Confira entrevista com Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos, que faz uma análise dos 100 dias no Governo | Boqnews
Confira entrevista com Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos, que faz uma análise dos 100 dias no Governo
Eleito no primeiro turno, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa faz um balanço dos 100 primeiros dias à frente da Prefeitura, fala sobre os projetos já implantados, as dificuldades encontradas, sobre o diagnóstico que foi realizado nos equipamentos públicos, além  das denúncias divulgadas na Imprensa envolvendo seu nome enquanto atuava na Secretaria de Educação do Estado.


Já no começo do governo, o sr enfrentou dificuldades e teve que tomar medidas importantes. De que forma isto aconteceu?
Tivemos parte do diagnóstico da situação da Cidade durante o processo de transição de governo, mas apenas a partir do dia 1º de janeiro conseguimos analisar todas estas situações com mais profundidade. A partir desta análise detalhada, além de identificar os problemas, tomamos as medidas necessárias. Fui eleito prefeito não para apontar problemas, mas para encontrar soluções. E é isso que estamos fazendo.

Qual foi o motivo do adiamento da reabertura do Hospital dos Estivadores?
O adiamento do Hospital dos Estivadores foi uma medida necessária, pois seria inviável fazer a obra da maior parte do hospital com uma pequena parte em funcionamento. Amparado com análises técnicas dos engenheiros e também do pessoal de saúde tomamos esta decisão. Vamos cumprir o compromisso de entregar o hospital com 100% da sua capacidade e o mais importante com a qualidade que a população santista merece. Não podemos entregar equipamentos inacabados e impróprios para o uso da população.  Tomamos a medida mais coerente.

Por conta do adiamento do hospital, o senhor prometeu mais leitos junto à Santa Casa e Beneficência. Já há um prazo de quando o número será ampliado?
Para suprirmos esta necessidade, fizemos um convênio com a Santa Casa e Beneficência Portuguesa. A expectativa do hospital era abrir 73 leitos.  Estamos ampliando a capacidade com 100 novos leitos, dos quais 30 na Santa Casa, que estão em operação desde o mês passado e os demais temos um cronograma para que possam ser disponibilizados no decorrer do ano. O intuito é que a população não tenha o prejuízo por conta da não abertura do hospital. Em relação aos Prontos-Socorros, nós estamos em processo de uma nova UPA na Zona Noroeste. Trabalhamos também para soluções do Pronto Socorro Central, em, no máximo, 30 dias. É o equipamento de saúde mais frequentado e precisa de uma solução, medidas foram tomadas para melhorar o estado de conservação do Pronto Socorro atual, mas precisamos de uma solução definitiva e estamos estudando. São problemas de anos, décadas. Soluções paliativas não irão resolver o problema. 


Como está o processo desta nova UPA?
Nós desapropriamos uma área e já obtivemos R$ 3 milhões do Governo Federal para construí-la. Estamos finalizando o processo de desapropriação e em 60 dias acreditamos que este processo já esteja concluído. Paralelamente, já estamos desenvolvendo todo o projeto. A ideia é que possamos colocar a obra em licitação este ano. Executar em 2014 e inaugurar em 2015. 

Na Cultura, a grade polêmica foi a interdição do Teatro Coliseu...
Iniciamos um amplo diagnóstico de todos os equipamentos públicos. No caso do Coliseu, como se trata de um equipamento histórico e de extrema importância, tivemos o cuidado de,  além de trazer às equipes técnicas da prefeitura, também levar o caso ao IPT. Eles apontaram a necessidade de fazer a interdição imediata do espaço, pois o público estava submetido a riscos. A população não pode ter sua segurança prejudicada em nenhum equipamento público. 

Quais foram os resultados deste diagnóstico?
Dos 257 imóveis, temos 56 em estado urgente, de intervenção. Destas, 29 unidades são próprias e 27 são locadas.  Estamos estudando os contratos de locação para possíveis mudanças de locais. Já os próprios precisarão de reformas. Temos também 65 imóveis em estado crítico, 67 onde são necessários reparos, 47 requerem melhorias e apenas 20 em estado normal. Os outros governos priorizaram a expansão, obras novas. Já temos um projeto de expansão, mas a prioridade será cuidar do que a Cidade já tem. A partir deste diagnóstico, faremos um acompanhamento constante por meio de um Sistema de Geoprocessamento. Neste levantamento, temos mais de 15 mil fotos e dados detalhados que mostram a real situação.  Temos o quadro de todos os equipamentos para que possamos melhor principalmente os que estão em estado urgente. 

