Rua Vergueiro Steidel – Do Hipódromo ao Shopping
Via corta parte do terreno de onde já foi o Jockey Club de Santos
Uma rua que liga o bairro da Aparecida até quase o canal 4, na Rua São José.
Com uma pronúncia um pouco complicada e cheia de história, pois ao longo de sua extensão foi possível ver o nascimento de conjuntos habitacionais, shopping center, do Sesc.
Também o aparecimento de diversas casas e chácaras que mais tarde se tornaram grandes empreendimentos imobiliários, essa é a Rua Vergueiro Steidel.
QUEM FOI VERGUEIRO STEIDEL?
Frederico Vergueiro Steidel nasceu em São Paulo, em 21 de dezembro de 1867.
Assim, formou-se em Direito e iniciou a carreira na advocacia em Santos, atuando no escritório de seu tio, José da Silva Vergueiro.
Portanto, entre 1888 e 1891, exerceu o cargo de promotor público na comarca da cidade.
Dessa forma, anos mais tarde, transferiu-se para a capital paulista, sendo nomeado inicialmente substituto e, depois, professor titular de Direito Comercial na Faculdade de Direito.
Atuou em diversas entidades, fundando a União Escolar Franco-Brasileira.
Fiscal do Conselho Nacional do Ensino, participou, ao lado de Vicente de Carvalho, da fundação da Sociedade de Cultura Artística.
Presidiu a Liga Nacionalista e atuou como procurador da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo.
Lá, atuou por cerca de 20 anos, deixando importantes obras na área jurídica.
Faleceu em São Paulo, em 23 de agosto de 1926.
HIPÓDROMO
O Hipódromo de Santos foi um importante marco de entretenimento, cultura e da vida social da cidade no início do século XX.
Assim, sua criação se deu em meio ao crescimento econômico do café e turístico.
Época quando o município se consolidava como um dos principais portos do país, sendo assim, um Jockey Club atendia aos interesses da elite local e também dos paulistanos que frequentemente desciam a Serra do Mar em busca de lazer.
Portanto, a escolha do local para o hipódromo recaiu sobre a região da então Ponta da Praia, atual Aparecida.
Dessa forma, o local compreendia os atuais logradouros: Pedro Lessa, Alexandre Martins, Pirajá da Silva e Epitácio Pessoa.
A área total era de cerca de 231 mil m², com uma pista oval de aproximadamente 1.700 metros de extensão, com entrada principal pela rua Alexandre Martins.
Entretanto, as obras do complexo levaram quase dois anos para serem concluídas.
A inauguração, inicialmente prevista com a presença do então presidente do Estado (cargo equivalente ao de governador), Altino Arantes, acabou sendo adiada por uma semana para possibilitar sua participação.
Ainda assim, ele não compareceu, enviando como representante o então secretário da Agricultura, Cândido Mota.
O desenlace da faixa foi em 27 de julho de 1919, com oito páreos, reunindo cavalos e jóqueis brasileiros e britânicos.
Para facilitar o acesso do público da capital, o presidente do Jockey Club de Santos, Antônio de Assumpção, firmou um acordo com a São Paulo Railway, que disponibilizou um trem especial saindo de São Paulo às 9h45 e retornando às 17h45.
PONTO DE ENCONTRO
O hipódromo rapidamente se tornou um ponto de encontro social e esportivo relevante. As corridas movimentavam a cidade e geravam debates animados entre os frequentadores, inclusive em locais como a Padaria Jockey, próxima ao prado.
O clube ainda mantinha uma sede social localizada na Avenida Presidente Wilson, nº 13, esquina com a Rua Marcílio Dias, que daria lugar a uma das sedes do Clube XV e posteriormente uma agência da Caixa Econômica Federal.
Suas atividades, no entanto, não se prolongaram. Há registros divergentes sobre seu encerramento, no entanto tudo indica que as atividades do Jockey deixaram de funcionar por volta de 1930, logo após a grande depressão, enquanto sobrevivendo como Clube e algumas atividades sociais até aproximadamente 1945.
