Na sequência da entrevista, o ex-deputado federal Gastone Righi lembra da luta pela autonomia política de Santos, a qual foi um dos principais responsáveis, e reclama do espírito do santista de promover a discórdia em torno de preferências pessoais que suplantam o bem comum.
Confira abaixo a continuidade da entrevista.
O senhor foi o grande marechal da retomada da autonomia política de Santos. O senhor sente que a Cidade reconhece esse seu importante papel na história?
Até reconhece. Mas esse problema ai é muito parecido com o que acontece lá no Santos FC. Outro dia me aborreci tanto lá no Santos. Sou o mais antigo conselheiro do clube e outro dia iam fazer uma homenagem para o Paulo Gomes Barbosa. Merecida, pois ele era prefeito e junto comigo, conseguiu o terreno do Saboó, que era do Instituto Brasileiro do Café, para construir no espaço unidades habitacionais do BNH. Ali se fez o Conjunto Athié Jorge Coury, cujo nome também se deve a minha influência para homenagear o velho Athié. Eu era líder do PTB, o ministro da Indústria e Comércio era o Roberto Cardoso Alves — minha nomeação — e o prefeito era o Paulo Gomes Barbosa. Ele queria dar o terreno para o Santos FC fazer seu Centro de Treinamentos ali, mas não podia porque a cessão era com objetivo definido e único. Eu fui ao Robertão, pois na época o IBC estava se desfazendo e também consegui trazer para cá a Justiça Federal ocupando o antigo prédio do IBC na Cidade. O IBC estava sobre controle do PTB. Dai eu fui falar com o Roberto e conseguimos alterar a destinação do espaço para uso da Prefeitura para o que ela pretendesse. E o Paulo andou rápido aqui, aprovando na Câmara a cessão do terreno ao Santos FC. Nada mais justo prestar uma homenagem a ele. Parece que não é nada, mas foi com parte daquele terreno do Saboó que o Santos FC conseguiu o terreno do CT Rei Pelé, cedendo parte do Saboó para mais unidades habitacionais. Isso tudo, produziu para o Santos uma perspectiva que ele nunca teve. Era difícil treinamento até para seus atletas profissionais. Portanto, nada mais justo fazer uma homenagem ao Paulo. O Rubens Marino, o irmão do Paulo e mais um que não me lembro se meteram a fazer uma proposta e levantou no Conselho o caldo permanente que permeia a sociedade brasileira. O sujeito que é oposição ou situação em um clube. Eu não entendo isso. Eu apoiei o Marcelo Teixeira na eleição. Fui eu quem levou o Milton Teixeira para o clube, em uma hora difícil do Santos FC, para ajudar o Modesto Roma, meu amigo. E ele colaborou muito, virou vice-presidente. Por dívida de gratidão à família, com quem sempre me dei, eu ajudei o Marcelo Teixeira. Mas isso não importa. Foi eleito o Luis Álvaro, que também é meu amigo, meu presidente é ele. Eu sou de um clube que é o Santos FC e estou pouco me interessando por José, Pedro ou Paulo. Quero ver meu time campeão. Rapaz, eu entrei na reunião do Conselho e dei de cara com o promotor Cembranelli, do caso Isabella Nardoni, que é um rapaz muito inteligente, mas fez um cavalo de batalha nisso de homenagear o Paulo Barbosa. Uma besteira. Estou contanto essa história porque reflete um pouco a Cidade. Eu era do PTB, e ele aqui era forte na época. E infelizmente, o Covas tinha sido eleito deputado federal e não tinha sido autor desse projeto a autonomia. E uma das coisas que diziam é que ele nunca tinha feito nada por Santos. Coisa desse tipo de idiota, pois o Covas era uma grande figura. Ele sempre lutou comigo pela autonomia. E sempre reconheceu minha participação, me ligou, me cumprimentou, mas a "turma da torcida" não podia atribuir esse tipo de ação ao Covas. E quem estava do lado dessa gente? Aquela que me perseguiu a vida inteira que é A Tribuna, que jamais deram espaço para mim. Fiz a primeira lei ecológica desse país protegendo uma espécie animal que foi a baleia. Foi à primeira lei do mundo desse tipo. Não é por mim. Eu digo que é importante, pois imagine um país como o Brasil ser o primeiro a ter a coragem de tornar crime gravíssimo, com três anos de reclusão e a apreensão da embarcação e de instrumentos de quem mate e cace cetáceos, como as baleias e os golfinhos. É o primeiro país do mundo a ter esse tipo de legislação, antes de qualquer tratado internacional. Aquilo foi uma luta, foram pilhas e pilhas de crianças, até no Japão pedindo o fim da caça as baleias. A Tribuna, outro dia, publicou uma matéria sobre o assunto e não citou a origem