Educação

Alckmin quer audiência pública para discutir reorganização

Plano de reorganização das escolas estaduais, já publicado em decreto, prevê a divisão das escolas por ciclos únicos

03 de dezembro de 2015 - 17:02

Folhapress

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Estudantes estão ocupando várias escolas pelo estado como forma de protesto contra a decisão de Alckmin em reorganizar o ensino público

Estudantes estão ocupando várias escolas pelo estado como forma de protesto contra a decisão de Alckmin em reorganizar o ensino público

A gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) propôs uma audiência pública para discutir o processo de reorganização escolar no Estado, que também prevê o fechamento de 92 unidades em 2016.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Casa Civil, Edson Aparecido, em entrevista ao telejornal “SPTV”, da Rede Globo, nesta quinta-feira (3). A proposta, porém, precisa de ser aceita pelos alunos que já ocupam 191 escolas em todo o Estado.

Estudantes fizeram uma série de manifestações em vias de grande circulação de veículos, na manhã desta quinta-feira (3) em São Paulo, contra a reorganização e fechamento de escolas estaduais.

O plano de reorganização das escolas estaduais, já publicado em decreto, prevê a divisão das escolas por ciclos únicos (anos iniciais e finais do fundamental e o médio). Segundo o governo, o objetivo é melhorar a qualidade do ensino e evitar, por exemplo, que alunos de seis anos frequentem a mesma unidade de adolescentes de 17 e 18 anos.

Para isso, 92 escolas serão fechadas, e cerca de 300 mil alunos serão remanejados. A rede paulista tem 5.147 escolas e 3,8 milhões de estudantes. Ao todo, 754 unidades novas escolas terão só um ciclo no Estado a partir do próximo ano.

Os manifestantes (que incluem alunos, sindicalistas e integrantes de outros movimentos, como Passe Livre) decidiram no domingo (29) radicalizar os protestos após a indicação do governo de que não recuará da reorganização. Desde então, houve ao menos um protesto por dia com fechamento de grandes avenidas.

Até então, os protestos priorizavam ocupação de escolas. Na última contagem do governo, eram 191, de um total de 5.100 no Estado inteiro.

DESBLOQUEIO

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse à reportagem que não usará a Polícia Militar para fazer reintegrações de posse das escolas ocupadas, mas vai impedir os estudantes de fecharem completamente as vias durante manifestações.

“Se tiver algum dano, a polícia vai ingressar na escola, mas ela não será usada para fazer a reintegração. Quem vai cumprir a reintegração é a Secretaria da Educação. Temos ordens de reintegração de posse há mais de duas semanas e não fizemos nenhuma”, afirmou Moraes.

Nos primeiros dias de ocupação, a PM montou um cerco ao colégio Fernão Dias Paes, em Pinheiros (zona oeste), pioneiro do movimento dos alunos contra a proposta da gestão Alckmin de reorganização da rede de ensino.

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