Com seu fim, o terreno do hipódromo permaneceu por anos como uma vasta área desocupada, sendo uma das poucas construções em meio a um espaço ainda pouco urbanizado, cheio de chácaras e plantações de chuchu.
Com o passar do tempo, a região começou a ser ocupada por importantes empreendimentos, como o Conjunto Habitacional Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (BNH), instalações da Previdência Social e, já na virada para o século XXI, um shopping center.
PRAIAMAR SHOPPING
Com a construção do BNH, a via pode ter sua extensão inicialmente projetada finalmente finalizada.
No entanto, ligava o conjunto a um terreno vazio.
Então, em 1996, a Prefeitura de Santos declarou de utilidade pública uma gleba no bairro Aparecida, visando reverter seu estado de abandono.
Assim, no mesmo período, havia a intenção do grupo Multiplan de construir um shopping em outra área da cidade.
Seria no bairro Campo Grande, onde viria a se tornar o Mendes Convention Center e um Hipermercado, o que geraria concorrência com o futuro Praiamar.
ACORDO COM INSS
Entretanto, em 1997, contrato entre o INSS e a Miramar Empreendimentos Imobiliários, do Grupo Mendes,passou a vigorar prevendo a permuta do terreno.
A empresa deveria construir sete postos de atendimento para o INSS e pagar R$ 2,4 milhões.
No entanto, a área foi transferida sem licitação e sem contrapartida imediata.
Assim, em 1998, a viabilização do empreendimento avançou com a aprovação da lei que revogou o prolongamento da Rua General Rondon, que dividiria a gleba.
No mesmo ano, o Estado publicou edital para venda de outra área estratégica (Estação Sorocabana).
Posteriormente, a construção de shopping foi restringida por meio da Lei Complementar nº 312.
Em 1999, o Executivo santista enviou novo projeto de lei que retirou restrições comerciais sobre parte da área, permitindo empreendimentos.
Além disso, um acordo permitiu ao Grupo Pão de Açúcar adquirir o terreno onde viria ser o Hipermercado Extra, atual Assaí Atacadista, e o Grupo Mendes.
Em abril de 2000, o Praiamar Shopping abriu sua portas ao público.
O empreendimeto ocupou uma gleba de mais de 2 hectares, avaliada em cerca de R$ 15,8 milhões, com financiamento do BNDES.
No mesmo ano, a uma nova lei complementar permitiu a implantação, no bairro Campo Grande, de um hipermercado em parte do terreno e de um centro de convenções na outra parte, o Mendes Convention Center, inaugurado em 2001.
A RUA
Com cerca de 1.500 metros, ligando os bairros Aparecida e Embaré, a via foi criada em 12 de janeiro de 1929, por meio da Lei nº 847, sancionada pelo prefeito J. de Sousa Dantas, que denominou a então Rua 271 como Rua Vergueiro Steidel.
Anos depois, em 20 de outubro de 1941, o decreto-lei nº 322, assinado pelo prefeito Antônio Gomide Ribeiro dos Santos, declarou de utilidade pública uma área de terreno destinada ao leito da Rua Vergueiro Steidel, possibilitando sua aquisição por desapropriação judicial ou acordo amigável.
Posteriormente, o Projeto de Lei nº 116, de 1953, autorizou a Prefeitura Municipal a declarar de utilidade pública novas áreas (muito provavelmente glebas pertencentes ao Hipódromo) necessárias para a abertura total e ampliação da via.
Em seus quases 100 anos de existência, a via viu aquela região de Santos se transformar, saindo de uma área pouco povoada e com muitas chácaras, para um alto crescimento demográfico, com a construção do BNH e Conjunto Residencial Martins Fontes (Jaú), além do Sesc e do Praiamar Shopping, sendo a única da Baixada Santista.

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