dessa lei. E o Carlos Conde, o atual editor, é um jornalista que nasceu para o jornalismo comigo nascendo para a política. Sabe, temos intimidade, ele conviveu comigo em Brasília durante o golpe e durante a constituinte. Mas, apesar disso tudo, A Tribuna nessa semana publicou uma matéria de página central sobre a caça as baleias e golfinhos, citam lá no fim da matéria a minha lei e sequer dizem que ela foi feita por mim, por um deputado de Santos que foi pioneiro no mundo. E não é por vaidade. Já fui homenageado pelo SOS Baleia, Greenpeace, pelo Fábio Feldman, enfim por várias instituições. Não é pela homenagem, mas por poder dizer que Santos esteve presente nisso ai. Que a partir de Santos criamos uma lei que é modelo no mundo. Até jornalisticamente, qualquer idiota tinha que fazer para registrar. Não. O cara faz questão que não. E na autonomia tem muito disso. Sem sombra de dúvida o projeto foi meu. Eu consegui aprovar na Câmara e no Senado. E consegui quando o Aureliano Chaves, meu amigo particular e que tinha sido deputado comigo, estava substituindo o Figueiredo, que tinha ido para Cleveland, fazer uma operação. O PTB apoiava o governo do Figueiredo, articulado pela Ivete Vargas porque ela conseguiu várias vantagens. Entre elas, a vantagem de que cada deputado pudesse destacar um projeto de seu interesse. Eu tinha lá uns 50 projetos, mas destaquei esse da autonomia. Eu sou chato e moleque sarnento e fui ao Senado exigir o cumprimento do acordo. Todos os líderes assinaram e o regimento interno do Senado dizia que quando um projeto aprovado por todas as comissões chegar à pauta com o apoio de todos os líderes pedindo urgência urgentíssima, ele bloqueia a pauta e nada pode ser votado antes dele. E assim foi. O Aureliano me chamou ao Palácio, onde estava uma delegação de Santos, tinha o Adelino Rodrigues, o Eduardo Castilho Salvador, entre outros. O Aureliano veio falar comigo dizendo que meu projeto estava bloqueando a pauta do Senado, que precisava aprovar o orçamento, entre outras coisas. A autonomia de Santos trancou a pauta do Senado por uma semana. E o Aureliano me pedindo para retirar o projeto. Eu dizia para ele que só um louco faria isso porque é um suicídio político, pois envolvia minha região e eu fui cassado pela revolução. Me pus a falar e o Aureliano dizia, e agora o que eu faço? Bem, voltei à tarde e estava lá o Paulo Barbosa junto com o general que era o chefe da Casa Militar, cujo nome me foge a memória. E o militar dizia que não podia dar autonomia para Santos. Ele dizia que estavam fazendo uma reabertura lenta e gradual, respeitado tudo, e assim por diante. Mas, segundo ele, uma das válvulas de Segurança das Forças Armadas era a autonomia de "Cidades Problemas" e das Capitais. Segundo ele, Santos, dentro do Plano Estratégico, era uma dessas "Cidades Problemas". Ele dizia que como ia explicar isso? Se Santos voltar a ter autonomia, como o Governo Militar iria controlar as outras cidades? Eu então lhe disse, exato, não estou fazendo para ser só Santos, é que não pude fazer para todas. Que caia a primeira, que seja Santos e vamos redemocratizar o país com o apoio do Legislativo. E ele preocupado com a desmoralização do exército, dizendo que tinha muitos movimentos na caserna contra a abertura. Aquele papo furado todo e ficou o impasse. O Aureliano estava vermelho! E dizia Gastone, me ajude. Eu disse a ele, que a única coisa que poderia fazer é fazer ele, Aureliano, tomar o meu lugar. E ele disse, como? Eu disse: "Simples. Baixe o decreto que ai ninguém deu o golpe em vocês. Foram vocês que promoveram a autonomia política para a Cidade". O tal general e o Aureliano acabaram aceitando. Eu copiei o meu projeto em um decreto e o Aureliano assinou, inclusive com os defeitos que tinha o meu projeto, pois eu deveria prever data de eleição. Então tivemos que voltar ao Aureliano para acertar isso. Não fui apenas eu que fiz a autonomia. A coisa era indecorosa. Não se podia admitir que tivesse áreas de segurança nacional em um país que estava se redemocratizando. A coisa não fazia sentido. E tinha a vontade popular. O próprio Paulo Barbosa, comigo lá em Brasília, dizia aos militares que era uma irresponsabilidade, pois o povo de Santos estava indignado. Não era burro também. A coisa já era madura. Era visível que não tinha cabimento. O Paulo Preto (apelido de Barbosa) não era burro. Também não era culto, mas era muito esperto.

