Planalto avalia que é preciso ‘quebrar clima de pessimismo’

Com aprovação de 13% do eleitorado segundo pesquisa Datafolha, a presidente tem enfrentado dificuldades, especialmente na Câmara
Um dia após multidões contrárias à presidente Dilma Rousseff voltarem às ruas pela terceira vez em cinco meses, o governo avaliou que é preciso “quebrar o clima de pessimismo” e garantir condições econômicas “para que o país volte a crescer com geração de emprego e distribuição de renda”.
A avaliação foi feita durante reunião da coordenação política do governo, nesta segunda-feira (17), em que Dilma e o vice-presidente Michel Temer reuniram 12 ministros e os líderes do governo no Congresso.
“Precisamos quebrar esse clima de pessimismo que existe no país. As medidas estão sendo tomadas para que esse ambiente seja superado em breve. Se temos as condições, cabe acreditarmos na força e potencial do nosso país. Temos que ter otimismo para superar as dificuldades”, disse o ministro Edinho Silva (Comunicação Social), escalado para falar após o encontro.
Oficialmente, a ordem no Palácio do Planalto é não minimizar as manifestações que, segundo a Polícia Militar, levou cerca de 612 mil pessoas a pelo menos 169 cidades, incluindo todas as capitais. O número de pessoas nas ruas foi maior que o registrado em abril -540 mil-, mas menor que o dos protestos de março, que levou 1,7 milhão aos protestos.
“As manifestações foram importantes, não importa o número de pessoas que foram às ruas. O regime democrático pressupõe respeito às manifestações”, disse Edinho.
Nos bastidores, porém, preocupou o governo o fato de os protestos ainda estarem fortes e centrados nas figuras de Dilma, do ex-presidente Lula e do PT. A expectativa inicial do Planalto era de que as manifestações deste domingo fossem menores, inclusive, que as de abril.
O ministro, porém, negou preocupação com o foco dos protestos. “Se pegarmos as três mobilizações, você pode fazer uma diferenciação pequena, mas elas, no geral, trabalham a mesma pauta, a mesma agenda. É evidente que tivemos um recuo comparado à primeira mobilização, mas não deixa de ser importante”, declarou.
Questionado sobre como Dilma viu, pessoalmente, as manifestações, o ministro manteve o discurso oficial. “Foi a reação de uma mulher que acredita na democracia, investe no diálogo e encara as mobilizações como fazendo parte do regime democrático. Qualquer país que investe na democracia precisa conviver com as mobilizações”.