Saúde

Especialistas orientam sobre os riscos do vírus Zika

Além de causar microcefalia, já está registrado que o Zika pode desencadear a Síndrome de Guillain-Barré

04 de dezembro de 2015 - 09:32

Aline Leal

Agência Brasil

Compartilhe

Vírus conhecido pela medicina desde o fim dos anos 40, o Zika passou a ser assunto nos lares brasileiros depois que foi confirmado que filhos de gestantes infectadas podem nascer com microcefalia, uma malformação irreversível. Segundo a infectologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Eliana Bicudo, já foi relatado na literatura médica que o Zika pode ser transmitido pelo leite materno e pelo esperma.

A transmissão mais conhecida deste vírus, que começou a circular fortemente no Brasil este ano, é pelo mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue e da febre chikungunya. Até o começo de novembro, 18 estados tinham registrado transmissão interna de Zika, onde mais de 17 mil casos foram notificados.

Além de causar microcefalia, já está registrado na literatura médica que o Zika também pode desencadear a síndrome de Síndrome de Guillain-Barré, que é uma reação autoimune do organismo, geralmente relacionada a infecção por alguns vírus ou bactéria.

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas febre, olhos vermelhos, manchas vermelhas com coceira, dores no corpo acometem apenas cerca 20% dos infectados, os outros não percebem que foram contaminados com o vírus. “Aí é que está o perigo, você pode estar com uma doença silenciosa,que trás um risco alto para grávidas e pode transmití-la”, pontuou a especialista.

Para quem tem o quadro típico, o tratamento está baseado nos sintomas, com uso de paracetamol ou dipirona, assim como acontece com a dengue e com febre chikungunya. Normalmente, depois de no máximo sete dias o paciente está totalmente recuperado.

Segundo Eliana, uma grande dificuldade para saber se a microcefalia é em decorrência do vírus Zika é que o vírus só circula no sangue por cerca de cinco a sete dias. “O médico pergunta e a mãe muitas vezes não lembra se teve o quadro, nem sabe se teve”.

O que as pesquisas apontam é que quem teve Zika fica imune ao vírus, porém, não há exames que detectem quem está imune. Segundo a infectologista, agora os pesquisadores buscam se houve uma mutação no vírus, já que efeitos como a microcefalia nunca foram relatados em quase 70 anos de conhecimento do organismo.

O exame para a confirmação da infecção por Zika ainda não chegou à rede privada de laboratórios e, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Nardi, a pasta está buscando formas de baratear o kit de diagnóstico. Por enquanto, segundo Eliana Bicudo, o resultado demora cerca de dois meses.

 

LEIA TAMBÉM: