Política

Crise FC: 11 ministros já saíram do governo Bolsonaro

Do goleiro ao atacante, ‘ou melhor’ da educação à saúde, desempenho da equipe de Bolsonaro é típico de clube que briga pelo rebaixamento

18 de maio de 2020 - 19:41

João Pedro Bezerra

Da Redação

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Há quem diga que futebol e política não se discutem. No entanto, o cenário atual é perfeito para fazer uma analogia entre os dois temas.

O governo de Bolsonaro já teve 11 saídas de ministros, ou seja, o mesmo número de um time de futebol.

Assim, como na maioria dos clubes, o presidente anunciou com entusiasmo a equipe que faria parte do governo a partir de janeiro de 2019. De acordo com Bolsonaro, a nomeação seguiu critérios técnicos.

500 dias depois de assumir o cargo, o presidente coleciona polêmicas, troca de comando, pressão e problemas econômicos, algo bem comum de time grande que está brigando para não ser rebaixado e têm como o principal foco discussões de técnicos, atletas e dirigentes; cada um jogando a responsabilidade ao outro.

No meio da crise política quem sofre é a população e no futebol os torcedores, porém em nenhuma das ocasiões há concordância, sempre com discussões e ataques banais nas redes sociais. O resultado desta situação é a polarização.

O gol contra na política desta vez foi o pedido de demissão do oncologista Nelson Teich do Ministério da Saúde em meio há uma pandemia.

Os motivos foram os contrapontos entre ele e o presidente nas questões do isolamento social e uso da hidroxicloroquina.

Esquema Tático

Jair Bolsonaro foi eleito prometendo um governo diferente sem alianças partidárias, fundo eleitoral e combate a impunidade, na gíria do futebol podemos dizer que entrou para atacar sem proteger a defesa.

Contudo ao longo dos meses foi visto o contrário, os próprios ministros deram um contra ataque em Bolsonaro mostrando aparentemente que as jogadas dependiam de seus interesses.

Dessa forma, podemos definir que o esquema tático do governo é de exclusividade do presidente. O técnico/jogador/ministro pode até falar na mídia ou em público sobre os problemas internos, mas será demitido ou isolado em parte separada do elenco.

Saídas

Das 11 trocas ministeriais, dois mudaram de setor (Onyx Lorenzoni e André Luiz Mendonça) e nove deixaram o primeiro escalão.

Cada saída teve sua peculiaridade, o colombiano Ricardo Vélez, ex-ministro da educação saiu após frases polêmicas e controversas, típico de um jogador gringo que não se adaptou ao Brasil.

Outra saída importante foi do secretário geral da Presidência, Gustavo Bebbiano logo nos primeiros meses de gestão.

Todavia, foi no ano de 2020 que tudo piorou. Dentro da equipe de Bolsonaro tinha um ministro com característica de ‘estrela’ um clássico camisa 10 que foi uma das peças chaves para derrotar o grande rival, o ex-presidente Lula.

No ministério também havia um ministro sem grandes badalações que começou a ganhar destaque, um camisa 11 para o futebol. Luiz Henrique Mandetta assumiu o protagonismo no combate ao coronavírus dentro do Ministério da Saúde.

Com uma boa oratória, Mandetta caiu nas graças da torcida e de boa parte da população, ele deixou Bolsonaro irritado pelas ideias opostas no combate ao coronavírus e assim tomou o cartão vermelho.

A crise já era grande no Ministério F.C, quando o camisa 10, Sérgio Moro pediu demissão e acusou Bolsonaro de interferir na Polícia Federal o que irritou ainda mais a população.

O cenário poderia ficar ainda pior, Nelson Teich o camisa 9, contratado para ajudar o Brasil em um momento tão delicado não marcou nenhum gol. Pelo contrário, a bola nunca chegava redonda para ele, com a influência do presidente Bolsonaro.

Dessa forma, a perspectiva é de muita dificuldade pela frente, o Brasil ainda não tem um ministro na área da saúde em plena pandemia. Com gols contras, racha no elenco, influência política, o país segue novamente para um ‘7 x 1’ só que dessa vez ainda mais doloroso.

 

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