Gastone Righi pressionou pela autonomia de Santos
O senhor também conseguiu a autonomia para Cubatão e São Sebastião. Nessas cidades, sua participação é melhor reconhecida?
Nem chegou a ser porque depois de Santos, eu fui trabalhar as eleições nas Capitais. A gente estava interessado na candidatura do Jânio, que tinha perdido o governo do Estado e precisava que ele fosse candidato a prefeito, pois estava construindo o PTB paulista. E dai foi tudo de uma vez. Todos os municípios juntos. Cubatão e São Sebastião deveriam me agradecer pelos projetos que devolveram suas autonomias. Eu tinha uma obrigação com Cubatão. Eu tinha sido o deputado federal mais votado na Cidade. Lá também tinha Porto e a Cosipa onde trabalhei muito. Quando fui cassado, fiz de meu sucessor o Marcelo Gato. Foi quando surgiu a dupla Fabiano e Gato. Eu indiquei o Gato e o Esmeraldo o Fabiano. Os dois foram os últimos cassados e entraram para a lista dos suspeitos de sempre.
Gastone lembra da retomada da autonomia política de Santos
Na sequência da entrevista, o ex-deputado federal Gastone Righi lembra da luta pela autonomia política de Santos, a qual foi um dos principais responsáveis, e reclama do espírito do santista de promover a discórdia em torno de preferências pessoais que suplantam o bem comum.
Confira abaixo a continuidade da entrevista.
O senhor foi o grande marechal da retomada da autonomia política de Santos. O senhor sente que a Cidade reconhece esse seu importante papel na história?
Até reconhece. Mas esse problema ai é muito parecido com o que acontece lá no Santos FC. Outro dia me aborreci tanto lá no Santos. Sou o mais antigo conselheiro do clube e outro dia iam fazer uma homenagem para o Paulo Gomes Barbosa. Merecida, pois ele era prefeito e junto comigo, conseguiu o terreno do Saboó, que era do Instituto Brasileiro do Café, para construir no espaço unidades habitacionais do BNH. Ali se fez o Conjunto Athié Jorge Coury, cujo nome também se deve a minha influência para homenagear o velho Athié. Eu era líder do PTB, o ministro da Indústria e Comércio era o Roberto Cardoso Alves — minha nomeação — e o prefeito era o Paulo Gomes Barbosa. Ele queria dar o terreno para o Santos FC fazer seu Centro de Treinamentos ali, mas não podia porque a cessão era com objetivo definido e único. Eu fui ao Robertão, pois na época o IBC estava se desfazendo e também consegui trazer para cá a Justiça Federal ocupando o antigo prédio do IBC na Cidade. O IBC estava sobre controle do PTB. Dai eu fui falar com o Roberto e conseguimos alterar a destinação do espaço para uso da Prefeitura para o que ela pretendesse. E o Paulo andou rápido aqui, aprovando na Câmara a cessão do terreno ao Santos FC. Nada mais justo prestar uma homenagem a ele. Parece que não é nada, mas foi com parte daquele terreno do Saboó que o Santos FC conseguiu o terreno do CT Rei Pelé, cedendo parte do Saboó para mais unidades habitacionais. Isso tudo, produziu para o Santos uma perspectiva que ele nunca teve. Era difícil treinamento até para seus atletas profissionais. Portanto, nada mais justo fazer uma homenagem ao Paulo. O Rubens Marino, o irmão do Paulo e mais um que não me lembro se meteram a fazer uma proposta e levantou no Conselho o caldo permanente que permeia a sociedade brasileira. O sujeito que é oposição ou situação em um clube. Eu não entendo isso. Eu apoiei o Marcelo Teixeira na eleição. Fui eu quem levou o Milton Teixeira para o clube, em uma hora difícil do Santos FC, para ajudar o Modesto Roma, meu amigo. E ele colaborou muito, virou vice-presidente. Por dívida de gratidão à família, com