Indicadores baixos de vacinação colocam em risco a volta de doenças infantis | Boqnews
Diretora clínica e neurologista infantil da Casa da Esperança de Santos, Maria Lúcia Leal dos Santos. Foto: Reprodução/Jornal Enfoque

Preocupação

07 DE NOVEMBRO DE 2022

Indicadores baixos de vacinação colocam em risco a volta de doenças infantis

Diretora clínica da Casa da Esperança, a médica neurologista infantil Maria Lúcia Leal dos Santos se mostra preocupada com os baixos índices de vacinação.

Por: Fernando De Maria

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A meta para vacinação de crianças contra a pólio é de 95%, assim como o combate a outras doenças.

No entanto, os números atuais estão abaixo do ideal, colocando em risco a volta da doença no Brasil.

No País, até o final de setembro, era pouco mais da metade das crianças vacinadas.

Em Santos, a campanha da pólio (1 ano a menores de 5 anos) atingiu apenas 45% de crianças  (7.658 doses até o último dia 4).

E 72,77% para menores de 1 ano.

Outras vacinas também têm indicadores abaixo do ideal.

Contra a meningite (ACWY – 13 a 14 anos), o índice chega a 36,96%.

Já a Meningo C (menores de 1 ano) atinge 69,7% e a Meningo C reforço (12 a 24 meses) – 72,22%.

Já a BCG (tuberculose) com recém-nascidos, o percentual chega a 89,42%.

Diante dos baixos índices até o momento na maioria das doenças, há um risco real de doenças infantis retornarem com força ao País, como destaca a diretora clínica e neurologista infantil da Casa da Esperança de Santos, Maria Lúcia Leal dos Santos.

Ela participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de sexta (4).

Ações

Para ela, alguns fatores contribuem para a queda no número de crianças vacinadas, como a ausência de campanhas, a necessidade de ampliação dos horários de aplicação das vacinas, inclusive aos sábados, nas unidades de saúde, e a volta da vacinação em escolas.

Ela reconhece, porém, que alguns pais se mostram contrários aos medicamentos

“O negacionismo preocupa”, salienta a profissional, mestre em Ciências da Saúde e também professora do curso de Medicina da Unilus.

“As vacinas são aprovadas pela Anvisa e OMS – Organização Mundial de Saúde”, acrescenta.

Além disso, a médica enfatizou que a procura pelo pré-natal cresceu.

Por isso, também avançou o número de mães que usam e abusam de drogas ilícitas e lícitas, como o álcool.

“Os usos de cocaína e crack facilitam o parto prematuro. É muito grave”, destaca.

Aliás, como resultado, o risco de sequelas ao feto cresce.

Adultos também

Maria Lúcia salienta que mesmo adultos e adolescentes não vacinados contra a meningite podem ser infectados por uma criança não vacinada.

“Eles não estão livres de adquirir  a doença”, salienta.

A saliva e as fezes são meios de transmissão, a despeito das crianças serem mais propensas à doença.

Além disso, apenas uma dose não significa que a criança está imune.

“Deve ter a complementação”, acrescenta.

Atualmente, a aplicação ocorre de forma intramuscular aos 2, 4 e 6 meses – e depois aplica-se a famosa gotinha, desenvolvida pelo cientista Alberto Sabin.

Aliás, há exatos 40 anos (7 de novembro de 1982), Sabin esteve em Santos participando de seminário promovido pela Casa da Esperança.

A entidade foi criada em 1957, pelo médico Samuel Leão de Moura, ganhando apoio do Rotary Club, justamente para atender crianças vítimas da pólio.

Inicialmente, eram 12 leitos hospitalares, com atendimento a 250 crianças/dia.

Com a erradicação da doença no Brasil a partir de 1994, a entidade mudou seu perfil e hoje atende outras síndromes, como pacientes com paralisia cerebral e autismo.

Zika e Covid-19

Não bastasse, a médica Maria Lúcia Leal dos Santos também falou sobre os impactos que a zika (mosquito da dengue) provocou em crianças com microcefalia, nascidas em 2015, quando houve uma explosão de casos no Brasil.

“Recebemos 15 crianças com sequelas da zika, com quadros graves e limitantes. Infelizmente, algumas já faleceram”, diz.

Assim, as sequelas são irreversíveis, com crises convulsivas e casos de crianças com dificuldades de respiração e necessidade de uso de sondas no estômago, por exemplo.

Desde então, os casos de microcefalia desapareceram.

No entanto, outra preocupação mais recente ocorreu com a Covid-19.

“Não tivemos casos de crianças com sequelas da Covid, mas duas mães se infectaram na gestão e os bebês nasceram prematuros, ficando com sequelas e complicações neonatais”, lamenta.

Além disso, a médica também falou do risco de outras enfermidades, como varicela (espécie de catapora), com risco de óbito (“perdemos um paciente de 12 anos”, recorda) e meningite, bactéria que deixa crianças surdas.

“A vacinação é a melhor resposta”, enfatizou.

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