Escritores discutem onda de rebeldia em Bienal de Brasília | Boqnews
Escritores discutem onda de rebeldia em Bienal de Brasília
As manifestações contra o governo brasileiro nos últimos meses e a impotência das autoridades para dar uma resposta consistente à população insatisfeita foram abordadas de forma sistemática e ostensiva pelos convidados do quinto e último seminário Krisis - Cidades rebeldes: o povo nas praças e a crise dos modelos de representação política, que aconteceu na noite de ontem na 2ª Bienal do Livro e da Literatura, em Brasília.  O encontro foi mediado pelo professor de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), José Jorge Carvalho. Para o filósofo e colunista da Folha de S.Paulo Vladimir Safatle, autor dos livros "A Paixão do Negativo: Lacan e a Dialética" e "Lacan", o atual modelo político no Brasil de democracia está falido, e a prova disso está na carência crônica da sociedade por soluções aos problemas levantados recentemente em inúmeros confrontos nas ruas do país. "O governo não deu nenhuma resposta às manifestações", salientou. "O Brasil é o único país do mundo que não tem nenhum torturador que foi julgado, o único país do mundo onde a polícia matou mais do que na época da ditadura militar", criticou sob aplausos. Ermínia Maricato, ministra adjunta do Ministério das Cidades entre 2003 e 2005 e professora titular de arquitetura e urbanismo da Universidade de São Paulo, condenou a triste realidade das grandes metrópoles brasileiras que sofrem com a atuação imoral e obscena do mercado imobiliário e com o inchaço das ruas por carros todos os dias. "A vida na cidade está insuportável, a mobilidade nas cidades é uma tragédia", destacou. "A questão urbana hoje passa pela luta de classe no Brasil. Já está comprovado que existem patologias causadas pelo trânsito, pela mobilidade problemática", lamentou. O antropólogo norte-americano James Holston, autor de "A Cidade Modernista - uma Crítica de Brasília e Sua Utopia", falando um português impecável, disse que a realidade das cidades rebeldes com a proliferação de passeatas e manifestações é um fenômeno internacional que vem acontecendo desde 2009 e que tem como pontos de interesse o descontentamento com questões como a corrupção, injustiças sociais e violência. Ele chamou de vergonhosa a necessidade de o governo do Rio de Janeiro precisar acionar o Exército para ocupar a favela da Maré e fez coro aos colegas de debates com relação à crise urbana com sérios problemas de mobilidade. "As condições são insuportáveis que tanto quem está no ônibus quanto no carro percebem a mesma situação", observou.
19 de abril de 2014

Escritores discutem onda de rebeldia em Bienal de Brasília

As manifestações contra o governo brasileiro nos últimos meses e a impotência das autoridades para dar uma resposta consistente à população insatisfeita foram abordadas de forma sistemática e ostensiva pelos convidados do quinto e último seminário Krisis – Cidades rebeldes: o povo nas praças e a crise dos modelos de representação política, que aconteceu na noite de ontem na 2ª Bienal do Livro e da Literatura, em Brasília. 

O encontro foi mediado pelo professor de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), José Jorge Carvalho. Para o filósofo e colunista da Folha de S.Paulo Vladimir Safatle, autor dos livros “A Paixão do Negativo: Lacan e a Dialética” e “Lacan”, o atual modelo político no Brasil de democracia está falido, e a prova disso está na carência crônica da sociedade por soluções aos problemas levantados recentemente em inúmeros confrontos nas ruas do país.

“O governo não deu nenhuma resposta às manifestações”, salientou. “O Brasil é o único país do mundo que não tem nenhum torturador que foi julgado, o único país do mundo onde a polícia matou mais do que na época da ditadura militar”, criticou sob aplausos.

Ermínia Maricato, ministra adjunta do Ministério das Cidades entre 2003 e 2005 e professora titular de arquitetura e urbanismo da Universidade de São Paulo, condenou a triste realidade das grandes metrópoles brasileiras que sofrem com a atuação imoral e obscena do mercado imobiliário e com o inchaço das ruas por carros todos os dias.

“A vida na cidade está insuportável, a mobilidade nas cidades é uma tragédia”, destacou. “A questão urbana hoje passa pela luta de classe no Brasil. Já está comprovado que existem patologias causadas pelo trânsito, pela mobilidade problemática”, lamentou.
O antropólogo norte-americano James Holston, autor de “A Cidade Modernista – uma Crítica de Brasília e Sua Utopia”, falando um português impecável, disse que a realidade das cidades rebeldes com a proliferação de passeatas e manifestações é um fenômeno internacional que vem acontecendo desde 2009 e que tem como pontos de interesse o descontentamento com questões como a corrupção, injustiças sociais e violência.

Ele chamou de vergonhosa a necessidade de o governo do Rio de Janeiro precisar acionar o Exército para ocupar a favela da Maré e fez coro aos colegas de debates com relação à crise urbana com sérios problemas de mobilidade. “As condições são insuportáveis que tanto quem está no ônibus quanto no carro percebem a mesma situação”, observou.

Da Redação
Lúcio Flávio , Da Redação
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