Preocupante

Brasil vive ‘tempestade perfeita’ com o Covid, alerta ex-ministro da Saúde

Ex-ministro da Saúde, médico e deputado federal Alexandre Padilha, diz que o Brasil vive a ‘tempestade perfeita’ com a elevação de casos e mortes pela Covid

10 de março de 2021 - 15:09

Da Redação

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Ex-ministro da Saúde no Governo Dilma Rousseff (PT), o médico infectologista, professor universitário e deputado federal Alexandre Padilha (PT) explica que o Brasil vive “a tempestade perfeita” em razão do crescimento preocupante de infectados e mortes pela Covid.

O total de mortes já ultrapassa 260 mil, colocando o Brasil na vice-liderança, atrás apenas dos Estados Unidos.

Ontem, o País bateu o recorde de mortes: 1.972 falecimentos.

“Vários fatores contribuem para isso”, destacou o parlamentar, que participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias desta terça (9).

Para ele, estes fatores que levam à ‘tempestade perfeita’ para este momento delicado são a aglomeração das pessoas (“muitos, porém, se expõem por conta da sua própria sobrevivência para trabalhar, por exemplo”), as variantes, como a de Manaus, que potencializam a circulação do vírus, e o ritmo lento de vacinação.

“(O presidente) Bolsonaro já deu demonstrações que não quer vacinar a população”, salientou o parlamentar.

 

Ex-ministro da Saúde criticou ausência do governo federal na compra de vacinas. Foto: Boqnews

Tempo perdido

Ele lembra as diversas oportunidades que o Ministério da Saúde perdeu para a compra de vacinas desde o ano passado.

“O governo brasileiro apostou em apenas uma vacina, a de Oxford”, destacou, mostrando que a situação é bem diferente em relação a outros países que optaram por uma gama maior de vacinas.

“A Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou a oferecer uma reserva de 30% para vacinar (com a Covax, de consórcio internacional) a população brasileira. O Ministério da Saúde só pediu 10%”, salientou.

Padilha ressalta que se isso fosse decidido no ano passado – quando as vacinas ainda estavam em fase de testes – seria possível vacinar 80 milhões de brasileiros até o final de abril/maio.

Ou seja, antes da chegada da queda das temperaturas, a vacinação ocorreria plenamente em idosos, profissionais de saúde, pessoas com comorbidades, profissionais da Educação, Assistência Social e Segurança.

E os demais grupos, totalizando 90 milhões, seriam vacinados até setembro/outubro.

Os números seriam suficientes para atender a toda população que poderá ser vacinada (exceto crianças e gestantes).

No entanto, até agora, cerca de 10% da população brasileira já foi imunizada, graças, em especial, à Coronavac, do governo paulista.

São 90% das doses aplicadas até o momento.

Em 2009, na epidemia da H1N1 (gripe suína), que registrou 53.797 casos e 2.141 mortes, o governo brasileiro chegou a comprar 83 milhões de doses e 92 milhões de brasileiros foram imunizados (42% da população à época).

 

Compra por estados e municípios

Padilha ressalta que o Congresso está tentando minimizar a ausência do Governo Federal ao aprovar que estados e municípios possam adquirir vacinas, fato que já teve aval do Supremo Tribunal Federal.

“Vamos ver se o presidente Bolsonaro irá sancionar esta decisão do Congresso”, salientou.

Na entrevista, o parlamentar falou também sobre o programa Mais Médicos e a decisão do ministro Edson Fachin de declarar sem efeito as denúncias contra o ex-presidente Lula.

Apesar de não detalhes sobre o assunto, Padilha, que é vice-líder do PT no Congresso, conversou na segunda com o ex-presidente.

E enfatizou que Lula “estará no jogo em 2022”.

Durante a coletiva realizada hoje, Lula lembrou do personagem Zé Gotinha. “Onde está o Zé Gotinha?”, indagou Lula, personagem, aliás, que ganhou destaque no twitter logo depois.

Na sequência, em seu twitter, Padilha publicou uma foto sua com o personagem, símbolo da vacinação no País. (foto abaixo)

 

 

Programa

 

Parte 1 – https://www.facebook.com/JornalBoqnews/videos/782429065729742

Parte 2 – https://www.facebook.com/JornalBoqnews/videos/433423897882844