Passarela do Samba Dráuzio da Cruz completa 20 anos no Carnaval | Boqnews
Foto: Carla Oliveira

Santos

06 DE FEVEREIRO DE 2026

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Passarela do Samba Dráuzio da Cruz completa 20 anos no Carnaval

O desfile das escolas de Santos ocorre nesta sexta e sábado

Por: Da Redação

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Nesta sexta-feira (6) e sábado (7), a cidade e os amantes dessa festa respiram o Carnaval com o desfile das escolas de samba de Santos na Passarela de Samba Dráuzio da Cruz – uma semana antes do Carnaval tradicional.

O evento contará com transmissão ao vivo pelas emissoras TV Tribuna e Santa Cecília TV.

Outras darão flashes durante a programação. A passarela completará 20 anos de história neste ano.

 

História

O sambódromo era montado nas Ruas General Câmara, depois João Pessoa e Rangel Pestana. Com o passar dos anos, em meados da década de 1970 e 1980 passou a vir em direção à praia sendo as Avenidas Conselheiro Nébias e Ana Costa o local para ver os desfiles.

Já no fim dos anos 1980 até início dos anos 2000, a praia passou a ser o destino do Carnaval. Trechos entre as avenidas Bartolomeu de Gusmão (entre os canais 5 e 6), Vicente de Carvalho e Presidente Wilson (entre o canal 1 e a divisa) receberam os desfiles.

Em 1998, a passarela do samba foi na Avenida Mario Covas, devido a uma ação do Ministério Público que proibia os desfiles na orla. No entanto, em 2000, com um pedido liminar da Prefeitura foi realizado o último desfile na praia, após a não realização do Carnaval no ano anterior

Entre 2001 e 2005, a cidade não pode acompanhar os desfiles  das escolas de samba, pois não houve a realização do Carnaval. Até que em 2006 foi inaugurada a Passarela de Samba Dráuzio da Cruz, localizada na Avenida Affonso Schmidt, no bairro Areia Branca, onde se mantém até hoje.

 

Decisão

Aliás, o ex-prefeito de Santos, João Paulo Papa conta que a retomada do Carnaval foi uma conquista da cultura santista e muito importante para a cultura da Cidade.

Ele reforça que com a ausência dos desfiles por cinco anos, o Carnaval santista perdeu muita força e havia até o risco de não se recuperar mais.  “Eu me comprometia a retomar o Carnaval, mas num formato que eu entendia que tinha que ser definitivo. Quando eu comecei a trabalhar como engenheiro elétrico da Prefeitura, a primeira missão que eu recebi era participar da montagem do Carnaval, que era feita todo ano, montado e desmontado na praia. Depois mudou para a região portuária, depois para a Divisa. O carnaval no formato que existia anteriormente sempre incomodou, porque quando era na praia incomodava os moradores e os turistas, por causa do trânsito e intervenções que levavam muitos dias.  Tanto incomodou que ele nunca firmou em um local”, lembra que cumpriu a promessa um ano após sua posse.

Papa lembra que se dispôs a fazer o Carnaval retonar a um formato diferente e em um local definitivo.

“Eu me comprometi, fiz esse estudo no primeiro ano. Nós achamos um local que eu hoje estou seguro que é o local ideal na Zona Noroeste. O prolongamento da Avenida Afonso Schmidt foi feito com a finalidade de definir um local e teve um ganho triplo. Nós tínhamos naquele local problemas de mobilidade, os bairros do entorno estavam todos isolados por falta de sistema viário. Nós tínhamos problemas crônicos de alagamentos, de dengue, de segurança.  Eu acho que quando definimos pela passarela naquele local, resolveu definitivamente o problema. O carnaval trouxe um enorme ganho de qualidade de vida para a Zona Noroeste”, destaca.

 

Imperatriz Alvinegra

Portanto, após 20 anos, as escolas colhem os frutos desta conquista.De acordo com o intérprete oficial da Imperatriz Alvinegra, Hermes Sobral, a escola está muito colorida e alegre falando da sua raiz.  “A expectativa é de buscar o tão sonhado lugar no especial. Com todo respeito as coirmãs, mas será brasa pura”.

Ele ainda menciona que o maior desafio estão sendo as fantasias, pois falar das quadrilhas juninas, do maior São João do Estado de São Paulo onde tudo é lindo, fazer uma fantasia à altura é um grande desafio.

 

Império da Vila

Já o mestre de bateria e presidente da Império da Vila, André Fernandes, aborda que a escola está na fase de ajustes finais com carros, fantasias prontos. “Foram meses de muito trabalho e dedicação de todos dentro de barracão e ateliê”.

“A expectativa é a melhor possível de fazer um desfile bem compacto, com bastante alegria, fazer com que o público possa interagir com nossa escola, aumentando a nossa evolução dentro do nosso desfile, bom ressaltar que nosso enredo Maria – Faces da Mulher, mostra a força feminina, a batalha dessas guerreiras para sobreviver e vencer ao meio de tantas adversidades”.

“Eu tenho certeza que com a força da mulher e desempenho de nossa escola vamos fazer um lindo desfile”, completa.

Segundo ele, o maior desafio é o de fazer um espetáculo com poucos recursos financeiros. “Então é ter muita criatividade na confecção das fantasias para extrair a ideia do carnavalesco e transformar em uma bela obra na avenida”.

 

Padre Paulo

Segundo o enredista e diretor cultural da Padre Paulo, Gregório Cardim, a escola promete um grande espetáculo.  “As expectativas são as melhores, trabalhamos muito para retornarmos ao Grupo Especial. Agora o foco é ser campeão, com muita luta, trabalho e dedicação de toda nossa comunidade, com certeza o bom resultado virá. Vamos dar um show na Dráuzio da Cruz.”