quem sempre me dei, eu ajudei o Marcelo Teixeira. Mas isso não importa. Foi eleito o Luis Álvaro, que também é meu amigo, meu presidente é ele. Eu sou de um clube que é o Santos FC e estou pouco me interessando por José, Pedro ou Paulo. Quero ver meu time campeão. Rapaz, eu entrei na reunião do Conselho e dei de cara com o promotor Cembranelli, do caso Isabella Nardoni, que é um rapaz muito inteligente, mas fez um cavalo de batalha nisso de homenagear o Paulo Barbosa. Uma besteira. Estou contanto essa história porque reflete um pouco a Cidade. Eu era do PTB, e ele aqui era forte na época. E infelizmente, o Covas tinha sido eleito deputado federal e não tinha sido autor desse projeto a autonomia. E uma das coisas que diziam é que ele nunca tinha feito nada por Santos. Coisa desse tipo de idiota, pois o Covas era uma grande figura. Ele sempre lutou comigo pela autonomia. E sempre reconheceu minha participação, me ligou, me cumprimentou, mas a “turma da torcida” não podia atribuir esse tipo de ação ao Covas. E quem estava do lado dessa gente? Aquela que me perseguiu a vida inteira que é A Tribuna, que jamais deram espaço para mim. Fiz a primeira lei ecológica desse país protegendo uma espécie animal que foi a baleia. Foi à primeira lei do mundo desse tipo. Não é por mim. Eu digo que é importante, pois imagine um país como o Brasil ser o primeiro a ter a coragem de tornar crime gravíssimo, com três anos de reclusão e a apreensão da embarcação e de instrumentos de quem mate e cace cetáceos, como as baleias e os golfinhos. É o primeiro país do mundo a ter esse tipo de legislação, antes de qualquer tratado internacional. Aquilo foi uma luta, foram pilhas e pilhas de crianças, até no Japão pedindo o fim da caça as baleias. A Tribuna, outro dia, publicou uma matéria sobre o assunto e não citou a origem dessa lei. E o Carlos Conde, o atual editor, é um jornalista que nasceu para o jornalismo comigo nascendo para a política. Sabe, temos intimidade, ele conviveu comigo em Brasília durante o golpe e durante a constituinte. Mas, apesar disso tudo, A Tribuna nessa semana publicou uma matéria de página central sobre a caça as baleias e golfinhos, citam lá no fim da matéria a minha lei e sequer dizem que ela foi feita por mim, por um deputado de Santos que foi pioneiro no mundo. E não é por vaidade. Já fui homenageado pelo SOS Baleia, Greenpeace, pelo Fábio Feldman, enfim por várias instituições. Não é pela homenagem, mas por poder dizer que Santos esteve presente nisso ai. Que a partir de Santos criamos uma lei que é modelo no mundo. Até jornalisticamente, qualquer idiota tinha que fazer para registrar. Não. O cara faz questão que não. E na autonomia tem muito disso. Sem sombra de dúvida o projeto foi meu. Eu consegui aprovar na Câmara e no Senado. E consegui quando o Aureliano Chaves, meu amigo particular e que tinha sido deputado comigo, estava substituindo o Figueiredo, que tinha ido para Cleveland, fazer uma operação. O PTB apoiava o governo do Figueiredo, articulado pela Ivete Vargas porque ela conseguiu várias vantagens. Entre elas, a vantagem de que cada deputado pudesse destacar um projeto de seu interesse. Eu tinha lá uns 50 projetos, mas destaquei esse da autonomia. Eu sou chato e moleque sarnento e fui ao Senado exigir o cumprimento do acordo. Todos os líderes assinaram e o regimento interno do Senado dizia que quando um projeto aprovado por todas as comissões chegar à pauta com o apoio de todos os líderes pedindo urgência urgentíssima, ele bloqueia a pauta e nada pode ser votado antes dele. E assim foi. O Aureliano me chamou ao