Câncer de cabeça e pescoço está entre os mais comuns no Brasil
Na última segunda-feira (18), o prefeito de Santos Rogério Santos divulgou em suas redes sociais o seu afastamento da prefeitura após ser diagnosticado com um câncer na região cervical em estágio inicial.
Ele fez o procedimento cirúrgico no dia seguinte, com sucesso.
Inicialmente, ele se afastou por um período de uma semana, conforme publicação no Diário Oficial. Sua vice, Audrey Kleys, assumiu.
O caso do prefeito santista, porém, não está na lista entre cânceres raros.
Ao contrário.
Segundo o Ministério da Saúde, quando somados todos os tipos, o câncer de cabeça e pescoço é o terceiro mais incidente no Brasil, com ocorrência maior entre os homens.
Aliás, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), indicam que 80% dos tumores de cabeça e pescoço recebem diagnóstico em estágios avançados.
Dessa forma, isso compromete as chances de tratamento e cura.
Câncer
De acordo com o médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e professor livre docente pela faculdade de Medicina da USP, André Vicente Guimarães, os cânceres de cabeça e pescoço são responsáveis por 5% de todos os cânceres do corpo humano, exceto pele, o mais prevalente.
“Em relação à cabeça e pescoço, a localização mais comum é boca, faringe, cordas vocais e tireoide”, explica.
“Os sinais e sintomas dos cânceres da boca e da garganta, também conhecida como faringe, pode ser assintomáticos no início ou apresentar como se fosse uma afta geralmente indolor no início, com crescimento lento, podendo apresentar sangramento espontâneo, dor de ouvido reflexa e nódulo cervical indolor”, acrescenta.
Diagnóstico
Ele ressalta que o diagnóstico em estágio inicial é pouco frequente, porque esse tipo de queixa se assemelha com aftas e doença periodontal.
Segundo o médico, quando o tumor se inicia na caixa da voz (conhecida por laringe onde se encontram as cordas vocais), os sintomas iniciais costumam ser uma rouquidão persistente por semanas ou até meses.
E a partir do momento que o tumor cresce, começa a ocorrer falta de ar e dificuldade para engolir, além de surgimento do caroço no pescoço.
Fatores de risco
Sobre os principais fatores de risco para câncer de cabeça e pescoço, ele aborda que são os agentes promotores como o tabagismo, etilismo, trauma de prótese dentária, má higiene oral.
Além da contaminação pelo vírus HPV (transmitido por relações íntimas que pode ter ocorrido décadas antes do surgimento do tumor).
Além disso, é importante saber como o diagnóstico precoce impacta as chances de cura e a qualidade de vida do paciente.
Guimarães menciona que qualquer câncer quando diagnosticado em seu estágio inicial tem melhor probabilidade de cura.
E, geralmente, com tratamento menos agressivo, acarreta uma melhor qualidade de vida do paciente.
Em relação ao câncer de boca, faringe e laringe, os diagnósticos em estágio inicial proporcionam a cura entre 80 e 90%.
Tratamento
Com relação aos tratamentos mais utilizados para tumores na região cervical e como a medicina evoluiu nessa área nos últimos anos, o médico informa que o tratamento do câncer da boca (sendo a língua e soalho de boca os lugares mais acometidos), a cirurgia é o tratamento de primeira escolha.
Dependendo da extensão da doença, pode haver necessidade do tratamento complementar com radioterapia.
“O paciente que tem um câncer decorrente do vírus HPV, dependendo da extensão da doença, pode ser tratado por cirurgia ou radioterapia associado à quimioterapia com resultados muito bons”, explica.
“Eu lembro que esses pacientes que têm câncer decorrente do HPV costumam ser mais jovens daqueles que tiveram câncer por cigarro e bebida alcoólica e se não são fumantes, o prognóstico é melhor”, complementa.
Dessa forma, o especialista reforça que o tratamento cirúrgico dos tumores melhorou muito com uso de cirurgia com uso da tecnologia (robôs).
Assim, além do uso de câmeras capazes de mapear o tumor durante a cirurgia com contraste específico.
Atualmente, também há drogas com diferentes medicamentos quimioterápicos, que atuam em alvos moleculares dos tumores.
Portanto, sendo mais específicas no tratamento e evoluindo anualmente de forma até ocorrência de menos efeitos colaterais.
Orientação
Dessa maneira, o médico também informa sobre as orientações para a população sobre prevenção, sinais de alerta e a importância do acompanhamento médico.
“A orientação é simples: hábitos de vida saudável, atividade física, dieta, redução de carboidratos e gorduras”, diz.
“Não fumar, embora não haja um nível adequado para o consumo de álcool, é importante minimizar o consumo”, destaca.
“Já se sabe que os tumores HPV podem ser prevenidos com a vacinação na infância. Essa vacina é amplamente fornecida no Sistema Único de Saúde e em clínicas privadas.”
Ele acrescenta que o medo de ter um câncer pode fazer com que a pessoa seja negativista a ponto de que qualquer sinal ou sintoma ela não valorize e não procure o médico ou faça exames em excesso sem uma indicação baseada na estratificação de risco, no histórico familiar e no histórico pessoal.
Além disso, muitas informações distorcidas acabam ganhando as redes sociais.
Portanto, a melhor forma é ver e procurar informações em sites oficiais e dentro da sociedades médicas de cada especialidade.
“Por fim, a vida é bela e precisamos tirar o melhor proveito, fazendo nosso exame de rotina, pois a longevidade que bate à nossa porta vale muito a pena quando cuidamos da nossa saúde desde o início”, finaliza.
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