Pesquisa

Estudos mostram que 64% de pacientes pós-Covid mantêm sintomas após 6 meses

Profissionais comentaram também os efeitos das vacinas e os mitos existentes em relação a algumas delas.

12 de fevereiro de 2021 - 14:13

Da Redação

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A fisioterapeuta e doutora Lívia Pimenta Bonifácio e o médico reumatologista Eduardo Yabuta falaram de pesquisas realizadas com pacientes da Covid-19 e também sobre a importância das vacinas durante participação no Jornal Enfoque desta sexta (12). Foto: Reprodução

 

Resultados de uma pesquisa com pacientes recuperados de covid-19, acompanhados pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, revelam que 64% têm algum sintoma persistente seis meses depois do início dos sintomas.

Os resultados, ainda preliminares, mostram também que os sintomas independem se o paciente foi ou não internado, seja em ambulatório ou UTI.

“Pacientes que têm fatores prévios de risco, como diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos, têm uma recuperação mais lenta”, explica a fisioterapeuta Lívia Pimenta Bonifácio, que desenvolveu o projeto em seu pós-doutorado na FMRP.

“Mesmo quem não tinha morbidades também pode ter sintomas persistentes por até seis meses após ter contraído a doença, período que temos acompanhado”, acrescenta a profissional.

Ela participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias, onde explicou detalhes sobre a pesquisa, cujos dados ainda estão sendo coletados, impedindo um resultado definitivo.

“Não é possível saber, até agora, se estes sintomas irão desaparecer ou se permanecerão nos pacientes. Os estudos são muito recentes”, salienta.

A pesquisadora reforça que já foram identificados casos de pacientes que nunca tomaram medicamentos para pressão, hipertensão e diabetes, mas que passarem a ser medicados após ter contraído a doença.

“Não é possível saber quanto tempo os sintomas irão perdurar ou se serão permanentes”, salientou.

 

Recovida

O projeto, denominado Recovida, nasceu logo no início da pandemia no Brasil, em abril do ano passado.

Ele foi aceito pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e os levantamentos foram iniciados em maio, com uma amostra de 177 pacientes – a meta é chegar aos 200.

O objetivo do estudo é acompanhar pacientes sobreviventes da Covid-19 nas formas leves ou mais graves da doença e observar sua sobrevida, incluindo a ocorrência ou não de possíveis repercussões físicas, psicológicas ou sociais relacionadas à Covid-19 e ao seu tratamento.

Confira reportagem  na íntegra no Jornal da USP neste link

 

Vacinas

O médico infectologista Eduardo Yabuta, integrante do comitê de contingenciamento no combate à Covid-19 em Praia Grande, enfatizou, durante o programa, a importância das vacinas.

“Não há ideologia nas vacinas. Precisamos acabar com isso”, salientou o profissional.

Ele destacou que as vacinas têm o objetivo de garantir aos pacientes o menor risco de internação e a garantia que a Covid-19 não levará as pessoas ao óbito.

Citou o caso da Coronavac, criticada por ser proveniente da China, por parcela da população.

“Quem a toma tem 50% de chances de não pegar a Covid e 100% da pessoa não morrer pela doença”, salientou.

Além disso, o médico ressalta que alguns medicamentos – tão propagados – não têm eficácia científica e podem comprometer ainda mais a saúde do paciente.

São os casos da ivermectina, cloroquina e hidroxicloroquina.

“Estamos diante da maior tragédia da história recente da Medicina”, disse, salientando que mesmo com a vacinação, as pessoas devem manter os cuidados, como evitar aglomerações e usar máscaras, por exemplo.

 

Praia Grande

Yabuta também destacou a experiência adotada por Praia Grande no combate à doença desde o início, com ênfase na abordagem precoce.

“A abordagem precoce não tem relação com o tratamento precoce, com a aplicação de medicamentos sem qualquer comprovação científica, “, enfatizou.

“A estratégia é evitar que o paciente chegue à UTI, onde os índices de óbitos são alarmantes (2 em cada 3 pacientes entubados morrem)”, salientou.

Assim, aos primeiros sintomas o paciente deve ser tratado ou encaminhado à internação.

O médico também salientou que o fato da cidade ter uma forte rede de Saúde da Família facilitou a logística para obter resultados mais favoráveis.

O resultado é que a proporção de mortes pela Covid-19 é menor que a média do estado – ao contrário das cidades vizinhas como Santos (terceira no ranking entre as 95 maiores cidades brasileiras – atrás apenas do Rio de Janeiro e Manaus, com 244,4 mortes/100 mil habitantes), São Vicente (163,5 mortes/100 mil)  e Guarujá (175,7 mortes/100 mil).

 

 

 

 

No Brasil, a proporção é de 110 mortes/100 mil habitantes.

E 120,7/100 mil no Estado de São Paulo.

Praia Grande, por sua vez, chega a 105,5 por 100 mil habitantes.

Os dados, aliás, são obtidos por meio de levantamento realizado pela equipe do comitê de contingenciamento da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, coordenado pelo médico Carlos Eid.

 

Brasil

Nesta quinta (11), o Brasil registrou 1.452 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas.

Foi a maior marca desde 29 de julho do ano passado, totalizando 236.397 vítimas da doença no Brasil.

O total de mortes pela doença equivale à população de uma cidade como Jacareí, sendo a 37ª maior do Estado.

 

Jornal Enfoque – Manhã de Notícias

Confira a entrevista completa concedida pelos dois profissionais ao jornalista Francisco La Scala nesta sexta (12).

 

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