Oftalmologia

Foto de celular pode prevenir cegueira infantil

Especialista ensina como tirar uma foto dos olhos do bebê para identificar as principais causas de perda da visão na infância

11 de abril de 2019 - 09:03

Da Redação

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A campanha “abril marrom” de combate à cegueira que este mês movimenta toda a comunidade oftalmológica do País esbarra em um grande obstáculo: o “teste do reflexo vermelho”  popularmente conhecido como “teste do olhinho”.

Ele só é obrigatório no Distrito Federal e em 16 dos 26 Estados brasileiros.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, o exame deve ser feito logo após o parto para checar a presença de catarata, glaucoma, retinoblastoma (tumor no olho) ou a retinopatia da prematuridade em bebês prematuros.

“Todas estas doenças são congênitas, ou seja, se manifestam desde o nascimento e respondem por 70% dos casos de perda da visão na infância” afirma.

Por isso , o teste do olhinho é uma importante ferramenta de prevenção da cegueira infantil.

O exame consiste em direcionar para a menina do olho do bebê um oftalmoscópio, equipamento semelhante a uma lanterna com lente refletora.

Quando o reflexo é vermelho e contínuo indica que todas as estruturas oculares estão íntegras.

“Se o reflexo for esbranquiçado ou descontínuo sinaliza que a criança deve ser encaminhada a um oftalmologista para que possa receber o tratamento correto”, ressalta.

Queiroz Neto afirma que o teste do olhinho tem baixo custo. Entretanto, os diversos projetos de lei com a proposta de estender a obrigatoriedade do exame a todo o território nacional vêm encontrando dificuldade de aprovação no congresso nacional.

Este foi o caso do projeto de lei 4090/2015. Em 28 de março deste ano, foi devolvido sem manifestação pelo relator da CFT (Comissão de Finanças e Tributação) na Câmara dos deputados.

Como fotografar o bebê

A boa notícia é que famílias sem plano de saúde ou que moram em estados onde o exame não é obrigatório, os pais podem fotografar do olho do recém-nascido com o celular.

E, posteriormente, encaminhar a um especialista do serviço oftalmológico mais próximo credenciados ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Queiroz Neto explica que enquanto a mãe segura a cabeça do bebê e abre as pálpebras de um olho, depois do outro, a foto pode ser tirada com flash em um quarto escurecido, posicionando o celular a uma distância de 30 centímetros do olho.

Se o reflexo da foto não for avermelhado ou apresentar algum desvio a criança deve ser levada o quanto antes para consulta oftalmológica.

Catarata

O oftalmologista afirma que a maior causa de perda da visão na infância é a catarata. A doença consiste na opacificação do cristalino. Dessa forma, precisa ser operada nos primeiros meses de vida. Principalmente quando atinge os dois olhos simultaneamente.

Algumas crianças só são diagnosticas mais tarde e via de regra vão passar a vida toda sem enxergar.

Este não foi o caso de Eduardo Rodrigues. A mãe, Ana Rodrigues, conta que o marido percebeu o olho de Eduardo esbranquiçado quando ele já tinha 3 anos.

Ela lembra que na consulta Queiroz Neto disse aos pais que é raro recuperar a visão.

A cirurgia seria  uma “caixinha de surpresa” porque a catarata estava bastante madura e dificulta checar outras alterações no olho.

Felizmente, quando foi retirado o curativo da cirurgia e o oftalmologista pediu a Eduardo para descrever um desenho na parede ele disse: “ É um menino de boné”.

“Todos nós batemos palma, comemorando. Nunca vou me esquecer deste dia”,  conta Ana.

Queiroz Neto afirma que nem sempre a catarata congênita afeta os dois olhos.

“Já fiz várias cirurgias em crianças que tiveram apenas um olho afetado. A doença, geralmente está relacionada a doenças infecciosas como toxoplasmose, rubéola ou outras contraídas pela mãe na gestação. O importante é nunca desistir de cuidar da visão. A primeira consulta na infância deve ser feita aos 3 anos quando os pais não usam óculos e aos 2 anos quando usam”, ressalta.

Glaucoma infantil

O glaucoma na infância tem as mesmas características da doença entre adultos. Ele consiste no aumento da pressão interna do olho e lesões no nervo óptico.

Sendo assim, oftalmologista afirma que a maior diferença é a necessidade de operar praticamente todos os casos na infância.

Além disso, as causas podem ser hereditariedade e também infecções durante a gravidez.

Retinopatia da prematuridade

A doença está em ascensão na infância por causa das gestações precoces entre adolescentes.

Segundo o oftalmologista, atinge 30% dos bebês prematuros.

Ela é caracterizada pelo crescimento de vasos na retina que podem provocar seu deslocamento. Além disso, é mais prevalente entre os nascidos com menos 1.500 gramas ou antes da 32ª. semana de gestação.

O tratamento é feito com aplicação de laser de argônio ou diodo que coagula os vasos sob anistia local.

As principais recomendações de Queiroz Neto durante a gestação para evitar as doenças congênitas no bebê são: lavar bem verduras, frutas e legumes, bem como manter as mãos limpas.

Além disso, é importante conferir a carteira de vacinas, especialmente se tomou a segunda dose da vacina de rubéola antes de engravidar e evitar as aglomerações.