Em relação às locações, quais medidas já foram tomadas?
Já deixamos de fazer alguns contratos. Um departamento da Secretária de Gestão, por exemplo, tinha um contrato de locação de R$35 mil/mês, o que gerava R$ 420 mil/ ano. Não prosseguimos com o contrato e encontramos alternativas em outros espaços públicos. No diagnóstico, não nos limitamos a estudar apenas a conservação, mas toda a área que está sendo usada pela prefeitura, o que nos permitirá devolver imóveis e utilizar melhor outros espaços.

Como vê o movimento contra a municipalização da Cadeia Velha?
O desafio de recuperar os espaços culturais é enorme, haja vista a situação no Coliseu. Estamos discutindo possibilidades e alternativas com o Estado. Vamos ouvir os agentes culturais, muitos são contrários e  outros a favor à municipalização. O importante mesmo é recuperar este espaço, que está degradado. Existem vários projetos, de um museu, biblioteca, enfim, as alternativas estão sendo estudadas.

Outra questão polêmica já neste início de mandato foi a paralisação dos servidores municipais. A prefeitura não conseguiria dar um aumento maior?
Todos os números estão disponíveis para a população, imprensa e servidores. Estamos trabalhando com orçamento aprovado no ano passado. Neste orçamento tivemos um aumento com o pessoal maior que o aumento de receitas. Tivemos um aumento de 28 % com pessoal contra apenas 8% de aumento da receita, o que limitou o orçamento deste ano. No ano passado, a previsão do reajuste era de 0%. Além disso, passamos também a ter um déficit a ser administrado de R$40 milhões. Como podemos dar reajuste sem ter previsão orçamentária? Com receitas extraordinárias, elevando a arrecadação. Fizemos a opção de não aumentar impostos, que seria o único caminho. A outra forma é ter inteligência tributária e otimizar arrecadação para ter elevação da receita. Acompanho o orçamento todos os dias. Neste primeiro trimestre, constatamos que a diferença entre o que foi projetado e o realizado não chegou a 2%. É com isso que devemos saldar o déficit e dar o reajuste aos servidores. Eu gostaria de oferecer um reajuste melhor, mas tenho uma responsabilidade com o dinheiro do contribuinte, com a população. Se a gente for além do que a prefeitura pode, paralisamos serviços e as sanções e penalidades são claras e estão expressas na lei de responsabilidade fiscal. Eu não posso cometer esta irresponsabilidade. O servidor público merece ser valorizado e será valorizado no nosso Governo. É por isso que estamos tomando medidas claras e efetivas de austeridade de redução de gastos. Nosso primeiro programa criado foi o de Eficiência Total, nos primeiros dias de Governo. Para reduzir o custeio, água, luz, telefone e renegociar todos os contratos de locação e prestadores de serviço, para que tenhamos capacidade para fazer os investimentos que a população espera. Além de oferecer melhores condições ao funcionalismo. 


No transporte público, o que está sendo feito para que no próximo dia 23 o dinheiro pare realmente de ser uma opção de pagamento das tarifas nos ônibus?
Todo processo de mudança exige uma adaptação, isso é natural. Em todas as cidades em que este sistema foi implantado, os ganhos foram claros. Na questão da segurança, hoje temos um número significativo de assaltos nos ônibus. Com o cartão transporte certamente haverá uma redução deste tipo de ocorrência. Melhora a qualidade dos motoristas que acabam se deslocando de sua função. Qual a consequência? Além da demora do transporte temos também o trânsito que piora, que é um dos problemas que estamos que enfrentar na Cidade e nos últimos anos está cada vez pior. Fizemos uma série de exigência da Viação. Mas para isso a concessionária precisa oferecer condições aos usuários. Pedimos a triplicação de postos de vendas, que eram 32, pois queremos 96. Utilização via internet, com sistema já em funcionamento, para o cidadão fazer o preenchimento do cartão e recebê-lo em casa com custo zero a ele. Temos também as chamadas passagens emergenciais, independente de carregar. O usuário terá a possibilidade de fazer uma viagem de emergência. 