Palácio, onde estava uma delegação de Santos, tinha o Adelino Rodrigues, o Eduardo Castilho Salvador, entre outros. O Aureliano veio falar comigo dizendo que meu projeto estava bloqueando a pauta do Senado, que precisava aprovar o orçamento, entre outras coisas. A autonomia de Santos trancou a pauta do Senado por uma semana. E o Aureliano me pedindo para retirar o projeto. Eu dizia para ele que só um louco faria isso porque é um suicídio político, pois envolvia minha região e eu fui cassado pela revolução. Me pus a falar e o Aureliano dizia, e agora o que eu faço? Bem, voltei à tarde e estava lá o Paulo Barbosa junto com o general que era o chefe da Casa Militar, cujo nome me foge a memória. E o militar dizia que não podia dar autonomia para Santos. Ele dizia que estavam fazendo uma reabertura lenta e gradual, respeitado tudo, e assim por diante. Mas, segundo ele, uma das válvulas de Segurança das Forças Armadas era a autonomia de “Cidades Problemas” e das Capitais. Segundo ele, Santos, dentro do Plano Estratégico, era uma dessas “Cidades Problemas”. Ele dizia que como ia explicar isso? Se Santos voltar a ter autonomia, como o Governo Militar iria controlar as outras cidades? Eu então lhe disse, exato, não estou fazendo para ser só Santos, é que não pude fazer para todas. Que caia a primeira, que seja Santos e vamos redemocratizar o país com o apoio do Legislativo. E ele preocupado com a desmoralização do exército, dizendo que tinha muitos movimentos na caserna contra a abertura. Aquele papo furado todo e ficou o impasse. O Aureliano estava vermelho! E dizia Gastone, me ajude. Eu disse a ele, que a única coisa que poderia fazer é fazer ele, Aureliano, tomar o meu lugar. E ele disse, como? Eu disse: “Simples. Baixe o decreto que ai ninguém deu o golpe em vocês. Foram vocês que promoveram a autonomia política para a Cidade”. O tal general e o Aureliano acabaram aceitando. Eu copiei o meu projeto em um decreto e o Aureliano assinou, inclusive com os defeitos que tinha o meu projeto, pois eu deveria prever data de eleição. Então tivemos que voltar ao Aureliano para acertar isso. Não fui apenas eu que fiz a autonomia. A coisa era indecorosa. Não se podia admitir que tivesse áreas de segurança nacional em um país que estava se redemocratizando. A coisa não fazia sentido. E tinha a vontade popular. O próprio Paulo Barbosa, comigo lá em Brasília, dizia aos militares que era uma irresponsabilidade, pois o povo de Santos estava indignado. Não era burro também. A coisa já era madura. Era visível que não tinha cabimento. O Paulo Preto (apelido de Barbosa) não era burro. Também não era culto, mas era muito esperto.

Gastone Righi pressionou pela autonomia de Santos
O senhor também conseguiu a autonomia para Cubatão e São Sebastião. Nessas cidades, sua participação é melhor reconhecida?
Nem chegou a ser porque depois de Santos, eu fui trabalhar as eleições nas Capitais. A gente estava interessado na candidatura do Jânio, que tinha perdido o governo do Estado e precisava que ele fosse candidato a prefeito, pois estava construindo o PTB paulista. E dai foi tudo de uma vez. Todos os municípios juntos. Cubatão e São Sebastião deveriam me agradecer pelos projetos que devolveram suas autonomias. Eu tinha uma obrigação com Cubatão. Eu tinha sido o deputado federal mais votado na Cidade. Lá também tinha Porto e a Cosipa onde trabalhei muito. Quando fui cassado, fiz de meu sucessor o Marcelo Gato. Foi quando surgiu a dupla Fabiano e Gato. Eu indiquei o Gato e o Esmeraldo o Fabiano. Os dois foram os últimos cassados e entraram para a lista dos suspeitos de sempre.