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Países tentam retomar normalidade

Covid-19 perde força na Ásia e Europa, que tentam voltar às atividades temendo uma nova onda de incidência da doença

31 de maio de 2020 - 15:00

João Pedro Bezerra

Da Redação

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Aos poucos, o mundo tenta voltar a uma nova normalidade social e econômica após uma pandemia que vitimou inúmeras pessoas em países dos cinco continentes. O novo coronavírus começa gradativamente a perder força de forma significativa nos continentes europeu e asiático. Contudo, o epicentro da doença foi transferido para os Estados Unidos e agora se revela com toda força na América do Sul, com o Brasil sendo o principal foco de contágio.

Para se ter uma ideia da diminuição do vírus nos países mais afetados, na última quinta-feira (28), os Estados Unidos registraram 1.216 óbitos, um número ainda alto, porém, bem abaixo do pico, entre o fim de abril e começo de maio, quando houve um estopim de casos, chegando a 4,5 mil mortes em um único dia, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins.
Já na Itália, outro país que sofreu com a Covid-19, o número de vítimas na quinta chegou a 70. Na fase com maior índice de disseminação do vírus, a nação registrou quase 1000 óbitos por dia.

A China, país de origem da doença, vem controlando o índice de casos desde o último mês. Em maio, foi encontrado pessoas infectadas em pontos isolados, ao longo da semana, a média de casos diários não ultrapassa a 10 contaminados, seja da população nativa ou de estrangeiros.

No entanto, o sinal de alerta continua. No dia 11 de maio, foram registrados cinco casos em Wuhan, cidade que teve o primeiro caso de coronavírus no ano passado. O grande problema é uma eventual mutação do vírus.

De acordo com médicos chineses há possibilidade de uma nova onda de contágio no país. No entanto, os sintomas demorariam mais tempo para aparecer por conta da mutação.

A análise está em estágio inicial e ainda é cedo para ter alguma comprovação.

Retomada das atividades

As atividades estão sendo retomadas gradualmente nos países europeus. Um exemplo é o futebol que já voltou na Alemanha. A nação foi referência no combate ao vírus no continente.

A bola voltou a rolar nos gramados alemães no dia 22 de maio, com uma série de protocolos de segurança. Incluindo jogos com portões fechados e testagens em massa nos jogadores e funcionários dos clubes. Assim, outras ligas de futebol, como na Espanha, Inglaterra e Itália anunciaram a retomada dos campeonatos nacionais para junho.

Serviços como academias, piscinas, loja também começam a voltar, seguindo todas as recomendações médicas.

Para a realização destas atividades, foi preciso uma testagem em grande parte da população. Mesmo com a retomada de setores fundamentais para a economia, todos os países vão sofrer uma queda nos negócios.

Segundo o relatório da ONU, a economia mundial vai perder U$ 8,5 trilhões (R$ 46,7 trilhões) em um período de dois anos. No relatório, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países desenvolvidos terá uma queda de 5% em 2020.

De acordo com o professor de economia da UniSantos, Carlos José Pereira, há uma diferença entre a crise causada pela pandemia nestes países e no Brasil, pois a economia brasileira é voltada aos commodities e o agronegócio, enquanto as nações desenvolvidas possuem um processo mais dinâmico.
Além disso, a crise política no Brasil certamente vai atrapalhar a retomada do crescimento econômico após o período da quarentena.

Segunda Onda

Com a reabertura das atividades não essenciais, a preocupação com uma segunda onda de coronavírus é natural, mesmo com os protocolos de segurança estabelecidos pelos governos internacionais.

Na Espanha, por exemplo, já são autorizados encontros com até 10 pessoas em ambientes particulares, ou seja, um casal pode chamar até oito amigos para uma festa em casa, por exemplo.

O médico infectologista, Evaldo Stanislau, ressalta a possibilidade de uma segunda onda. “Para isso não ocorrer, as testagens devem ser contínuas e os pacientes com suspeitas precisam ser rapidamente isolados. Se as normas não forem cumpridas, os casos vão aumentar novamente e assim haverá um retrocesso nas medidas de flexibilização”.Além disso, o médico alertou que os cuidados, como uso de máscaras, devem ser mantidos pós-quarentena.

Na Coréia do Sul, por exemplo, houve um aumento de casos após a retomada de setores não essenciais.

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