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Realidade Social

05 DE JULHO DE 2021

Pandemia agrava a fome, miséria e desigualdade

19 milhões de brasileiros passaram fome no fim de 2020, conforme dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan)

Por: Da Redação

Infelizmente, a fome está batendo na porta de várias famílias brasileiras e na Baixada Santista isso não é diferente. A pandemia, o desemprego e o aumento nos produtos da cesta básica têm afetado sobretudo as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Uma das saídas para amenizar este cenário foi a criação do auxílio emergencial pelo Governo Federal.

Entretanto, a parcela da segunda rodada do benefício que chega a R$ 150 para maioria dos cadastrados não paga sequer a alimentação de 7 dias de uma família.

Para se ter uma ideia, 19 milhões de brasileiros passaram fome no fim de 2020, conforme dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Dura realidade

Basta percorrer as ruas de Santos e de outras cidades da região para perceber a desigualdade, principalmente nos locais de maior movimento que possuem centros comerciais, onde as pessoas em situação de vulnerabilidade social pedem um prato de comida ou dinheiro para poder se alimentar.

Grande parte dessa população também procura entidades em busca de uma refeição, como no Centro Espírita Ismênia de Jesus, que distribui marmitex e cestas básicas para as pessoas em situação de vulnerabilidade. O presidente da entidade, Ismael Leal, ressaltou que a ajuda da comunidade é fundamental para a manutenção do trabalho que entrega, em média, 160 refeições por dia a moradores de rua e pessoas sem condições financeiras.

As entidades desempenham um papel fundamental no combate à fome, como a creche da Tia Edna, nos morros de Santos.

De acordo com a gestora educacional, Edna Souza, a instituição atende mais de 130 famílias que estãoem situação de vulnerabilidade social. Assim, quase 500 pessoas são beneficiadas com o projeto.

A partir de doações e parcerias com as empresas, a creche da Tia Edna consegue distribuir alimentos da cesta básica para essas famílias.

Edna explica que a pandemia da Covid-19 dificultou os trabalhos de assistência social, citando que o número de pessoas que precisam de ajuda só aumentou.

Cesta básica

O aumento da cesta básica impactou não só as famílias mais pobres, como também a classe média brasileira, que está sentindo no bolso o aumento dos produtos nos supermercados.

O cenário de agrava sobretudo para quem perdeu o emprego ao longo da pandemia e ainda não conseguiu voltar ao mercado de trabalho. De acordo com o economista, Dênis Castro, a cesta básica teve um aumento de 42,47% de março de 2020 até junho de 2021.

No Estado de São Paulo, a cesta tem o valor superior a R$ 1030,00, ou seja, quase a quantia integral do salário mínimo, de R$ 1.100,00. Castro destaca que houve uma alta generalizada nos produtos do ramo alimentício nos últimos anos, com destaque para o óleo de soja que subiu 118%; o arroz em 62%; e a carne em 51,48%.

Questionado sobre a fórmula para evitar dívidas por conta de compras no mercado, o economista frisou que é importante buscar qualificação em cursos gratuitos online e presenciais, além de buscar fontes de renda extra

“A população precisa ter conhecimento que depender de apenas uma fonte de renda é estar a um passo da miséria”, enfatizou Dênis.

Por fim, o economista ressaltou que já faz um tempo que os mais pobres não têm condições de escolher sua comida, precisando optar pelo que cabe no orçamento

“É um triste cenário causado pela inflação fora de controle e o desemprego em alta. O lamentável resultado é o empobrecimento da população como um todo que joga os mais pobres para a condução de fome e desalento”, concluiu.

É importante frisar que o desemprego bateu recorde no País, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (30):14,8 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil.

Social

De acordo com a mestre em serviço social e políticas sociais e criadora do #BoraConhecer, Juliana Laffront, a fome é um desafio global que escancara a desigualdade e o problema de distribuição de alimentos no mundo.

“A situação se agravou ainda mais com a pandemia. É necessário o fortalecimento e efetivação das políticas públicas para combater a desigualdade” enfatizou Juliana. Ela também salientou que o Estado precisa garantir o direito a segurança alimentar e que programas como o Bom Prato são fundamentais para combater a fome.

“O Bom Prato, do Governo de São Paulo, é um ótimo programa. As pessoas tem acesso a café da manhã e almoço por um valor simbólico, devido ao subsídio do poder público. Em Santos, por exemplo, as pessoas que vivem nas ruas foram cadastrados para acessar gratuitamente a alimentação, no período da pandemia”. Outro ponto, são os programas de transferência para a população mais vulnerável.

Por fim, Juliana citou que a sociedade deve cobrar ações do poder público, por meio de conselhos municipais.

Frio

Além da fome, muitas pessoas estão sofrendo com o frio nos últimos dias. Sobretudo, a população de rua.

Na cidade de São Paulo sete pessoas que vivem nas ruas morreram devido às baixas temperaturas na madrugada de quarta-feira (30), conforme informações do Movimento Estadual dos Moradores em Situação de Rua.

Neste momento é fundamental, a solidariedade tanto com doações de alimentos, como cobertores.
Em Santos, a Campanha do Agasalho 2021 tem 40 pontos de arrecadação.

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