Saúde

Obesidade pode agravar quadro da Covid-19

Assim como o tabagismo, obesidade pode ser um risco letal

06 de junho de 2020 - 14:00

João Pedro Bezerra

Da Redação

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O Brasil já é o segundo país do mundo com mais casos confirmados da Covid-19. Nas últimas semanas, foram registrados mais de 1000 óbitos diários, atingindo todas as idades. Porém, há grupos mais expostos aos riscos da doença, como idosos e pessoas com problemas crônicos, como revelam as estatísticas. Até o início da semana, a taxa de vítimas com mais de 60 anos em São Paulo chegava a 72,8%, ou seja quase 3/4 do total de pessoas infectadas.

Outro dado que tem chamado a atenção dos especialistas é o alto índice de mortes em pessoas com até 59 anos. Até o dia 1º de junho já estavam registrados 2.076 óbitos entre os indivíduos que faziam parte deste grupo.

Além das doenças crônicas, há outros fatores que podem contribuir para o agravamento dos sintomas, entre eles o tabagismo. De acordo a Sociedade de Cardiologia de São Paulo, o consumo do cigarro prejudica o sistema imunológico, além da perda de capacidade do pulmão. “O fato de os fumantes estarem mais propensos às infecções virais e a probabilidade de morte 14 vezes maior quando a Covid-19 infecta fumantes, de acordo com estudos realizados, faz deste um bom momento para se pensar em tratamentos antitabagismo”, afirmou o presidente da entidade, João Fernando Monteiro Ferreira em entrevista à Agência Brasil.

Obesidade

Outro fator que pode agravar o quadro de um paciente infectado pelo coronavírus é a obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, metade dos brasileiros está acima do peso e 19,8 % estão obesos. Estes números vêm aumentando a cada ano, principalmente na população adulta entre 25 a 44 anos.

Diversos fatores podem explicar esse contexto, como a má alimentação, falta de atividades físicas, a rotina de trabalho, o sedentarismo e a opção pela tecnologia nas horas de lazer. Porém, tudo pode ser adaptado, como, por exemplo, a troca do uso de elevador por escadas.

Para identificar a obesidade, basta calcular a massa corporal (IMC) e dividir pela altura. Se o índice for maior que 25kg², a pessoa está acima do peso, caso ultrapasse os 30kg² já é considerado obesidade.

De acordo com o cirurgião bariátrico, Joaquim Neto, a estimativa é que o risco de óbito é de três a quatro vezes maior para um indivíduo obeso. “Os pacientes obesos, apresentam uma limitação funcional do pulmão, assim quando há infecção pela Covid-19, o sistema imunológico é afetado, piorando o quadro”, ressaltou o médico.

Além disso, Joaquim explicou os cuidados que as pessoas deste grupo devem tomar. “ O indivíduo obeso precisa ter a ciência que ele pertence ao grupo de risco, devendo realizar de maneira mais rigorosa o isolamento social, mantendo uma rotina alimentar adequada, com dieta fracionada em pequenas porções e evitar excesso de farináceos, doces, embutidos e bebidas alcoólicas”.

A quarentena pode ser prejudicial à população, caso o consumo de alimentos gordurosos e industrializados seja constante. Todavia, com maior tempo em casa, fica mais fácil fazer uma alimentação saudável, além de realizar atividades físicas.

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