PIB brasileiro em dólar deve contribuir para deficit externo

A queda no deficit esperada reflete a taxa de câmbio e a desaceleração da atividade. Os dois fatores têm reduzido importações e gastos com serviços, como viagens. Também levaram a ganhos menores com lucros e juros
O deficit do Brasil nas transações de bens, serviços e rendas com outros países ficará praticamente estável na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 em relação ao ano passado, segundo projeção do Banco Central.
Em valores absolutos, o valor deve cair de US$ 103,98 bilhões para US$ 84 bilhões, segundo o BC. Na comparação com o tamanho da economia brasileira, no entanto, passará de 4,43% para 4,42%.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que a comparação com o PIB foi influenciada pela taxa de câmbio que é utilizada para calcular o PIB em dólares. No ano passado, a taxa média foi US$ 2,35. Neste ano, está em US$ 2,91.
“Você tem uma desaceleração pronunciada do deficit em transações correntes [em valores absolutos]. Em percentual do PIB não cai, porque é o PIB em reais convertido em dólar”, afirmou.
As projeções já consideram a nova metodologia de apuração dos dados que passa a ser adotada pelo BC a partir desta quarta-feira (22).
A queda no deficit esperada reflete a taxa de câmbio e a desaceleração da atividade. Os dois fatores têm reduzido importações e gastos com serviços, como viagens. Também levaram a ganhos menores com lucros e juros.
“A balança tem comportamento melhor em relação ao ano passado. Os serviços estão praticamente estáveis, pois o gasto parou de crescer em itens importantes como viagens. E tivemos volume menor de juros e lucros”, afirmou Maciel.
“O comportamento do câmbio teve influência determinante para este comportamento. O ajuste já está sendo observado nos dados do trimestre, sobretudo em itens mais sensíveis, como lucros e dividendos e viagens.
Em relação aos Investimentos Diretos no País (que eram chamados de Investimentos Estrangeiros Diretos pela metodologia antiga), o BC espera uma entrada de US$ 80 bilhões em 2015, abaixo dos US$ 96,9 bilhões de 2014.
NOVA METODOLOGIA
Maciel afirmou que a nova fórmula de cálculo segue padrão internacional e já é utilizada por países como EUA, Rússia, Índia, Coreia do Sul, Chile e Colômbia. Também está de acordo com a nova metodologia de cálculo do PIB brasileiro do IBGE.
Os principais impactos da mudança foram o aumento do deficit em transações correntes apurado e a elevação dos investimentos no país.
Uma explicação para esses aumentos é que o BC passou a registrar lucros e juros reinvestidos no Brasil. Esses fatores tiveram um impacto de US$ 12 bilhões no resultado do ano passado, tanto no deficit externo como nos investimentos.
Pela regra antiga, o investimento direto em empresas no Brasil iria financiar 69% do deficit. Agora, vai cobrir 93%.
Parte dessa elevação também reflete a incorporação de dívidas que empresas brasileiras têm com suas filiais no exterior ao investimento direto. Isso representou cerca de US$ 24 bilhões no ano passado. Especialistas consideram esse tipo de capital um recurso de menor qualidade, pois é um dinheiro que pode deixar o país mais rapidamente em momentos de crises.
O investimento direto no primeiro trimestre de 2015 ficou em US$ 13,1 bilhões pela nova metodologia, mas seria de US$ 12 bilhões pela regra anterior.