Ainda que ocorra o avanço da vacinação contra a Covid no País – bem distante do ideal, pois apenas 11,5% (24,2 milhões) da população tomou as duas doses necessárias até o momento – , sobram mais dúvidas que certezas sobre quando será possível o País voltar à normalidade.
E assim, festividades como o Réveillon, Natal e o próprio Carnaval de 2022 não tem garantia de serem realizadas.
E, assim, neste mar de incertezas, para fazer o planejamento de eventos e outras ações culturais há a necessidade de tempo prévio – algo difícil para se antever diante da pandemia, cujo fim ainda está distante de ocorrer, conforme reforçam os próprios números oficiais.
Apesar da expectativa, o secretário de Cultura de Santos, Rafael Leal, opta pelo conservadorismo das ações para evitar problemas e riscos desnecessários.
Hoje, os equipamentos culturais estão fechados, recebendo apenas serviços de manutenção para serem reabertos, possivelmente, em janeiro de 2022.
São os casos dos teatros Guarany, Municipal e Rosinha Mastrângelo, com os devidos AVCBs – Autos de Vistoria do Corpo de Bombeiros.
“Preferimos ser conservadores e só tomar decisões quando o cenário estiver melhor”, disse durante participação no Jornal Enfoque – Manhã de Notícias desta terça (22).
Leal opta pela racionalidade.
Afinal, os números de vacinados – ainda que Santos tenha um percentual acima da média – estão longe do ideal.
A população abaixo dos 60 anos começou a ser vacinada neste mês – nesta quarta (23) começam a ser vacinados em Santos os que têm mais de 42 anos – e como a maioria está tomando a AstraZeneca/Oxford haverá necessidade de tomar a segunda dose apenas em setembro – com índice maior de imunização só após 15 dias, segundo os infectologistas.
Mesmo mês, inclusive, que será a previsão de vacinação dos mais jovens (até 18 anos) – que, por sua vez, só receberão a segunda dose em dezembro, às vésperas do final do ano.
Carnaval?
“Junto com os dirigentes da Liga (das Escolas de Samba) definimos que iremos aguardar até o final de setembro para decidir se teremos ou não desfiles no Carnaval em 2022”, disse o secretário.
O Carnaval ocorrerá entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março do próximo ano.
Em Santos, os desfiles ocorrem uma semana antes, mas existem outras atividades, como o Carnabanda, que iniciam com antecedência.
Na mesma linha de raciocínio estão as comemorações festivas de final de ano (Natal e Réveillon).
“Para estes eventos, nosso limite de decisão é até o final de outubro”, ressalta.
Isso porque para a realização do Réveillon, vários segmentos são envolvidos – como forças armadas (Exército, Marinha), rede hoteleira, entre outros.
“A gente já está trabalhando, mas só vai dar início à realização ou não do evento no final de outubro, que é o nosso deadline”, explica.
Até 2019, Santos tinha o segundo Réveillon do Brasil – ficando apenas atrás do Rio de Janeiro.
A medida que as atividades presenciais da Secretaria de Cultura estão interrompidas, a pasta resolveu apostar no digital, por meio de projetos como o canal Cultura Santos, com 4,4 mil inscritos e 200 mil visualizações, e apoio por meio de leis de incentivo – federal, estadual e municipal – de apoio aos artistas.
“Por meio do Cultura Santos arrecadamos alimentos e garantimos cestas básicas a 450 famílias”, enfatiza.
Biblioteca Municipal
Leal falou também as razões dos cinemas públicos ainda não terem sido reabertos, diferente das salas comerciais. “Nossa proposta é diferente”, diz.
Indagado sobre o destino da Biblioteca Municipal Alberto de Souza, hoje localizada no prédio da Humanitária, no Centro de Santos, o secretário reconheceu que o espaço não atrai o público.
E reconheceu que está em busca de um novo local para que possa haver maior circulação de pessoas.
O prédio do antigo colégio Marza, na Avenida Ana Costa, no Gonzaga, poderá receber a biblioteca, mas o martelo não foi batido.
“A certeza é que a biblioteca precisa estar mais próxima do público. Nosso principal desejo é que o espaço sirva à população”, enfatiza.
Programa completo
Confira o programa completo do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias, que contou também com a participação do climatologista Rodolfo Bonafim.