Como será trabalho com os turistas? 
Com a ampliação dos postos de vendas e teremos também todas as informações para os turistas nos hotéis, onde será também comercializado. Fizemos uma série de exigência no prazo do dia 23 e estamos monitorando cada uma. Inclusive, já tivemos alguns problemas com a empresa e multamos a Viação. A multa foi de quase R$15 mil. Multamos o que o contrato permite. Importante dizer que a mudança não se limita a esta questão, mas estamos exigindo também ônibus com ar condicionado, piso baixo, acessibilidade, além disso Santos é uma das Cidades que mais se utiliza internet no país, por isso estamos pedindo wi-fi em todos os ônibus. Nossa ideia é melhorar a qualidade. 

No início deste ano, como de costume, problemas de congestionamento afetaram a entrada na Cidade. O que está sendo feito para resolver este gargalo?
Fizemos mais de 10 reuniões com a concessionária (Ecovias) com o objetivo de aprimorar a proposta que fizemos da entrada da Cidade. Tivemos uma conquista importante que foi a seleção do nosso projeto pelo Governo Federal. Estamos trabalhando no estudo. Esta obra tem a estimativa de R$ 600 milhões. Já conseguimos R$240 milhões. Estamos levantando todas as providências para celebrar o convênio com o Governo Federal e Caixa Federal. Dará a possibilidade de licitar parte das obras no próximo ano. Além disso, estamos com tratativas com o Governo Estadual para conseguir parte do que falta. Diria que esta é obra mais estratégica da cidade e foi um dos avanços mais importantes nestes primeiros 100 dias.

Ainda na questão do trânsito, como está o processo do VLT. Alguma novidade?
Avançamos muito nesta questão em duas licitações: no material rodante do sistema e na obra viária. A primeira já está sendo desenvolvida. Estamos estudando o traçado. A boa notícia são os avanços da terceira e última licitação. Hoje (quarta, 10) a proposta comercial foi aberta.

Como a Cidade está se preparando para a Copa 2014?
Estamos avançando. Já conseguimos R$32 milhões para fazermos  melhorias nos equipamentos turísticos. Tivemos a visita de sete países. Não temos nenhuma seleção, pois elas ainda não fizeram suas escolhas.  Decisões que  começam a ser tomadas em dezembro. O ministro de Esporte, Aldo Rebelo, manifestou apoio à candidatura da Cidade. Adequações que fizemos também foram importantes. Estávamos inscritos para receber duas seleções: uma no Balneário e a Vila Belmiro e outra equipe no Hotel Mercure treinando no CT do Santos FC. Fizemos uma análise e decidimos que nos credenciaremos a uma só seleção, que utilizará todos estes quatro equipamentos. 

E o Museu Pelé, estará pronto para a Copa?
As obras estão sendo feitas por uma organização. Estamos prestando todo o apoio para que isso possa acontecer, mas é fato que está atrasada. Nós estamos trabalhando para acelerar. A perspectiva inicial era no ano passado. Temos que trabalhar para recuperar este tempo. Não depende da prefeitura em relação ao custo. Estive com o Pelé pessoalmente para falarmos disso e estamos sensibilizando a iniciativa privada para que invistam e que a obra possa ser feita ate 2014.

Algum projeto de peso está na Câmara?
Agendado para dia 19 de maio temos a Conferência Municipal da Cidade, que será a base da discussão da revisão do plano diretor neste ano, que está diretamente relacionado  na qualidade da vida da população e os impactos das construções na Cidade. Discutiremos as diretrizes e o estímulo de fato para o desenvolvimento, com novas perspectivas como VLT, Petrobras e Valongo. Importante que as áreas de degradação sejam valorizadas, como o Paquetá, Vila Nova. Faremos uma adaptação no Alegra Centro.

Será mais ágil que o último plano diretor?
É uma discussão profunda, que precisa ao mesmo tempo ser democrática, ampla e ágil. O Plano não está mais adequado ao momento que a cidade vive.  

Qual avaliação o senhor faz da equipe que escolheu para comandar a Cidade?
Nós montamos um time para comandar a Cidade e como em todos os times existe o período de adaptação da máquina pública. Cada secretário fez a sua parte com o diagnóstico da sua pasta. Escolhemos um time qualificado. É um time que irá atingir os resultados que a população espera.  E eu digo a melhor maneira de responder as expectativas é com trabalho.É isso que temos feito com toda equipe. Naturalmente existe este tempo de adaptação e ao longo do governo mostraremos os resultados. 

