ETC
etc

Tradição na música

Boa música em um lugar aconchegante . Quem aprecia esses ingredientes e valoriza um bom espaço, com certeza já foi…

21 de agosto de 2009 - 18:15

Da Redação

Compartilhe

Boa música em um lugar aconchegante . Quem aprecia esses ingredientes e valoriza um bom espaço, com certeza já foi ao Bar do Torto. Parte fundamental da noite santista, desde sua fundação permanece no mesmo local – a casa, que fica em baixo de um dos prédios tortos, na esquina do canal 4 – criou referência ao nome do estabelecimento.

No próximo dia 23 de agosto completa 25 anos de história como um dos bares mais tradicionais de Santos.

História
Além de ser o carro chefe do bar, foi por meio da música de qualidade que a ideia de criar o espaço surgiu. “Eu tocava na noite, na época com a banda Jornal do Brasil, e tivemos a sugestão, que veio do meu primo, de montarmos um bar”, lembra o jornalista e músico Julinho Bittencourt.  Foi da ideia, a princípio despretensiosa, que o negócio se concretizou. Na época o jornalista economizava dinheiro para uma viagem à Europa mas, decidiu seguir o conselho do primo e investir em um estabelecimento. “Não tínhamos dinheiro, mas começamos a procurar um lugar”, comenta.

O pequeno espaço onde hoje funciona o Bar não causou boa impressão na primeira visita mas, a falta de verba e a falta de opção fez com que Julinho fechasse negócio.  “Naquele local funcionava uma imobiliária então o espaço era cheio de divisórias e pequeno. Pensamos ‘ isso nunca será um bar” relata.

O local foi reformado em apenas um mês sendo que todo o trabalho foi feito pelo próprio músico. A festa de inauguração superou todas as expectativas e recebeu no espaço cerca de 600 pessoas. “Naquela época haviam apenas três casas onde tocava-se música ao vivo, mas o público que frequentava era de mais idade, por isso foi uma grande novidade”, acredita.

Durante o primeiro ano de Torto, Julinho investiu nas instalações do bar e também no equipamento – parte  fundamental para o bom desempenho dos músicos. Em poucos meses o local já era referência da música na Cidade. “Nós oferecíamos uma música que não era a de mercado, normalmente ouvida nas rádios,  além do mais era um lugar que tinha muito respeito pela música”, afirma.







O Torto, quando foi inaugurado
O Torto, quando foi inaugurado

Foi justamente a paixão pela música que estimulou a programação e o crescimento do Torto. As bandas começaram a surgir com a abertura do novo espaço que priorizava a música brasileira nos estilos populares e rock.  As novas ideias projetaram ainda mais a casa, que se estabilizava.“ Criamos a quarta do rock, onde dávamos espaço para bandas tocarem o repertório próprio. Durante dois ou três anos não repetimos nenhuma banda”, lembra.

É  a década de 80 que traz as melhores lembranças para o músico, que se entusiasma ao relembrar que o Torto se tornou referência na música alternativa. “ Toda essa fase foi muito marcante porque sabíamos que estávamos  nos portando como insolentes: pouco nos importava o que as pessoas estavam acostumadas a ouvir. Estávamos dispostos a apresentar algo diferente na Cidade”, comenta.

Pelo palco do Torto músicos iniciaram a carreira e foram descobertos pelo mercado, como lembra Julinho: “Os três bateristas do Charlie Brown Júnior passaram por aqui. O Renato, por exemplo, tocou na nossa banda, a jornal do Brasil, durante sete anos”, comenta. “Outros muitos músicos hoje estão tocando com artistas de nível nacional”, complementa.

Julinho saiu da banda Jornal Nacional em 2001 mas continua tocando e também compondo. Ele, inclusive, tocou na festa de comemoração dos 25 anos de casa, que aconteceu no início do mês de agosto. “Sempre quando tenho oportunidade toco lá. As composições continuam e, na verdade, componho mais agora do que naquela época”, comenta o jornalista que atualmente é assessor de imprensa do Ministério dos Esportes, em Brasília. “Uma vez músico, sempre músico. A música é uma doença que não tem cura”, ironiza.

25 anos de Torto
Proprietário do espaço até 2002,  Julinho vendeu a sua parte e hoje a casa está sob o comando do produtor cultural Michel Pereira, que dividia a sociedade com o músico há 19 anos.

Michel, que também é musico, comenta das mudanças realizadas no bar na década de 90 que deram uma nova cara ao espaço. Uma delas foi a abertura do mezanino. “Como eram dois andares, havia também dois palcos e bandas diferentes se apresentavam ao mesmo tempo, no mesmo dia. Uma no andar de cima e outra no de baixo. Era uma loucura”, lembra.  Desde a mudança, foi aberto um espaço onde é possível visualizar, do segundo andar, o palco .







O Bar depois da reforma: O segundo andar foi aberto para a interação do público com a banda
O Bar depois da reforma: O segundo andar foi aberto para a interação do público com a banda

O critério rigoroso em relação aos músicos que se apresentam no palco continua. As mudanças musicais que ocorreram durante o passar dos anos foi acompanhada pelo Bar, sem que a qualidade estabelecida desde o início fosse comprometida. “Até hoje mantemos a mesma linha de trabalho. O que se toca aqui é o que não se escuta aí fora”, reforça.

A programação atual do Torto conta com bandas fixas que se apresentam em dias específicos da semana. A ideia é apostar nos músicos acreditando que eles vão gerar  fidelidade de público. “Sempre avaliamos o potencial. Quando começam a tocar aqui, ajudamos também a definir a identidade deles a alinhar a produção, tanto para que  continuem tocando aqui como para que cresçam na carreira”, afirma.

Com capacidade para 250 pessoas, a casa tem um público variado. Os jovens curtem a música tocada, porém os adultos de mais idade também apreciam os bons cantores. “Quem frequenta o Torto sabe que é possível encontrar pessoas de 18 a 60 anos”, confirma. “Temos casos de filhos de pais que estiveram presentes na inauguração e também filhos de músicos que eu hoje tocam aqui”, comenta.







A interação dos músicos com o público é a principal marca do Torto
A interação dos músicos com o público é a principal marca do Torto

As mesas, que literalmente ficam grudadas ao palco, criam uma proximidade maior do público com os músicos que também investem na performance pois sabem que a plateia é exigente. “As pessoas que vem aqui esperam ouvir boa música e os músicos sabem disso”, comenta. 

Para que o som esteja sempre em perfeita qualidade a casa disponibiliza um técnico que fica à disposição da banda durante todo o show. “O equipamento está sempre perfeito para que o músico tenha boas condições para se apresentar”, garante.

Atualmente a casa oferece opções variadas de acordo com o dia da semana. Quarta-feira é dia samba rock e antes da banda entrar em ação o bar conta com professores de dança. Às quintas, regaee e sexta-feira rock. Aos sábados a música popular brasileira embala a noite. Nesse dia a casa também apresenta convidados diferentes. Domingo é dia de música acústica.

“Metade da minha vida eu vivi aqui. Manter esse espaço é um desafio e uma grande responsabilidade”, afirma Michel.  “Plantamos algo que foi crescendo. Hoje é uma referência. Esse espírito… essa insolência …é uma forma de expressão única.” finaliza Julinho.

LEIA TAMBÉM: