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Música

Companheira de Parra sonha em fazer da coleção de 8 mil CDs uma CDteca pública

Companheira de Parra por 30 anos, Cláudia Chelotti fez – recentemente – levantamento de todo o acervo

24 de agosto de 2016 - 15:00

Nara Assunção

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Há pouco mais de um ano e meio, o cenário musical de Santos perdia o DJ Wagner Parra. Seus últimos segundos de vida foi fazendo o que mais gostava: estava no Torto MPBar, onde acontecia a Vitrolada. Ele comandava a festa, trazendo sempre convidados especiais que revezavam com ele a discotecagem (Daí surgiram inclusive Djs que, por esta experiência, tocam até hoje). Na madrugada do dia 10 para 11 de fevereiro de 2015, porém, passou mal. Não chegou a tocar. Teve uma parada cardíaca fulminante e aos 53 anos foi comandar a vitrolada no céu, como muitos amigos declararam nas redes sociais na época.

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Wagner Parra em uma das discotecagens/ Arquivo do Boqnews

Amante de música e um dos DJs mais conhecidos na região, o objetivo era fazer as pessoas dançarem e, principalmente, apresentar novas músicas, ou melhor, novos CDs ao público que sempre se surpreendia com a seleção feita por ele. Quem já dançou ao som de sua discotecagem deve lembrar bem que fazia questão de mostrar o álbum que estava tocando. E como bem lembra Cláudia Chelotti, que viveu ao seu lado durante 30 anos, ele era capaz de contar toda a história da banda para os mais curiosos que chegavam perto para perguntar.

Com tantos anos dedicados à música, Wagner Parra deixou um total de aproximadamente 8 mil CDs, onde é possível encontrar de tudo. Do É o Tchan a clássicos do rock mundial, da leveza da Bossa Nova ao ritmo dançante de bandas latinas. Tem de tudo no rico acervo que foi construindo ao longo da vida. Para Parra, relembra Cláudia, não existia música ruim, e sim música tocada na hora e no lugar errados. E todos estes álbuns ainda estão em casa aos cuidados de Cláudia, que já recebeu diversas propostas dos “urubus” de viúvas de colecionadores.

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Parte do acervo de Parra/ Arquivo Pessoal

“Chamamos de urubu de viúva no meio de colecionador. Todos se conhecem e é só um morrer que aparecem para tentar comprar o legado. Eu já sabia que isso aconteceria. Veio gente de São Paulo, aliás, do Brasil inteiro em busca do acervo, querendo saber qual era o preço”, explica Cláudia. Ela ouviu todos e não descarta a possibilidade de vender para um deles, mas revelou que o que gostaria que acontecesse é que o material tivesse outra finalidade, com a possibilidade de uso público.

“Não fecho a possibilidade de vender para o comerciante. Já fui perguntada também porque não coloco à venda na própria Disqueria, mas ainda quero esperar por alguém que queira levar este projeto adiante. Não é emocional, mas tenho dó de desfazer o que na verdade é uma biblioteca, ou CDteca. Se alguém, hoje, tentasse fazer uma coleção desta seria praticamente impossível”, explica.

Arquivo Pessoal

Parte do acervo / Arquivo Pessoal

Claudia ressalta que pelo mundo as pessoas estão começando a se dar conta da importância dos CDs e começaram a criar CDtecas. Isso acontece por iniciativas de universidades ou empresas privadas. “Inauguraram um espaço assim recentemente em Londres”, aponta.

“Trabalho com isso há 30 anos e as pessoas já não tem a menor noção do álbum de determinado artista. Isso acontece com pessoas da faixa de 15 a 40 anos, às vezes. Se você pergunta qual disco você acha melhor do Stones, por exemplo, não sabem. Eles acabam tendo todas as músicas num aplicativo, no celular ou no computador, e perderam esta referência. Não sabem o que foi o álbum realizado em 1977, que tem determinadas músicas escolhidas com um proposito. Que marca um momento da banda. O motivo da capa. Tudo isso foi para o espaço, literalmente, pois estão nas nuvens”, conta.

Claudia e Wagner no Torto MPBar / Foto Divulgação

Se fosse milionária, como ela brinca, faria ela própria um espaço destinado a este acervo com livre acesso para as pessoas conhecerem os álbuns e ouvirem. Como não tem esta condição, Claudia está com o acervo à venda, mas ainda esperando por alguém que compre além da coleção a ideia da CDteca. “Outra coisa que o Wagner me ensinou nestes 30 anos ao lado dele é não ter apego ao material. Tudo pode ter seu preço. Se alguém o convencia a vender determinado álbum, ele vendia. Era só conversar para fazer com que o que não estava a venda logo fosse vendido”, relembra.

Agora em relação aos discos de vinil, que Parra também possuia, Claudia não sabe ainda o que fazer. “É uma coleção menor, pois de vinil ele só comprava o que realmente gostava de ouvir e colocar para tocar.  Tem uma enormidade de música latina, reggae e música brasileira. Em se tratando de música latina não deve ter coleção igual. Mas não é um acervo tão completo e amplo como os de CD”, explica.

 O acervo ♦ 7680 CDs

♦ 2920 ♦  MPB
♦ 2500   Pop rock internacional
♦ 1055  
♦  Música latina
♦ 780    ♦ Reggae
♦ 570    ♦ World music
♦ 360   ♦ Jazz
♦ 180   ♦ Trilha de cinema 
♦ 30     ♦ Música Francesa
♦ 450   ♦ Outros 

A Disqueria

Na Disqueria Santos, é possível encontrar para compra Discos de Vinil, DVDs, CDs, livros e histórias em quadrinhos. A loja teve por todos os anos o casal a frente e hoje é Cláudia quem comanda o principal sebo de Santos. O espaço funciona na Avenida Conselheiro Nébias, 850, de segunda a sexta, das 13 às 19 horas. O telefone de contato é  (13) 3232 4767.

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