Quais outras ações, o senhor destacaria?
Na área da habitação encontramos projetos que demandavam contrapartida da Prefeitura (Caneleira 4, com 680 unidades, e Tancredo Neves, com 1120 unidades). Como não temos recursos, buscamos do Governo Estadual. A Vila Santa Casa, nos primeiros dias de governo, fizemos um novo projeto e esta em fase de aprovação. Faremos  um chamamento público pela Minha Casa Minha Vida, ainda no início do segundo semestre para que possamos solucionar esse passivo.

Outro ponto importante é a terceira escola técnica da Cidade, que funcionará na Acácio e terá curso de Petróleo e Gás e na área portuária. 
O terceiro é que vamos construir um CREAS para a população de rua. Já finalizamos o projeto e publicamos a licitação. Enquanto o equipamento não estiver pronto, alugaremos um local. Um convênio com a instituição Albergue Noturno, que começará em 60 dias. As equipes passaram a trabalhar também em regime de 24 horas, o que não acontecia. 

As equipes estão fazendo a abordagem com profissionais também da área da saúde agora. Hoje, a questão da população de rua esta ligada diretamente a dependência química. Cerca de 84% das pessoas tem alguma dependência. É uma questão de saúde pública. Nós escrevemos a Cidade no programa “Crack, é possível vencer” do Governo Federal. Solicitamos recursos de novos equipamentos. A seleção do projeto será um avanço muito importante do tratamento de dependentes químicos da nossa cidade.

Na política, o seu nome tem aparecido nos noticiários relacionados às denúncias contra o deputado Gabriel Chalita, com quem o sr. trabalhou na secretaria de Educação do Estado. Acredita que isto influencia de forma negativa seu início de governo?
Estou tranquilo. São denúncias relacionadas a fatos que aconteceram há mais de uma década e surgiram às vésperas do processo de eleição municipal, com claro conteúdo político. Eu tenho a ficha limpa. Nunca fui processado nem cometi qualquer ato de improbidade administrativa. Acho que a função de Ministério Público é investigar e do homem público prestar esclarecimentos. Estou à disposição do Ministério Público.
12 de abril de 2013

Confira entrevista com Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos, que faz uma análise dos 100 dias no Governo

Eleito no primeiro turno, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa faz um balanço dos 100 primeiros dias à frente da Prefeitura, fala sobre os projetos já implantados, as dificuldades encontradas, sobre o diagnóstico que foi realizado nos equipamentos públicos, além  das denúncias divulgadas na Imprensa envolvendo seu nome enquanto atuava na Secretaria de Educação do Estado.

