Manifestações populares estão programadas para domingo (13)
Em meio à crise política e econômica que o País atravessa, a sociedade – assim como em 2015 e em 2013 – volta às ruas promovendo grandes mobilizações neste domingo (13 de março). Os organizadores defendem que a luta é “pela democracia, pela ética na política e contra a corrupção”. O movimento Vem Pra Rua Brasil, por exemplo, organiza uma mega mobilização em todos os estados do Brasil e também no Distrito Federal. No evento, criado no facebook para divulgar os atos, a ação já tem mais de 5 milhões de convidados. A mensagem é de que a data será um dia que valerá por anos.
No palco das reivindicações estão a saída da presidente Dilma Rousseff e – mais recente – as denúncias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato. Na quinta-feira (10), por exemplo, o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente e de outras seis pessoas. Tal medida fez com que manifestantes pró-PT também se organizassem. Em São Paulo, para evitar confrontos contra grupos contrários ao partido, a probabilidade é a de fazer o encontro no domingo (20).
Denúncias
Para o jornalista e consultor econômico da R.Amaral Consultoria, Rodolfo Amaral, as recentes denúncias não são novidade e nem o surpreendem. “Poucos se lembram, mas isso tudo surgiu há muitos anos com o caso Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios) na década de 90. Os envolvidos destas denúncias já apareciam neste caso com repercussão em Santos”, relembra. Na ocasião, a cidade era governada pelo PT.
Para Amaral, o que está atrasado é a discussão da sociedade em si – principalmente no meio acadêmico – para encontrar reais soluções para que o País supere o momento de crise.”Estamos esperando de braços fechados. Muito apáticos diante de todo o cenário. A região, por exemplo, precisa se mobilizar. Representamos 1% do PIB nacional, o que mostra a importância pontual. A discussão é importante para se pensar em alternativas, criar novos alicerces e termos um plano B”.
Baixada terá atos
Em Santos, o manifesto está marcado para começar às 15 horas na Avenida Presidente Wilson, em frente ao Posto 2, no José Menino. De lá, os manifestantes sairão em passeata até a Praça Independência, no Gonzaga. A Mobilização Santista / Brasil, organizada por Luiz Fernando Lobão, já tem mais de 31 mil convidados na rede social Facebook, com mais de 2,5 mil pessoas confirmadas.
O grupo reivindica a saída da presidente Dilma do governo e também a prisão do ex-presidente Lula, envolvido na operação Lava a Jato. “Esta luta extrapola a questão partidária. O Aécio (PSDB), citado por Delcídio, se for provada sua culpa, também deve pagar por isso”, ressalta Lobão. Para ele, todo o debate é saudável. “Discriminalizou-se a direita por muito tempo. Eu sou de direita. E o que é ser de direita? É defenrder a liberdade econômica. Investir em educaçao, saúde… Eu não odeio alguém. Muito pelo contrário. O debate é saudável. O ponto errado é quando se vai para violência e intolerância”, ressalta.
Segundo Lobão, que esteve à frente da manifestação de 2015, a expectativa é positiva em relação à adesão. “Nas redes sociais temos envolvimento até três vezes maior que no ano passado”, acredita. Há um ano, 543 mil manifestantes foram às ruas, em 24 capitais e no Distrito Federal, segundo a Polícia Militar (PM). Na região, foram 11 mil pessoas. “Fico feliz que as pessoas começaram a entender o que há tempos estamos enfrentando”, ressalta. O ato terá respaldo da Polícia Militar, Guarda Municipal e CET. “Estamos esperando algo bem tranquilo e pacífico”, finaliza.
PT busca diálogo
“Temos um compromisso muito forte com a democracia. Estas manifestações a favor ou contra vêm da democracia. Não queremos contribuir para que haja confronto, que justique algo que abale o que conquistamos”, ressalta o líder do PT em Santos, Bartolomeu Pereira de Souza. Ele diz que o partido está centrado em abrir um diálogo com os militantes e a população com a realização de encontros. Neste sábado (12), a partir das 9h, a sede do partido no Guarujá terá encontro com a presença do deputado federal Valmir Prascidelli. Já em Santos, na segunda (14), às 19h, o partido, junto com outras frentes populares, traz para a Unisanta o jornalista Paulo Henrique Amorim, autor do livro O Quarto Poder, que analisa a mídia.
Para o líder petista, o partido não inventou a corrupção. “Um dos erros foi não termos feito uma reforma política para valer até hoje. Algumas lideranças do PT se desviaram da bandeira da ética do partido. (…) Mas ao chegar no Governo foi o partido que criou a possibilidade da corrupção ser combatida”, diz. Segundo Souza, mesmo que setores do PT se desviaram, o partido continua com a mesma ideologia e parte da população consegue separar isso. Desde o início do ano, Bartolomeu ressalta que 42 pessoas se filiaram ao PT em Santos e outras 300 mil em nível nacional.
Em ano eleitoral, o dirigente acredita no partido e esclarece que em 2017 ele passará por mudanças, com eleições internas. “Será algo fundamental para redefinir as diretrizes da agremiação”, explica, fazendo questão de destacar que nenhuma liderança regional do partido se envolveu nos escândalos, “mas para o bem ou para o mal, todos pagam por isso”.
