Sem abusos

Dicas para não passar mal e deixar de aproveitar o Réveillon

O médico Nelson Marfil relata uma série de cuidados para as pessoas não entrarem o novo ano com problemas de saúde em razão de abusos, comuns no Réveillon.

29 de dezembro de 2017 - 13:55

Da Redação

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Durante as festas de final de ano, as pessoas costuram abusar um pouco mais da comida.
Se o Natal tem um caráter mais familiar, o Ano Novo é uma celebração com outra característica, quando os excessos, tanto na comida quanto na bebida, são ainda mais evidentes.

Médico orienta sobre riscos de abusos na virada do ano

O médico Nelson Marfil, especialista em Endoscopia e em Qualidade de Vida, e proprietário da clínica Endocentro, fala na entrevista a seguir sobre os cuidados ter uma virada de ano com sabor de novidade. E não de ressaca.
1 – Do ponto de vista médico, esta época do ano preocupa mais pelos abusos à mesa? 
Nelson Marfil – Sem dúvida. As pessoas costumam abusar nas festas de final de ano e terminando este período bate aquele arrependimento e a busca por tratamentos milagrosos, muito fáceis de ser encontrados na Internet.
Outro fato interessante é que vivemos em um país tropical, porém herdamos do hemisfério norte pratos consumidos nas festas que são típicos de inverno, altamente calóricos.
2 – Que tipo de comportamento a pessoa precisa ter para aproveitar sem comprometer a saúde? 
NM – O ideal seria procurar manter o consumo alimentar ou um pouco acima da sua média de ingestão.
Dar preferência ao consumo de frutas, frutos do mar e castanhas.
Mas vale lembrar que as castanhas são extremamente calóricas.
A ingestão de água também é essencial, principalmente no caso de pessoas que bebem álcool.
Uma boa regra seria tomar um copo de água após cada copo de bebida alcoólica, pois, deste modo, além de hidratar-se o consumo do álcool acabará sendo menor.
3 – Existe algum tipo de alimento que chama mais a atenção pelos problemas que pode causar?
NM – Sim. Além dos carboidratos de má qualidade, como salgadinhos em geral, podemos citar as frituras, refrigerantes e alguns assados quando bem passados.
As carnes em geral quando assadas em excesso geram anti-nutrientes que chamamos de produtos de glicação avançada, decorrentes da desnaturação das proteínas pelo calor, que são altamente lesivos à saúde.
Para ser mais claro, estou falando da famosa carne bem passada e da casquinha crocante do frango.
4 – Outra dúvida recorrente é quanto à qualidade dos alimentos. O que deve se evitar quando se come em restaurantes, por exemplo?
NM – Mais um problema de saúde pública. Alguns dizem que jamais comeríamos em restaurantes se conhecessemos suas cozinhas.
Exageros à parte, muitos maus profissionais da alimentação deixam de lado a higiene e a qualidade dos alimentos que são fornecidos aos seus clientes, principalmente nos restaurantes de baixo custo, tipo sirva-se à vontade.
Além disso a exposição de alimentos em peças com refrigeração inadequada ou expostos a contaminação pelos próprios clientes ao se servir tornam a refeição uma verdadeira roleta russa.
Quem não conhece amigos que tiveram uma intoxicação alimentar após frequentar restaurantes?
5 – E em casa? Qual o cardápio mais indicado?
NM – Os melhores alimentos são aqueles que alcalinizam o nosso corpo, os ricos em anti-oxidantes e de origem orgânica.
Podemos citar as frutas, em especial as vermelhas, os legumes e verduras de cor verde escura, chás naturais da própria erva.
E alguns alimentos de origem animal de procedência conhecida e certificada.
Tratam-se de alimentos um pouco mais caros, porém este é, na verdade, um autêntico investimento em nossa saúde.
Procurar evitar, de modo geral, as bebidas gaseificadas, as carnes bem passadas, leite e derivados, além do excesso de glúten.
6 – Quem está em fazendo algum tipo de tratamento ou em recuperação de cirurgia pode comer de tudo?
NM Tais pacientes deveriam ingerir maiores quantidades de água, consumir frutas vermelhas ricas em polifenóis e anti-oxidantes e frutas ricas em vitamina C como o limão e a acerola, por exemplo, pois a vitamina C presente em especial nessas frutas, além de outras, é um excelente cicatrizante.
É recomendando também reduzir o consumo de carboidratos e aumentar a ingestão de proteínas.
Eles possuem os nutrientes responsáveis pela nossa regeneração e construção celular.

 

Abuso do álcool traz consequências passageiras, mas também pode prejudicar o organismo. Foto: Pixabay/Divulgação

E a bebida?

7 – Nas festas também existe o abuso do álcool. Combinado com o cardápio próprio deste período do ano, quais são as principais preocupações?
NM –  O álcool fornece em média 7 calorias por grama, enquanto proteínas e carboidratos fornecem em média 4 calorias.
Sem dizer que as bebidas alcoólicas sempre tem carboidratos na sua composição, o que eleva ainda mais o seu numero de calorias e o potencial para engordar.
Entre uma série de outros graves malefícios à saúde, o álcool é tóxico para o nosso fígado.
É um dos maiores responsáveis pela gordura no fígado ou esteatose hepática, que pode evoluir para a cirrose hepática.
Estudos dizem que, apesar de tudo, uma dose de álcool por dia, especialmente de vinho tinto seco, pode estar relacionada a benefícios para a saúde.
Porém, vejo este hábito com alguma reserva, pois a sensibilidade à bebida é bastante individual.
8 – O senhor teria algum exemplo de um caso que tenha ficado na memória justamente pelo abuso nas festas de final de ano? 
NM – Muitos casos, especialmente porque sou endoscopista.
O início do ano, após as férias de verão, traz uma verdadeira legião de pacientes com gastrites, úlceras e a doença do refluxo gastro-esofágico, causadas ou agudizadas pelos abusos de álcool e alimentos.