Já no começo do governo, o sr enfrentou dificuldades e teve que tomar medidas importantes. De que forma isto aconteceu?
Tivemos parte do diagnóstico da situação da Cidade durante o processo de transição de governo, mas apenas a partir do dia 1º de janeiro conseguimos analisar todas estas situações com mais profundidade. A partir desta análise detalhada, além de identificar os problemas, tomamos as medidas necessárias. Fui eleito prefeito não para apontar problemas, mas para encontrar soluções. E é isso que estamos fazendo.
Qual foi o motivo do adiamento da reabertura do Hospital dos Estivadores?
O adiamento do Hospital dos Estivadores foi uma medida necessária, pois seria inviável fazer a obra da maior parte do hospital com uma pequena parte em funcionamento. Amparado com análises técnicas dos engenheiros e também do pessoal de saúde tomamos esta decisão. Vamos cumprir o compromisso de entregar o hospital com 100% da sua capacidade e o mais importante com a qualidade que a população santista merece. Não podemos entregar equipamentos inacabados e impróprios para o uso da população.  Tomamos a medida mais coerente.
Por conta do adiamento do hospital, o senhor prometeu mais leitos junto à Santa Casa e Beneficência. Já há um prazo de quando o número será ampliado?
Para suprirmos esta necessidade, fizemos um convênio com a Santa Casa e Beneficência Portuguesa. A expectativa do hospital era abrir 73 leitos.  Estamos ampliando a capacidade com 100 novos leitos, dos quais 30 na Santa Casa, que estão em operação desde o mês passado e os demais temos um cronograma para que possam ser disponibilizados no decorrer do ano. O intuito é que a população não tenha o prejuízo por conta da não abertura do hospital. Em relação aos Prontos-Socorros, nós estamos em processo de uma nova UPA na Zona Noroeste. Trabalhamos também para soluções do Pronto Socorro Central, em, no máximo, 30 dias. É o equipamento de saúde mais frequentado e precisa de uma solução, medidas foram tomadas para melhorar o estado de conservação do Pronto Socorro atual, mas precisamos de uma solução definitiva e estamos estudando. São problemas de anos, décadas. Soluções paliativas não irão resolver o problema. 
Como está o processo desta nova UPA?
Nós desapropriamos uma área e já obtivemos R$ 3 milhões do Governo Federal para construí-la. Estamos finalizando o processo de desapropriação e em 60 dias acreditamos que este processo já esteja concluído. Paralelamente, já estamos desenvolvendo todo o projeto. A ideia é que possamos colocar a obra em licitação este ano. Executar em 2014 e inaugurar em 2015. 
Na Cultura, a grade polêmica foi a interdição do Teatro Coliseu…
Iniciamos um amplo diagnóstico de todos os equipamentos públicos. No caso do Coliseu, como se trata de um equipamento histórico e de extrema importância, tivemos o cuidado de,  além de trazer às equipes técnicas da prefeitura, também levar o caso ao IPT. Eles apontaram a necessidade de fazer a interdição imediata do espaço, pois o público estava submetido a riscos. A população não pode ter sua segurança prejudicada em nenhum equipamento público. 
Quais foram os resultados deste diagnóstico?
Dos 257 imóveis, temos 56 em estado urgente, de intervenção. Destas, 29 unidades são próprias e 27 são locadas.  Estamos estudando os contratos de locação para possíveis mudanças de locais. Já os próprios precisarão de reformas. Temos também 65 imóveis em estado crítico, 67 onde são necessários reparos, 47 requerem melhorias e apenas 20 em estado normal. Os outros governos priorizaram a expansão, obras novas. Já temos um projeto de expansão, mas a prioridade será cuidar do que a Cidade já tem. A partir deste diagnóstico, faremos um acompanhamento constante por meio de um Sistema de Geoprocessamento. Neste levantamento, temos mais de 15 mil fotos e dados detalhados que mostram a real situação.  Temos o quadro de todos os equipamentos para que possamos melhor principalmente os que estão em estado urgente. 
Em relação às locações, quais medidas já foram tomadas?
Já deixamos de fazer alguns contratos. Um departamento da Secretária de Gestão, por exemplo, tinha um contrato de locação de R$35 mil/mês, o que gerava R$ 420 mil/ ano. Não prosseguimos com o contrato e encontramos alternativas em outros espaços públicos. No diagnóstico, não nos limitamos a estudar apenas a conservação, mas toda a área que está sendo usada pela prefeitura, o que nos permitirá devolver imóveis e utilizar melhor outros espaços.
Como vê o movimento contra a municipalização da Cadeia Velha?
O desafio de recuperar os espaços culturais é enorme, haja vista a situação no Coliseu. Estamos discutindo possibilidades e alternativas com o Estado. Vamos ouvir os agentes culturais, muitos são contrários e  outros a favor à municipalização. O importante mesmo é recuperar este espaço, que está degradado. Existem vários projetos, de um museu, biblioteca, enfim, as alternativas estão sendo estudadas.
Outra questão polêmica já neste início de mandato foi a paralisação dos servidores municipais. A prefeitura não conseguiria dar um aumento maior?
Todos os números estão disponíveis para a população, imprensa e servidores. Estamos trabalhando com orçamento aprovado no ano passado. Neste orçamento tivemos um aumento com o pessoal maior que o aumento de receitas. Tivemos um aumento de 28 % com pessoal contra apenas 8% de aumento da receita, o que limitou o orçamento deste ano. No ano passado, a previsão do reajuste era de 0%. Além disso, passamos também a ter um déficit a ser administrado de R$40 milhões. Como podemos dar reajuste sem ter previsão orçamentária? Com receitas extraordinárias, elevando a arrecadação. Fizemos a opção de não aumentar impostos, que seria o único caminho. A outra forma é ter inteligência tributária e otimizar arrecadação para ter elevação da receita. Acompanho o orçamento todos os dias. Neste primeiro trimestre, constatamos que a diferença entre o que foi projetado e o realizado não chegou a 2%. É com isso que devemos saldar o déficit e dar o reajuste aos servidores. Eu gostaria de oferecer um reajuste melhor, mas tenho uma responsabilidade com o dinheiro do contribuinte, com a população. Se a gente for além do que a prefeitura pode, paralisamos serviços e as sanções e penalidades são claras e estão expressas na lei de responsabilidade fiscal. Eu não posso cometer esta irresponsabilidade. O servidor público merece ser valorizado e será valorizado no nosso Governo. É por isso que estamos tomando medidas claras e efetivas de austeridade de redução de gastos. Nosso primeiro programa criado foi o de Eficiência Total, nos primeiros dias de Governo. Para reduzir o custeio, água, luz, telefone e renegociar todos os contratos de locação e prestadores de serviço, para que tenhamos capacidade para fazer os investimentos que a população espera. Além de oferecer melhores condições ao funcionalismo. 