Ele menciona que os desafios são sempre os mesmos, com verba apertada, tempo curto, porém isso é superado pelo trabalho e dedicação de todos na escola.

 

Bandeirantes do Saboó

O presidente da Bandeirantes do Saboó, Wellington Reis, aborda que a escola corre contra o tempo. “Esse atraso no repasse público deste ano deixou o prazo para confecção do Carnaval bem apertado. Além disso,  o Carnaval ocorre no início de fevereiro, período de chuvas intensas, mas estamos otimistas que conseguiremos fazer um bom Carnaval.”

Sobre as expectativas, Reis ressalta que se resume em título, independente de enredo ou dificuldades, a escola sempre vem para ganhar. Contudo, ele comenta que trata-se de fomentar financeiramente o Carnaval, pois hoje as condições financeiras envolvidas não são as melhores. Assim, a agremiação usou criatividade para contornar as dificuldades, sofrendo riscos demais por essa escolha.

 

Real Mocidade

Segundo o presidente da Real Mocidade, Edson Ferreira, os preparativos estão em fase de acabamento dos carros alegóricos e algumas fantasias que faltam terminar.

“A expectativa é de fazer um bom desfile. O tempo é um desafio, pois há perspectiva de chuva. Precisamos entregar todas as fantasias em tempo e concluir os acabamentos dos carros e outras peças.”

 

União Imperial

De acordo com o presidente da União Imperial, Luiz Alberto Martins, está sendo difícil os preparativos finais da escola. A expectativa é fazer o melhor possível na avenida. Ele também comenta sobre os desafios da agremiação. “Enfrentar nossas dificuldades financeiras e tentar colocar a escola em condições de igualdade com as demais.”

 

Vila Mathias

Segundo o presidente da Vila Mathias, Jazon Alcântara, a escola está trabalhando para fazer um belo espetáculo. “Nossas expectativas são as melhores possíveis e o nosso maior desafio é de entregar um desfile grandioso com equilíbrio.”

 

Unidos da Zona Noroeste

Segundo a porta-bandeira da Unidos da Zona Noroeste, Thaís Helena, a escola está na reta final com muita dedicação e emoção.

A comunidade tem participado ativamente dos ensaios, restando apenas últimos ajustes e existe um sentimento coletivo de responsabilidade com a mensagem que a Unidos da Zona Noroeste vai levar para a avenida.

“A expectativa é realizar um desfile impactante, daqueles que arrepiam e fazem o público refletir. Queremos transformar a avenida em um espaço de memória, resistência e celebração da nossa ancestralidade. Nossa meta é apresentar um espetáculo forte, coeso e carregado de significado.”

Já sobre os desafios, Thaís aborda que passam pela viabilização e pela responsabilidade de traduzir um tema tão profundo com respeito e potência.  Segundo ela, o enredo da Unidos A falsa abolição — somos os netos dos negros que vocês não conseguiram matar traz uma reflexão necessária sobre a história da população negra e sobre as marcas da escravidão que ainda permanecem na sociedade.

“É um tema potente, que reafirma memória, resistência e continuidade, mostrando que, apesar de todas as tentativas de apagamento, a população negra segue viva, produzindo cultura e construindo o futuro”.

 

Brasil

O carnavalesco da escola de samba Brasil, Leandro Oliveira, fala dos preparativos da escola. “Nós não conseguimos o barracão. Então, nós estamos finalizando toda a parte de estrutura e decoração do carro no terreno e a chuva vem atrapalhando demais o nosso trabalho. Está bem complicado, mas vamos conseguir concluir”, aposta.

Já as fantasias estão praticamente concluídas e estão em processo de entrega.  A maior dificuldade é a alegoria, pois a escola tinha um projeto inicial de duas alegorias, com os percalços do barracão, a agremiação fez uma mudança estrutural no Carnaval e neste ano terá apenas uma.

“É uma expectativa de superação. Nós viemos de um resultado adverso no ano passado (rebaixamento), uma colocação que a Brasil não merece estar. Então, seguindo a dificuldade no passado, conseguimos nos últimos meses do ano, fazer um processo de reestruturação. A expectativa é que seja melhor do que a do ano passado. Sabemos que pensar em título é difícil, mas como sobem duas, sonhamos em conseguir o acesso. E em 2027, se reestruturar de uma melhor forma para que possamos retomar a Brasil dos anos 80 e 90, aquela Brasil que conquistou o título em 2006 e um bicampeonato em 2007. A nossa intenção é recuperar esse brilho no olhar da comunidade do BNH e de todos os cantos da Cidade que gostam da nossa escola”, resume.

 

Regras

Serão nove quesitos avaliados por quatro jurados: bateria; harmonia; evolução; enredo; samba de enredo; fantasias; alegorias e adereços; mestre-sala e porta-bandeira; e comissão de frente, sendo que a menor das quatro notas finais será descartada. A apuração está marcada para o próximo dia 10, às 12h, no Teatro Municipal Braz Cubas (Avenida Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias).

De acordo com o regulamento, duas escolas do Grupo de Acesso vão subir ao Grupo Especial no carnaval de 2027. As duas últimas colocadas do Grupo Especial cairão para o Grupo de Acesso no próximo ano, mantendo o carnaval santista com oito escolas no Grupo Especial e sete no Acesso. A campeã do Grupo Especial levará o prêmio de R$ 35 mil. Já a vice-campeã ganhará R$ 20 mil.

 

*O Boqnews entrou em contato com as demais escolas de samba, mas não obteve retorno

 

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