Foto: Susan Hortas/PMS

Pandemia

26 DE JULHO DE 2021

Pesquisador Adriano Massuda defende o fortalecimento do SUS e na saúde básica

Pesquisador e médico Adriano Massuda teme que os cortes de verbas na saúde ampliem o distanciamento social entre ricos e pobres no Brasil

Por: Fernando De Maria

Médico e professor, Adriano Massuda, defende o fortalecimento do SUS, sob o risco do País aprofundar suas desigualdades sociais. Foto: Reprodução/Boqnews TV

O SUS enfrenta graves problemas com a significativa redução de recursos, antes mesmo da pandemia.

E a tendência é piorar não só agora, mas também no pós-pandemia.

Assim, se nada for feito com urgência, isso irá comprometer o futuro do próprio País.

E pode ser a diferença dos rumos que a nação quer ter: ser um país desenvolvido ou subdesenvolvido.

“O SUS de 2021 está mais fraco que o SUS de 2014/15”, define o médico sanitarista, pesquisador por três anos na Universidade de Harvard e ex-secretário de Saúde de Curitiba (PR), Adriano Massuda.

Ou seja, se o País não investir no seu sistema de saúde vai piorar – ainda mais – o abismo social entre os mais ricos e pobres.

“A alma do sistema de saúde é a solidariedade. Assim, o gestor do Ministério da Saúde deve dar atenção à população mais necessitada”, enfatiza.

O profissional esteve à frente também da Secretaria Nacional de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde e é professor da Fundação Getúlio Vargas.

Ele participou do Jornal Enfoque-Manhã de Notícias desta segunda (26).

Assim, durante sua passagem por Harvard, pesquisadores analisaram os serviços públicos de saúde de vários países, inclusive o Brasil.

“Ainda que existam problemas, o SUS garante acesso a serviços à população mais pobre”, lembra.

O temor é que o atual enfraquecimento do sistema aumentará as desigualdades sociais no tratamento de doenças.

Ou seja, somente as classes mais abastadas para atendimento em hospitais particulares ou quem tem condições de pagar por um plano de saúde terão condições de se tratar de doenças.

SUS

Estudioso no assunto, Massuda diz que o SUS brasileiro é referência para outros modelos internacionais, antes mesmo da pandemia.

Assim, ela atingiu todos os sistemas, inclusive nos países do Primeiro Mundo.

Casos do Reino Unido e do norte da Itália – com picos de mortes no início da pandemia no ano passado.

Já no Brasil, destaque para sua capilaridade, envolvendo 26 estados e o Distrito Federal e, em especial, os 5.570 municípios, algo não comum em outras nações.

O ponto alto desta ação é o fato do País ser dotado de uma atenção primária ampla, via Programa Saúde da Família (PSF).

No entanto, a retirada de recursos da pasta, com o teto de gastos em vigor – que prevê a manutenção das despesas no mesmo patamar por duas décadas – e falta de profissionais preocupam.

Assim, podem colocar tudo a perder.

“A Saúde deveria estar fora da contenção de gastos. Países que fizeram isso tiveram piora no sistema de saúde da população, com queda nos indicadores”, diz.

Para ele, a saúde básica deve ser fortalecida, com investimentos em capacitação de profissionais, além de remuneração digna, entre outros investimentos.

Ele cita como exemplos a tendência do aumento das mortalidades infantil e materna, cujos resultados tendem a piorar após a pandemia.

Sequelas da Covid

Além disso, o crescimento dos casos e sequelas da Covid-19, além da interrupção de tratamento de outras doenças, como os cânceres.

Não bastasse, o SUS abrigará cada vez mais pacientes com doenças até então praticamente erradicadas, como o sarampo.

“A maior parte dos problemas está fora dos hospitais. Priorizar a atenção básica é fundamental”, enfatiza.

Dessa forma, fundamental para o planejamento de medidas preventivas, a não atualização das estatísticas preocupa Massuda.

“Existem prefeituras que não dispõem de profissionais para registro de informações. Isso atrapalha a gestão do sistema”, enfatiza.

Além disso, na entrevista, o profissional também falou de outros assuntos.

Por exemplo, a forma com que os países enfrentaram a pandemia – cujo diferencial foi a ação das autoridades políticas -.

Além disso, riscos de eventual retomada dos cruzeiros marítimos.

Não bastasse: o papel do futuro gestor do Ministério da Saúde dentro do cenário pós-pandêmico.

Confira o programa completo

 

 

 

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