No transporte público, o que está sendo feito para que no próximo dia 23 o dinheiro pare realmente de ser uma opção de pagamento das tarifas nos ônibus?

Todo processo de mudança exige uma adaptação, isso é natural. Em todas as cidades em que este sistema foi implantado, os ganhos foram claros. Na questão da segurança, hoje temos um número significativo de assaltos nos ônibus. Com o cartão transporte certamente haverá uma redução deste tipo de ocorrência. Melhora a qualidade dos motoristas que acabam se deslocando de sua função. Qual a consequência? Além da demora do transporte temos também o trânsito que piora, que é um dos problemas que estamos que enfrentar na Cidade e nos últimos anos está cada vez pior. Fizemos uma série de exigência da Viação. Mas para isso a concessionária precisa oferecer condições aos usuários. Pedimos a triplicação de postos de vendas, que eram 32, pois queremos 96. Utilização via internet, com sistema já em funcionamento, para o cidadão fazer o preenchimento do cartão e recebê-lo em casa com custo zero a ele. Temos também as chamadas passagens emergenciais, independente de carregar. O usuário terá a possibilidade de fazer uma viagem de emergência. 
Como será trabalho com os turistas? 
Com a ampliação dos postos de vendas e teremos também todas as informações para os turistas nos hotéis, onde será também comercializado. Fizemos uma série de exigência no prazo do dia 23 e estamos monitorando cada uma. Inclusive, já tivemos alguns problemas com a empresa e multamos a Viação. A multa foi de quase R$15 mil. Multamos o que o contrato permite. Importante dizer que a mudança não se limita a esta questão, mas estamos exigindo também ônibus com ar condicionado, piso baixo, acessibilidade, além disso Santos é uma das Cidades que mais se utiliza internet no país, por isso estamos pedindo wi-fi em todos os ônibus. Nossa ideia é melhorar a qualidade. 
No início deste ano, como de costume, problemas de congestionamento afetaram a entrada na Cidade. O que está sendo feito para resolver este gargalo?
Fizemos mais de 10 reuniões com a concessionária (Ecovias) com o objetivo de aprimorar a proposta que fizemos da entrada da Cidade. Tivemos uma conquista importante que foi a seleção do nosso projeto pelo Governo Federal. Estamos trabalhando no estudo. Esta obra tem a estimativa de R$ 600 milhões. Já conseguimos R$240 milhões. Estamos levantando todas as providências para celebrar o convênio com o Governo Federal e Caixa Federal. Dará a possibilidade de licitar parte das obras no próximo ano. Além disso, estamos com tratativas com o Governo Estadual para conseguir parte do que falta. Diria que esta é obra mais estratégica da cidade e foi um dos avanços mais importantes nestes primeiros 100 dias.
Ainda na questão do trânsito, como está o processo do VLT. Alguma novidade?
Avançamos muito nesta questão em duas licitações: no material rodante do sistema e na obra viária. A primeira já está sendo desenvolvida. Estamos estudando o traçado. A boa notícia são os avanços da terceira e última licitação. Hoje (quarta, 10) a proposta comercial foi aberta.
Como a Cidade está se preparando para a Copa 2014?
Estamos avançando. Já conseguimos R$32 milhões para fazermos  melhorias nos equipamentos turísticos. Tivemos a visita de sete países. Não temos nenhuma seleção, pois elas ainda não fizeram suas escolhas.  Decisões que  começam a ser tomadas em dezembro. O ministro de Esporte, Aldo Rebelo, manifestou apoio à candidatura da Cidade. Adequações que fizemos também foram importantes. Estávamos inscritos para receber duas seleções: uma no Balneário e a Vila Belmiro e outra equipe no Hotel Mercure treinando no CT do Santos FC. Fizemos uma análise e decidimos que nos credenciaremos a uma só seleção, que utilizará todos estes quatro equipamentos. 
E o Museu Pelé, estará pronto para a Copa?
As obras estão sendo feitas por uma organização. Estamos prestando todo o apoio para que isso possa acontecer, mas é fato que está atrasada. Nós estamos trabalhando para acelerar. A perspectiva inicial era no ano passado. Temos que trabalhar para recuperar este tempo. Não depende da prefeitura em relação ao custo. Estive com o Pelé pessoalmente para falarmos disso e estamos sensibilizando a iniciativa privada para que invistam e que a obra possa ser feita ate 2014.
Algum projeto de peso está na Câmara?
Agendado para dia 19 de maio temos a Conferência Municipal da Cidade, que será a base da discussão da revisão do plano diretor neste ano, que está diretamente relacionado  na qualidade da vida da população e os impactos das construções na Cidade. Discutiremos as diretrizes e o estímulo de fato para o desenvolvimento, com novas perspectivas como VLT, Petrobras e Valongo. Importante que as áreas de degradação sejam valorizadas, como o Paquetá, Vila Nova. Faremos uma adaptação no Alegra Centro.
Será mais ágil que o último plano diretor?
É uma discussão profunda, que precisa ao mesmo tempo ser democrática, ampla e ágil. O Plano não está mais adequado ao momento que a cidade vive.  
Qual avaliação o senhor faz da equipe que escolheu para comandar a Cidade?
Nós montamos um time para comandar a Cidade e como em todos os times existe o período de adaptação da máquina pública. Cada secretário fez a sua parte com o diagnóstico da sua pasta. Escolhemos um time qualificado. É um time que irá atingir os resultados que a população espera.  E eu digo a melhor maneira de responder as expectativas é com trabalho.É isso que temos feito com toda equipe. Naturalmente existe este tempo de adaptação e ao longo do governo mostraremos os resultados. 

