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Brasil

12 DE AGOSTO DE 2021

Preconceito, inimigo nº 1 na liberação do uso da Cannabis para fins medicinais

Abrace, entidade fundada na Paraíba, tem autorização legal para plantio da Cannabis para fins medicinais. Já são 23 mil pessoas atendidas

Por: Fernando De Maria

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Você é a favor ou contra o uso da maconha?

Se você torce o nariz para este assunto, então responda a esta pergunta.

Afinal, você é a favor ou contra o uso de maconha para fins medicinais?

Se sua resposta continuar negativa, talvez seja necessário você rever seus conceitos.

Afinal, cada vez mais famílias com dependentes que sofrem de algum tipo de doença recorrem ao uso da planta, tão demonizada.

E que sofre tanto preconceito em plena segunda década do século 21.

No entanto, com comprovações científicas, ela tem se apresentado como uma alternativa viável no tratamento de pacientes das mais variadas doenças.

São os casos de epilepsia, autismo, Alzheimer, Parkinson, fibromialgia, entre outros.

Por sua vez, médicos começam a fazer parte de uma lista de profissionais que receitam cada vez mais o uso de substâncias com THC (Tetrahydrocannabinol) e/ou CBD (Cannabidiol), presentes na planta.

23 mil beneficiados

Assim, um pouco desta luta para uso e plantio da maconha para fins medicinais está presente na história da Abrace – Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança, entidade paraibana que tem se tornado uma referência no assunto no País.

Afinal, já são 23 mil brasileiros que usam os produtos produzidos pela ONG dentro do seu laboratório farmacêutico, que produz medicamentos diversos, inclusive pomadas.

Portanto, alternativa menos onerosa em relação às importações dos produtos, cotados em dólar.

E ainda: mais de 200 médicos cadastrados pelo País no site da entidade já atendem e prescrevem medicamentos à base da planta, após atendimento presencial – ou por telemedicina.

No entanto, as barreiras poderiam ser menores se houvesse maior informação da sociedade, inclusive dos políticos.

Em suma, menos preconceito ao tema, como revela o cofundador da entidade, Luciano Lima.

Assim, ele participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias desta quinta (12).

Luciano Lima é cofundador da Abrace, entidade que tem autorização legal para plantio e venda de produtos à base da Cannabis

Abrace: histórias de lutas

Na ocasião, Lima falou da luta e histórias da Abrace, que usa o termo esperança, como o próprio nome diz, iniciada pelo seu fundador, Cassiano Gomes.

Dessa forma, o próprio Luciano se uniu a Gomes por uma questão particular: seu filho sofria ataques constantes de epilepsia.

“Não poderia deixar meu filho morrer”, relembra.

E, assim, juntou esforços com Gomes, e criou, junto com outros colaboradores, uma grande teia de apoio às famílias que necessitam de apoio no combate às mais variadas doenças sem tratamento – ou custosas, em razão da importação dos medicamentos tradicionais.

E assim, a criticada Cannabis tem se tornado a alternativa para melhora da qualidade de vida de milhares de pessoas – e seus familiares.

Hoje, já são 130 colaboradores, que atuam nas sedes em João Pessoa e Campina Grande.

As contribuições dos familiares ajudam na manutenção da entidade, que poderia ampliar sua atuação se houvesse menos preconceito e mais apoio do Poder Público.

Luta constante

A luta é intensa.

E não para.

A despeito da permissão legal do uso da Cannabis para fins medicinais desde 2014, renovada em 2017, no primeiro semestre a entidade sofreu um revés.

Por decisão do TRF-5 (Justiça Federal da 5ª região), foi proibida de fabricar medicamentos.

O entendimento dos desembargadores é que a entidade teve um crescimento desproporcional em curto espaço de tempo, motivando o pedido de fechamento da entidade.

“Atendíamos a 151 pessoas no início e anos depois já estávamos com 18 mil pacientes”, lembra.

Não bastasse, os medicamentos também são fornecidos para animais, ampliando o raio de alcance.

Graças ao esforço de todos, junto com o corpo de advogados voluntários (vide vídeo), a decisão foi alterada pela Justiça.

Convite

Para tal, a entidade convidou o desembargador Cid Marconi, do TRF5, que no dia 3 de março esteve in loco conhecendo as instalações do local.

O objetivo era obter informações técnicas sobre o cultivo e manipulação do extrato medicinal da Cannabis e o funcionamento da instituição.

Além do magistrado, estiveram representantes da Anvisa, Ministério Público Federal, Procuradoria Federal na Paraíba, OAB, Polícia Federal e da Defensoria Pública da União.

Como resultado, o veto foi retirado.

Assim, a entidade conseguiu a liberação para voltar a plantar e comercializar os medicamentos com uso do extrato da planta.

Adequações foram exigidas pela Anvisa, a qual a entidade está se adequando.

“Eles viram in loco nosso trabalho e a quantidade de famílias que estão se beneficiando”, ressaltou

Entre políticos, opiniões divididas

Não bastasse, a divisão de opiniões sobre o tema também se reflete no Congresso Nacional.

Em maio, a Comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou a legalização do cultivo no Brasil, exclusivamente para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais, da Cannabis sativa, planta também usara na produção da maconha.

No entanto, o resultado favorável não foi tão robusto assim.

Afinal, foram 17 votos favoráveis e 17 contrários.

Dessa forma, o voto de minerva em favor da aprovação veio do relator, o médico Luciano Ducci (PSB/PR).

Aliás, ele próprio, antes mesmo da votação, esteve na Abrace, onde conheceu o trabalho da entidade.

“Isso foi fundamental”, relembra Lima.

Dessa forma, hoje, 50 países já adotam a aplicação da Cannabis para fins medicinais, exclusivamente por meio de medicamentos para humanos e animais.

Na Câmara Federal, o projeto deve ir ao plenário, em razão de recurso apresentado por parlamentares contrários à iniciativa. (confira a sessão que decidiu sobre a aprovação da cannabis medicinal).

Porém, como o próprio nome da entidade diz, a esperança de aprovação e sanção presidencial supera os percalços.

Em especial, dos críticos e ignaros que desconhecem a realidade de quem tem na Cannabis o direito de ter uma qualidade de vida mais digna.

Assim, para informações sobre a entidade, acesse o link

Confira o programa completo

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