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Literatura

Cubatão recebe lançamento do livro “O Lobo, o Uso e a Cura”

Os autores, Beth Soares e Marcus Vinicius Batista, lançam a publicação na Biblioteca Municipal a partir das 18h desta quinta (26) com bate-papo

25 de setembro de 2019 - 10:56

Da Redação

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livro O Lobo, O Urso e a Cura

Uma história de superação, companheirismo e luta pela vida.

O livro “O Lobo, o Urso e a Cura” dos jornalistas Beth Soares e Marcus Vinicius Batista será lançado nesta quinta-feira (26), a partir das 18h, na Biblioteca Municipal de Cubatão.

Os autores também realizam um bate-papo com a platéia e autografam exemplares. A entrada é franca. O endereço é Avenida Nove de Abril, 1977, no Centro.

Em junho de 2015, poucos dias após completar 34 anos, a jornalista e escritora Beth Soares viu a morte de perto.

O lúpus, doença autoimune descoberta aos 19 anos, tirou 50% da função de seus rins e a deixou 21 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O médico nefrologista que a acompanhou na crise foi honesto: “não posso garantir que você conseguirá voltar para casa”.

Dessa forma, lúcida e com visitas diárias de apenas duas horas, Beth passava a maior parte do tempo sozinha.

O tédio, a inquietação e os pensamentos deram lugar à vontade de escrever sobre que estava vivendo.

O companheiro Marcus Vinicius Batista, também jornalista e escritor, teve a mesma sensibilidade de utilizar palavras para lidar com a angústia e a incerteza de que tudo voltaria a ficar bem. Ele já havia escrito a primeira crônica. Ela o seguiu.

Quatro anos e 35 crônicas depois, o casal lançou em 17 de agosto o livro, primeira obra que escrevem juntos.

O prefácio é do médico e hoje amigo Bruno Graçaplena Vieira, que cuida de Beth desde então.

Em 216 páginas, o leitor encontrará textos em ordem cronológica, da pré-crise à remissão da doença, sobre personagens que cruzaram essa história e com os mais variados sentimentos: indignação, raiva, tristeza, choro, alívio e até bom humor.

 

livro O Lobo, O Urso e a Cura

Foto: Divulgação

 

Lúpus adormecido

“Tinha quase certeza que ia morrer. Não tenho medo da morte, mas do sofrimento que causaria”.

Esse foi o sentimento de Beth assim que os longos 21 dias se iniciaram na UTI.

Logo, a falta de receio da morte se transformou e a jornalista passou a sentir raiva das experiências que não viveu e dos lugares que tinha deixado de conhecer.

Os dias iam passando quando soube que a única forma de adormecer o lúpus, que pode afetar articulações, pele, rins cérebro e outros órgãos, era com quimioterapia.

É que nessa doença o sistema imunológico produz anticorpos que atacam o próprio corpo; a quimioterapia enfraqueceria as células de defesa e, consequentemente, melhoria o quadro.

Com as sessões, cinco no total, vieram os efeitos adversos, que trouxeram à Beth consciência de rever suas prioridades.

“Sempre tive o sonho de fazer um intercâmbio. Seis meses depois de quase morrer estava embarcando para Londres. Essa é a parte da cura, que falo no livro. Não posso dizer que foi uma experiência ruim, porque sem essa crise minha vida teria continuado como era”, garante.

Depois do susto, o casal mudou a forma de viver, focando menos nos bens materiais e muito mais nas experiências.

“Sempre que queremos fazer alguma coisa que parece difícil no primeiro momento pensamos que sempre daremos um jeito, que não dá para deixar a oportunidade passar. Isso vale tanto para uma viagem como para arrumar tempo para tomar café com um amigo”, diz Marcus.

O tratamento de Beth durou até 2018. Atualmente, ela faz acompanhamento a cada seis meses, porque o lúpus não tem cura.

Sua maior luta é mantê-lo adormecido, se possível, para sempre.

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