Quais outras ações, o senhor destacaria?

Na área da habitação encontramos projetos que demandavam contrapartida da Prefeitura (Caneleira 4, com 680 unidades, e Tancredo Neves, com 1120 unidades). Como não temos recursos, buscamos do Governo Estadual. A Vila Santa Casa, nos primeiros dias de governo, fizemos um novo projeto e esta em fase de aprovação. Faremos  um chamamento público pela Minha Casa Minha Vida, ainda no início do segundo semestre para que possamos solucionar esse passivo.
Outro ponto importante é a terceira escola técnica da Cidade, que funcionará na Acácio e terá curso de Petróleo e Gás e na área portuária. 
O terceiro é que vamos construir um CREAS para a população de rua. Já finalizamos o projeto e publicamos a licitação. Enquanto o equipamento não estiver pronto, alugaremos um local. Um convênio com a instituição Albergue Noturno, que começará em 60 dias. As equipes passaram a trabalhar também em regime de 24 horas, o que não acontecia. 
As equipes estão fazendo a abordagem com profissionais também da área da saúde agora. Hoje, a questão da população de rua esta ligada diretamente a dependência química. Cerca de 84% das pessoas tem alguma dependência. É uma questão de saúde pública. Nós escrevemos a Cidade no programa “Crack, é possível vencer” do Governo Federal. Solicitamos recursos de novos equipamentos. A seleção do projeto será um avanço muito importante do tratamento de dependentes químicos da nossa cidade.

Na política, o seu nome tem aparecido nos noticiários relacionados às denúncias contra o deputado Gabriel Chalita, com quem o sr. trabalhou na secretaria de Educação do Estado. Acredita que isto influencia de forma negativa seu início de governo?

Estou tranquilo. São denúncias relacionadas a fatos que aconteceram há mais de uma década e surgiram às vésperas do processo de eleição municipal, com claro conteúdo político. Eu tenho a ficha limpa. Nunca fui processado nem cometi qualquer ato de improbidade administrativa. Acho que a função de Ministério Público é investigar e do homem público prestar esclarecimentos. Estou à disposição do Ministério Público.
Da Redação
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