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Polêmica

23 DE JULHO DE 2021

“Cruzeiro marítimo é celeiro de transmissão”, diz ex-presidente da Anvisa

Médico alerta sobre os riscos da volta dos cruzeiros marítimos a partir de novembro no Brasil, ainda que a pandemia não tenha terminado

Por: Fernando De Maria

O médico sanitarista Claudio Maierovitch teme os riscos do aumento de casos em razão da possibilidade da volta dos cruzeiros marítimos. Foto: Reprodução

Enquanto políticos começam a anunciar a possibilidade da retomada de festas como Carnaval e Réveillon para o próximo ano, um outro setor ganha força.

A dos cruzeiros marítimos.

Isso porque são vários os pacotes que estão sendo oferecidos, inclusive com shows como do cantor Wesley Safadão, entre 20 e 23 de novembro.

Curiosidade: as cabines já estão esgotadas.

“Cruzeiro marítimo é celeiro de transmissão de doenças”, enfatiza o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa, Claudio Maierovitch.

Ele participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias da última segunda (19).

Na ocasião, enfatizou o temor da realização destes eventos ainda na pandemia.

Além disso, o médico citou que mesmo antes da Covid-19 já ocorreram relatos de proliferação de doenças em cruzeiros, seja por sarampo, gripe e  diarreia.

“Onde se retornaram os cruzeiros marítimos houve necessidade de interrupção imediata”, salienta.

Por sua vez, Maierovitch acredita que esta decisão não deverá ser tomada exclusivamente pela Anvisa, mas em conjunto com o Governo Federal.

“Não faz sentido que se organizem cruzeiros marítimos neste momento”, disparou.

Além disso, o médico lembrou também que caso esta decisão seja levada adiante colocará em risco as cidades portuárias, destino de embarque e desembarque, como Santos, no litoral paulista, principal porta de entrada de passageiros.

“Será um risco enorme”, salientou.

 

Negociação

Assim, as empresas do setor negociam com a Anvisa sobre a volta das viagens.

Portanto, a próxima temporada deve iniciar a partir de 5 de novembro, com seis embarcações navegando pela costa brasileira.

Dessa forma, os protocolos para a retomada dos cruzeiros na próxima temporada já estão sendo discutidos com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) constantemente.

Alguns  já estão definidos, como shows com distanciamento, piscinas com menos locais disponíveis no deck.

E ainda: adoção de um plano de contingência com telemedicina para monitorar os casos de covid-19 e contato com os hospitais, além de mudanças na questão da alimentação.

O presidente da Clia Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), Marcos Ferraz, citou que os cruzeiros da temporada 2021\ 2022 não terão o sistema de self-service.

Ele esteve em Santos participando da Expo-Retomada, que discutiu a retomada de atividades e eventos no Estado de São Paulo.

O evento, que contou com 1.500 participantes em dois dias, ocorreu no Santos Convention Center.

Apesar da adoção destes novos protocolos, os custos da viagem não sofrerão alteração, por enquanto.

No entanto, a Anvisa ainda não deu o aval sobre a liberação.

Para que os cruzeiros ocorram, porém, a entidade espera ter uma definição até o final de agosto.

 

Clia Brasil

Em nota, a Clia Brasil informa que “segue seu trabalho sempre feito em estreita colaboração com as autoridades responsáveis para a aprovação da temporada.

O sucesso da retomada da navegação em diversas partes do mundo, como Europa, Caribe, Estados Unidos, Itália, Cingapura, Taiwan, Japão, Taiti e Ilhas Canárias conta muito a favor da temporada nacional, pois mostra que os robustos protocolos da CLIA Internacional, aplicados pelo setor, sempre em concordância com as autoridades locais, têm alcançado o resultado almejado.

Ou seja, um retorno seguro e com medidas que abordam a segurança dos cruzeiristas desde a compra da viagem até seu retorno para casa.

É importante ressaltar que os procedimentos de segurança implementados pela CLIA e pelo setor de Cruzeiros foram criados por médicos, cientistas e especialistas, sempre colocando a segurança dos nossos hóspedes, tripulantes e das cidades que visitamos em primeiro lugar.

Além disso, eles foram feitos para atender aos mais altos graus de exigência, sempre prontos para possíveis ajustes de acordo com o cenário da pandemia e também com exigências de cada região ou país.

Assim, confira alguns dos procedimentos:

Embarque – Teste pré-embarque em todos os hóspedes com triagem rigorosa.

Tripulantes com três testes antes de entrar em serviço, quarentena, e vacina quando possível, quesitos que estão sendo realizados na maior parte dos casos.

Procedimentos a bordo – Uso de máscaras, distanciamento, menor ocupação (70%), ar fresco sem recirculação, desinfecção e higienização constantes.

Saúde a bordo – Plano de contingência, corpo médico especialmente treinado para avaliações constantes, monitoramento contínuo por dispositivos pessoais e pela tripulação treinada.

Estrutura com todos os modernos recursos para atendimento dos hóspedes e tripulantes.

Excursões – Protocolos especiais, coordenação com os municípios, cancelamento do reembarque para hóspedes que não cumprem as regras.

Outros temas abordados…

Assim, durante a entrevista, o médico falou da CPI da Covid – ele participou como convidado e do esvaziamento de profissionais do Ministério da Saúde.

Ainda: mortes em pessoas que já foram vacinadas em duas doses.

E também sobre vacinação em crianças, perspectivas com a Butanvac, , entre outros tópicos.

Confira o programa completo

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