Casa da Esperança de Santos faz alerta sobre risco da volta da poliomielite | Boqnews
Crianças com poliomielite. Foto: Divulgação

Vacinação

20 DE OUTUBRO DE 2022

Casa da Esperança de Santos faz alerta sobre risco da volta da poliomielite

Com a baixa cobertura vacinal contra a poliomielite, é concreta a possibilidade do Brasil voltar a registrar casos da doença. Vacinação é baixa

Por: Da Redação

array(1) {
  ["tipo"]=>
  int(27)
}

Apenas 4 em cada 10 crianças de Santos entre um a cinco anos de idade foram vacinadas contra a poliomielite com dados até o final do mês passado.

Dessa forma, dentro do público-alvo de 16.982 crianças aptas à vacinação em Santos, apenas 7.095 receberam o reforço – uma cobertura de 41,7%.

Em razão disso, a campanha de vacinação prossegue até 31 de outubro para tentar alcançar ou superar os 95% de cobertura vacinal.

Com este índice, pode-se considerar a população protegida pela doença.

Por sua vez, em razão do baixo índice vacinal, há o risco do vírus voltar a circular e dessa forma cenas do passado voltarem a se repetir.

Além disso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já fez o alerta.

Dessa forma, um caso suspeito já teria surgido no Norte do País.

Segundo a neurologista Infantil da Casa de Esperança de Santos, Maria Lúcia Leal, a baixa cobertura vacinal aumenta as chances do retorno do vírus.

“A poliomielite pode em alguns casos ser silenciosa, agravando a situação da transmissão pois, mesmo sem sintomas o poliovírus presente na saliva e nas fezes é eliminado contaminando a água e alimentos”, acrescenta.

“Infelizmente quando o vírus se localiza na medula, ocorrem paralisias irreversíveis com limitações motoras dificultando a locomoção. O vírus localizado na garganta ou nos intestinos atinge o sangue e o sistema nervoso. Alguns casos podem evoluir com prejuízo do controle dos músculos da deglutição e respiração ocasionando o óbito”, define.

Campanha mundial

Por sua vez, no dia 24 de outubro há uma campanha mundial de conscientização do combate à poliomielite.

Assim, a data foi instituída pelo Rotary International para homenagear Jonas Salk, líder da primeira equipe que desenvolveu uma vacina contra a poliomielite.

Com experiência há décadas no atendimento às crianças e seus familiares A CES vem estimulando, por meio de orientação, às famílias a completarem o esquema vacinal de seus filhos e explicando a importância deste ato para o futuro e qualidade de vida dessas crianças.

Cena comum no passado, onde crianças ficaram com sequelas em razão do vírus. Foto: Divulgação

O que é a Poliomielite

Por sua vez, a poliomielite é uma doença infectocontagiosa aguda causada pelo poliovírus selvagem.

Como reflexo, ela pode provocar desde sintomas como os de um resfriado comum a problemas graves no sistema nervoso.

Por exemplo: como paralisia irreversível, principalmente em crianças com menos de cinco anos de idade.

Por sua vez, no Brasil, existem duas vacinas para imunização: a inativada e a atenuada.

Assim, a inativada é aplicada em bebês de 2 a 6 meses de idade.

Por sua vez, a vacina atenuada é utilizada como reforço da proteção contra a doença, ela é administrada em gotas por via oral dos 15 aos 18 meses e, mais uma vez, dos 4 aos 5 anos de idade.

Poliomielite em Santos

Entre janeiro de julho de 1937, houve um surto de poliomielite na cidade.

Dessa forma,  a paralisia infantil passou a ser uma preocupação na comunidade santista, pois o número de crianças com deficiências motoras aumentava, em especial em famílias carentes.

A luta da comunidade santista perdurou durante décadas a ponto de uma comissão do Rotary Club de Santos buscar recursos para construir um hospital especializado em atendimento a crianças com deficiências, o Hospital Casa da Esperança.

Assim, a inauguração ocorreu oficialmente em 24 de julho de 1957.

Assim, em 1965, o hospital já contava com 5.102 crianças matriculadas.

Por sua vez, o atendimento gratuito destinava-se para famílias com dificuldades financeiras.

Na época, apenas 1.160 famílias pagavam pelo atendimento, como, quando e com o que desejavam e lhes era possível.

Dessa forma, o hospital atendia diariamente cerca de 150 crianças, contava com 12 leitos em seu centro cirúrgico.

Já em seu ambulatório contava com consultórios médicos, salas de fisioterapia, sala de raio-x, hidroterapia.

Além disso, um parque de cinesioterapia onde as crianças realizavam exercícios ao ar livre de forma lúdica.

O médico Albert Sabin, responsável pela descoberta da ‘gotinha’ contra o vírus, esteve em Santos há exatos 40 anos, completados no dia 7 de novembro. Foto: Divulgação Casa da Esperança.

Albert Bruce Sabin em Santos

Em 7 de novembro de 1982, o médico Albert Bruce Sabin chegava pela primeira vez a Santos para participar do  I Simpósio Santista de Deficiente Físico, a convite do Rotary Club de Santos e da Casa da Esperança de Santos, que comemorava seu Jubileu de Prata.

Assim, o cientista responsável pela descoberta da vacina oral contra a poliomielite ocupou lugar de honra na mesa de trabalhos do simpósio.

Na ocasião, ele declarou a luta contra o vírus.

“O Brasil mostrou ao resto do mundo como a poliomielite pode ser eliminada num país de clima tropical, imenso, com muitas áreas remotas. A campanha de vacinação antipólio brasileira foi um dos feitos mais surpreendentes que já testemunhei em minha vida, no campo da saúde pública. Infelizmente, nenhum documento foi escrito, até agora, para registrar o que aconteceu aqui; o mundo não lê relatórios internos, e outros países, em condições semelhantes, precisam saber da experiência brasileira”.

Casa da Esperança de Santos (CES)

Hoje, a CES, com 65 anos de prestação de serviço à comunidade da Baixada Santista, é um Centro de Reabilitação Infantil.

Dessa forma, atende crianças com deficiência motora e deficiência intelectual, com limitação motora, além de atendimento precoce a recém-nascidos de risco.

Assim, a instituição oferece tratamento médico e terapêutico de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional.

E ainda: ortopedia, neurologia, nutrição e odontologia.

Além disso, atende pacientes com diversas deficiências, em sua maioria, pacientes com Paralisia Cerebral, Síndrome de Down, Mielomeningocele e Paralisia Plexo Braquial.

Notícias relacionadas

ENFOQUE JORNAL E EDITORA © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

desenvolvido por:
Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.