos.
Pelo lado alvinegro, Alan Patrick, melhor da equipe em campo, ditava o ritmo nos contra-ataques. Em um deles, deu-se o lance polêmico, com a falta em Renan Mota e o cartão amarelo dado ao goleiro Richard, quando os pedidos eram pelo vermelho.
Insistente, o tricolor acabou chegando ao empate aos 40 minutos. Após mais um dos tantos escanteios que o São Paulo teve ao seu favor, Ronieli marcou um golaço, de primeira, arrematando a bola no alto de Rafael.
O empate deu ainda mais gás aos são-paulinos, e recuou de vez os santistas, que já viam, nos pênaltis, a mais palpável das chances para levantar o caneco que não é visto na Vila desde 1984. E de fato, a partida foi para as penalidades máximas. Mas um dos outros momentos decisivos do jogo se deu bem nesse intervalo.
Richard, o personagem
Após o apito final de Thiago Peixoto, Narciso, técnico do Santos, invadiu o campo para reclamar da não-expulsão de Richard, no princípio da segunda etapa. O ex-jogador foi empurrado por um policial que se utilizou de um escudo.
Irritado, partiu para discutir com o brigadiano, sendo contido pelos próprios atletas do Peixe. Como de se esperar, mesmo após uma demora, Peixoto expulsou Narciso e deu início às cobranças.
Jeferson abriu o marcador para o São Paulo. Alan Patrick, por sua vez, parou no arqueiro tricolor. Dener, que substituria Lucas Gaúcho, ampliou para os são-paulinos e Alemão, zagueiro santista, foi mais um a parar em Richard.
Por fim, Marcelinho fez o terceiro e Renan Mota, que até os 40 do segundo tempo era o herói santista (e fora derrubado pelo goleiro paulistano no lance polêmico do jogo), teve a cobrança defendida pelo protagonista da manhã. O São Paulo sagrava-se, aí, campeão.
Ficha técnica
São Paulo 1 (3) x (0) 1 Santos
São Paulo: Richard; Filipe Aguaí (Willian), Fabiano Santos, Bruno Uvini e Felipe (Paulo Henrique); Casemiro, Zé Vítor, Jeferson, Marcelinho; Ronieli e Lucas Gaúcho (Dener). Técnico: Sérgio Baresi.
Santos: Rafael; Crystian, Renato, Alemão e Wesley (Rafael Caldeira); Elivelton, Alan Santos, Nikão (Kássio) e Alan Patrick; Renan Mota e Dimba (Tindurim). Técnico: Narciso.
Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu)
Árbitro: Thiago Peixoto
Gols: Renan Mota (S), Ronieli (SP)
Cartões amarelos: Alan Patrick e Tindurim (S); São Paulo: Richard, Filipe Aquai, Casemiro e Lucas Gaúcho (SP)