As principais obras para compreender o pensamento de Paulo Freire | Boqnews
4 de fevereiro de 2020

As principais obras para compreender o pensamento de Paulo Freire

O filósofo recifense Paulo Freire ocupa lugar de destaque no pensamento global.

Um levantamento feito com base em dados do Google Scholar, maior ferramenta de trabalhos acadêmicos do mundo, mostra que Freire é o terceiro pensador mais citado na plataforma.

Ele é, também, o único brasileiro que figura na lista dos top 25 da categoria.

O método de alfabetização de adultos idealizado por Paulo Freire inspirou o Plano Nacional de Alfabetização adotado pelo Ministério da Educação.

Na época, em 1961, ele era o diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade de Recife.

Poucos anos mais tarde viria se tornar um ícone da literatura, da filosofia e da pedagogia.

 

Educador Paulo Freire deixou um rico legado na área educacional. Fotos: Divulgação

Carreira e obra social

Preso por 70 dias exatamente por seus pensamentos progressistas, Paulo Freire viveu por anos exilado.

Na época, como somente quem poderia votar eram as pessoas formalmente alfabetizadas, os objetivos e projetos de Freire potencialmente fariam 6 milhões de novos votantes.

O que ia de encontro aos desejos das classes ditas dominantes.

Em abril de 1964, o Plano Nacional de Alfabetização foi cancelado.

Em 1969, já em exílio, Freire é convidado para lecionar na Universidade de Harvard.

Em 1970, se torna consultor e coordenador emérito do Conselho Mundial de Igrejas, o CMI.

Nos próximos 10 anos, até voltar para o Brasil em 1980, Paulo Freire iria viajar com o CMI por 30 países levando sua pedagogia.

Hoje, existem, pelo menos, 350 instituições que levam seu nome e cerca de 48 títulos e honrarias já foram concedidos ao filósofo.

Mas seu maior legado são seus livros.

Entender as publicações de Paulo Freire é também a melhor maneira de entender seu pensamento.

Por isso, fizemos um breve resumo para você compreender melhor os ideais do professor mais respeitado da história brasileira.

 

Pedagogia do Oprimido

Esse é, provavelmente, seu livro mais famoso.

Escrito durante os primeiros anos de seu exílio, no Chile, o livro propõe a libertação das massas através da educação.

Contudo, Freire apresenta, no livro, a proposição de que o educando tem papel fundamental nesse processo.

Para o pedagogo, é essencial que se ouça quem está sendo educado e que se aprenda com ele.

Segundo Freire, é respeitando as diferenças nas relações educacionais que se constrói um método efetivo de escola.

Educação como Prática da Liberdade

Escrito logo após Pedagogia do Oprimido, o autor analisa o método de alfabetização de adultos de maneira detalhada.

No título, ele contextualiza essa proposta histórica, política e filosoficamente.

 

Pedagogia da Autonomia

Nessa obra, a intenção de Paulo Freire é apresentar um conjunto de práticas e habilidades as quais ele considera indispensável para qualquer educador, independentemente do gênero ou posição política.

Aqui, mais uma vez, Freire reforça seu pensamento de que a pedagogia do diálogo deva ser a base da relação entre mestre e aprendiz.

 

Cartas à Guiné-Bissau

Foi escrito entre 1976 e 1977.

O livro é um convite para olharmos aos processos históricos da África, continente com cultura tão presente na nossa, brasileira.

Foi escrito por intermédio das correspondências trocadas entre Paulo Freire e a Comissão Coordenadora do projeto de alfabetização de adultos em Guiné-Bissau.

Na obra, o autor nos apresenta a situação pós-independência do país africano sob a perspectiva de condutor de um projeto de educação de adultos que desenvolveu ali.

Longe de oferecer um método fechado ou uma resposta, o livro propõe e destaca as aberturas da educação construída coletivamente.

 

Professora, sim; tia, não

Questiona a relação paternalista entre aluno e professor.

Para Freire, o “tia” eufemiza a formação do educador, o que ele vê como negativo.

Contudo, o autor mantém seu pensamento de que essa relação entre aluno e professor deva ser construído com diálogo e bilateralidade.

Em detrimento de uma relação unilateral de transmissão de saberes.

Da Redação
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