Valiosas raridades
O estudante de Psicologia Rudy Silva Vieira, 26 anos, possui um aparelho de DVD e dois vídeos cassetes em casa. Com 58 filmes em VHS, além de algumas gravações de filmes e shows, Vieira conta que frequentemente assiste e relembra de filmes com bons roteiros.
Como o longa Benny e Joon, lançado no ano de 1993, sob direção de Jeremiah Chechik. A história do filme conta que Benjamin Benny Pearl é um mecânico que cuida da sua irmã, Juniper Joon Pearl, uma jovem com deficiência mental. O filme ganhou Globo de Ouro pela atuação do ator Johnny Depp no elenco.
Mesmo premiado, o filme, no Brasil, foi rodado apenas em VHS, ou Video Home System, formato lançado no Brasil na década de 80. O DVD pode ser comprado apenas importado. Outro filme que o estudante costuma ver em VHS, em casa, é o longa Tempo de Despertar, de Penny Marshall (1990), indicado para o Oscar de melhor filme. “Gosto muito das histórias desses filmes, mesmo no formato VHS”, conta Vieira.
Locadoras
A maioria das locadoras de vídeo se desfez de seus títulos em VHS, porém não um dos melhores locais do gênero em Santos. A Video Paradiso, existente há 19 anos, possui cerca de 22 mil mídias incluindo DVDs, VHSs e Blu-Ray. Destes, cerca de 10 mil são VHS, ou seja quase a metade, incluindo raridades culturais e artísticas, que vão além do gênero cult, como fitas de shows de rock. “Existem filmes que não têm apelo comercial, mas que possuem uma história belíssima. E é por isso que abrigamos as fitas, para passar cultura”, afirma o proprietário Marcelo Rosendo Datoguêa.
Longe de se tornar peça de museu, as fitas VHS representam uma boa rotatividade nas locações. “Recebemos cerca de 50 clientes por mês apenas para locação das VHS”, conta. O local é frequentado por estudantes, cinéfilos, pesquisadores e moradores que procuram filmes consagrados. A locadora não vende as fitas VHS, apenas as aluga.
Venda
Com cerca de 5.750 títulos em VHS, a Universo Video, loja com mais de 15 anos de tradição, decidiu vender os filmes neste formato. Alguns que agitaram a infância de muitos jovens, como o longa Um tira no Jardim de Infância, estrelado pelo ator Arnold Schwarzenegger, em 1990, podem ser encontrados. A funcionária Thatiana Fasanelli Leomil aponta problemas causados por este tipo de formato. “Eles ocupam espaço e emboloram. É complicado mantê-los em bom estado”. As fitas em VHS custam de R$ 1,00 a R$ 1,99.
MISS
Isto também é percebido no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), localizado no Centro de Cultura Patrícia Galvão (Av. Pinheiro Machado, 48). Segundo o coordenador de cinema e diretor do MISS, Nívio Mota, os filmes em VHS são bem recebidos para doação, porém há pouco espaço no local.
“Será feita uma reformulação para comportar os próximos VHS que virão”, conta. O MISS possui um acervo com mais de 10 mil títulos, entre VHS e DVD, sendo cerca de 6 mil já catalogados virtualmente. Dentre os títulos interessantes estão shows de ópera e coleções européias de História da Arte.
Lei
Mota lembra que o MISS não passa fitas de VHS para DVD sem a autorização prévia do autor. “Apenas se forem vídeos caseiros, como casamentos ou festas de aniversário, ou seja, vídeos pessoais, podem ser passados”, afirma. Copiar VHS ou DVD sem autorização infringe a Lei do Audiovisual, n° 8.685/93, e na Lei de Propriedade Intelectual, n° 9.279/96.
Cadastro
Para locar alguns filmes do cataálogo, deve-se ir ao local de segunda a sexta, das 8h às 18 horas, levando o RG, CPF e comprovante de residência, além de pagar uma taxa de R$ 1,80 por locação. Apenas moradores de Santos podem locar as fitas.