Hábito prejudicial | Boqnews
4 de setembro de 2009

Hábito prejudicial

Não existe algo mais angustiante para uma mãe, principalmente as de primeira viagem, do que ver seu bebê chorar.
Descobrir o motivo e acertar o diagnóstico é um desafio. Por isso há sempre uma aliada que, aparentemente, funciona como um remédio mágico nesse momento: a chupeta.  Ao contrário do que acredita-se –  que a chupeta pode acalmar e fazer com que a criança para o choro – , o artifício pode prejudicar, em vários aspectos, o desenvolvimento bucal e também comportamental do bebê.  “O bebê não precisa de chupeta”, afirma a pediatra, Lais Graci S. Bueno. “Na verdade, ela é uma tentativa da mãe para acalmar a criança”, complementa.

Segundo a pediatra, para a maioria das mães é difícil identificar, no início, o motivo pela qual a criança chora e a chupeta, numa falsa ideia, ajuda a acalmar o bebê. “É preciso ter paciência para interpretar o choro do bebê. A chupeta entra como uma alternativa quando a mãe ou família não aguentam ver a criança chorar”, afirma.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, o uso da chupeta caiu 15% nos últimos nove anos.  O levantamento mostrou que, entre 1999 e 2008, houve uma redução expressiva do uso de chupeta em crianças menores de 12 meses. Em 1999, 57,7% dos bebês usavam chupeta no país. No ano passado, esse percentual caiu para 42.6%. O estudo levou em consideração todas as capitais e somou informações de aproximadamente 118 mil crianças.

O Ministério da Saúde não recomenda o uso de chupeta e de mamadeira. Existe uma associação entre o uso desses artifícios e a duração do aleitamento materno. A Região Norte, por exemplo, onde mais se amamenta no Brasil, apresenta menos prevalência do uso de chupeta e mamadeira.

A queda do uso de bicos artificiais em menores de 12 meses, segundo a pediatra, deve-se ao aumento de informação . “As mães estão mais esclarecidas sobre essas questões. Elas estão mais preparadas para a maternidade. Tenho muitos exemplos de mães que não deram chupeta a seus bebês e não têm chupeta e nem mamadeira em casa”, comenta.

Malefícios
Além de fonte de contaminação e doença, a chupeta pode causar uma série de problemas ao bebê.“Graças ao reflexo de sucção, que nessa fase é mais intenso, ele acaba aceitando e distraindo-se com o uso desse artifício.  A pediatra argumenta que, segundo estudos, crianças que não fizeram o uso da chupeta  são mais ativas porque, como não tinham algo na boca para se distrair, fixavam a atenção em outros aspetos.  “A grande maioria dos bebês, cospem a chupeta quando a recebem pela primeira vez. Porque, de fato, eles não precisam. Mas, com o tempo acabam aceitando”, comenta.

Outra grave consequência que o uso da chupeta pode causar é a elevação do palato, já que a chupeta faz pressão nessa região. “Essa pressão atinge diretamente as fossas nasais e com isso, a criança começa a respirar pela boca, o que pode gerar uma série de complicações”, explica.

 Problemas ortodônticos são outras consequências graves para as crianças que utilizam a chupeta.  Complicações na deglutição, na mordida e até na fala são algumas delas.  “Na hora que a chupeta é colocada na boca, a língua fica rebaixada e retraída e ela empurra a chupeta para o céu da boca”, explica a ortodontista, especialista em ortopedia funcional dos maxilares, Érica W. Bauer. 

A ortodontista comenta que, com a sucção contínua, o palato afunda mais e a arcada fica triangular. “Na hora da sucção, os músculos da bochecha são os mais usados e os lábios ficam entre abertos. Os músculos da frente não funcionam e os dos lado funcionam o dobro”, aponta.

Segundo Érica não são todas as crianças que desenvolvem problemas sérios mas, ela garante que todas as crianças que usam chupeta desenvolvem alguma deformidade na maxila. “Quando a criança tem um crescimento bom, essa mordida se auto corrige. Caso contrário, ela precisa usar o aparelho ortodôntico”, diz.

Nos casos de família que acostumaram a criança com a chupeta, a indicação é que ela seja retirada com, no máximo,  dois anos de idade. “Essa situação exigirá disciplina da família. Se a explicação for clara e firme, a criança com certeza entenderá o que está acontecendo”, garante a pediatra Laís Graci.

Mamadeira
Assim como a chupeta, o uso da mamadeira, que também é um bico artificial e é ainda mais comum, influencia diretamente no aleitamento materno. “Receber o leite do peito e da mamadeira são coisas completamente diferentes para o bebê. Os movimentos com a boca, língua e a sucção que ele precisa fazer são distintos. Para o peito, ele precisa abrir mais a boca, ajeitá-la e sugar mais. Na mamadeira, além de não precisar abrir a boca, ele suga bem menos”, explica a pediatra.

Justamente por causa dessa diferenciação, Laís comenta sobre estudos comprovando que o uso da mamadeira encurta o tempo de amamentação. “14 dias de mamadeira são suficientes para a criança largar o peito”, afirma.

No período em que a criança pode receber outros líquidos, como água por exemplo, a pediatra comenta que o ideal é que seja servido em copos pequenos, evitando o uso da mamadeira. “A criança começa com um copo bem pequeno, com a observação dos pais e muito rapidamente ela já saberá como manuseá-lo”, comenta.

Ela indica que a mamadeira  seja usada apenas quando, por algum motivo, a mãe não pode amamentar.  “Não existe bico de mamadeira igual ao peito. Não há material no mercado, por melhor que seja, que se compare com a elasticidade da mama. Mesmo que o furo da mamadeira seja pequeno e o bebê tenha que sugar mais. É bem diferente”, finaliza.

Da Redação
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