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Revigorado no mundo virtual

Videogame e música são duas coisas não tão distantes de como se possa parecer. Muitos jogos consagrados possuem trilhas memoráveis,…

10 de julho de 2009 - 21:40

Da Redação

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Videogame e música são duas coisas não tão distantes de como se possa parecer. Muitos jogos consagrados possuem trilhas memoráveis, e outras tantas músicas ficaram famosas por serem tocadas em algum game de sucesso. A partir de 2005, essa relação ficou ainda mais consistente, especialmente no rock’n roll, que comemora seu dia na próxima segunda-feira (13). Tudo graças à criação de jogos que, hoje, são tidos não apenas como fortalecedores do rock, mas principalmente como uma tábua de salvação para a indústria musical: Guitar Hero e Rock Band.

Os games possibilitam ao jogador se imaginar um verdadeiro Às da guitarra, podendo tocar, ao menos virtualmente, alguns dos principais sucessos do rock internacional em um controle especial — uma guitarra, com botões coloridos. Na tela, enquanto a música rola, são identificados os botões que o jogador deverá apertar. Acertando, somam-se pontos que podem resultar no avanço de estágio — ou, no caso, na habilitação de mais músicas para serem tocadas. Com o sucesso do modo, outras possibilidade surgiram, como a de comandar o vocal e a bateria da banda virtual.

O sucesso principal tem a ver com a maneira como o jogo conseguiu unir música e diversão eletrônica. “Em termos econômicos, é um ponto de virada tanto para a indústria musical como para a dos videogames, pois ajudou a alavancar vendas e movimentar capital em ambos os mercados, que caminhavam para pontos de estagnação, principalmente o da música”, explica o jornalista do UOL Jogos Cláudio Prandoni, que também possui um blog especializado em músicas e jogos eletrônicos, o Game DJ.

O Rock Band, por exemplo, acabou sendo uma forma de muitas bandas lançarem seus álbuns, como AC/DC, Judas Priest e Foo Fighters. Os álbuns eram disponibilizados na íntegra pelo game. Pela internet – que pode ser acessada pelo console – podem-se baixar novos conteúdos musicais.

Tal visão mercadológica é reafirmada pelo também jornalista Pablo Miyasawa, editor da revista Rolling Stone. “O impacto que esses jogos tiveram foi muito grande. Hoje, muitas bandas até imploram para que tenham uma música em um Guitar Hero ou Rock Band. Perceberam que isso aproximava o público, enquanto os downloads de canções pela internet afastavam”, reforça.

A estudante Heloísa Saraiva,  13 anos, encaixa-se nesse perfil. Incentivada por amigos,  começou a jogar Guitar Hero no ano passado. “No início, quando eu mal entendia os botões, não gostei. Mas, depois, comprar uma guitarra para o game virou até um sonho. Afinal, se passou a ser legal jogar pelo controle, imagina com uma guitarra?”, conta.
De fato, foi uma “luta” para conseguir ganhar o presente, já que a  mãe de Heloísa tinha receio que a filha ficasse muito aficionada pelo jogo. “Mas já era tarde, eu já adorava muito (o game), e de tanto eu insistir, ganhei a causa em questão”, brinca, comentando, ainda, que a “epidemia” Guitar Hero acabou contaminando o resto da família — inclusive a mãe. “Ela achou o jogo diferente de todos que ela já viu ou ouviu falar. Tanto que acabou jogando algumas partidas. E para quem nunca tinha jogado videogame, até que ela foi muito bem”, diz.

Variedades
Para o jogador casual, como explica Miyasawa, a diferença entre os jogos é quase imperceptível, até pela escolha das canções ser semelhante.

“Isso até é evidente porque se buscam as bandas que possuem maiores repertórios e de qualidade, ou seja, que tenham história. Note que há versões para grupos tradicionais, como Metallica, Aerosmith, Beatles e, em pouco tempo, Van Halen”, explica.

Mercado
Olhando mais especificamente para os números do mercado, Guitar Hero possui relativa vantagem em relação ao rival. Segundo o relatório financeiro da Activision Blizzard, empresa responsável pela distribuição do game, até hoje, a franquia já acumula mais de US$ 2 bilhões em arrecadação.

De acordo com informações do UOL Jogos, de maio deste ano, a série é a terceira do segmento a alcançar tal marca, atrás apenas de nomes já consagrados no mercado, como Madden (jogo de futebol americano) e Mario Bros.

Além disso, em 2008, Guitar Hero foi a marca gamer que mais arrecadou no ano – aproximadamente US$ 992 milhões -, ficando a frente de Mario Bros (US$ 761 milhões) e do próprio Rock Band, que obteve US$ 662 milhões. A liderança se consolidou com a dominação de um mercado que, antes, era comandado pelo americano Rock Band – o ocidental. Atualmente, as vendas da franquia Guitar Hero já contabilizam 55% do que é comprado de jogos musicais neste lado do planeta.

No entanto, o embate de números evidencia a “rivalidade”. Dados do NPD Group (empresa de pesquisa de mercado) afirmam que as vendas de Rock Band o tornaram o jogo mais lucrativo de todos no ano passado, sendo o que mais arrecada por unidade vendida, pelo fato de, em seu pacote, já incluir acessórios como os controles em formato de guitarra e bateria, além de microfone — o game foi o primeiro a possibilitar a real formação de uma banda de amigos jogadores.



 


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