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Olho na operação

Estar os olhos bem preparados para continuar observando o caminhar das coisas é essencial. Para isso, a Medicina já possui…

03 de junho de 2009 - 12:04

Da Redação

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Estar os olhos bem preparados para continuar observando o caminhar das coisas é essencial. Para isso, a Medicina já possui técnicas que ajudam a manter e recuperar a vista danificada por algum fator, como a miopia e a catarata, por exemplo. No entanto, o aumento da demanda por operações e a consequente banalização dos tratamentos via laser são passíveis de atenção e cuidados, para que mesmo o pouco de visibilidade que se tem seja perdido.


De acordo com o oftalmologista e professor-adjunto da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Celso Afonso Gonçalves, o primeiro ponto é certificar que o profissional que executará a operação, seja ela para a finalidade que for, é específico para aquele tipo de tarefa.


“Hoje, a oftalmologia está muito especializada, assim como a medicina como um todo. Dessa forma, é importante que aquele que for realizar os trabalhos esteja plenamente a par de tudo que pode ocorrer. Além disso, nem todo mundo é candidato a operar, e os tratamentos não são milagrosos. Em alguns casos, eles podem até ser totalmente ineficazes”, explica.


Refratárias


Há dois tipos de cirurgia que podem ser feitas com a utilização do laser: as refratárias e as de retina. As primeiras são as conhecidas operações para correção de miopia (dificuldade para se enxergar de longe), astigmatismo (visão embaçada) e hipermetropia (dificuldade de se enxergar de perto).


No caso, o laser utilizado é o chamado Excimer, um dos mais tradicionais da medicina ocular. Na operação, é emitido pela máquina um raio ultravioleta, que penetra na superfície da córnea. O calor da energia que o laser solta é liberado, assim como a camada “atingida”, no que é chamado de fotoablação.


“É um processo que, em suma, modifica a forma da córnea”, adiciona Gonçalves. Vale lembrar que, nos três casos, é a forma como está justamente a córnea, que é o equivalente a uma “lente externa” no olho humano.


No entanto, apesar de essas cirugias serem úteis para a, por muito, desejada retirada dos óculos, não são todos que podem fazê-la. “Para quem tem a córnea muito fina, não se recomenda que a operação seja feita, pois pode danificá-la, e somente um transplante pode fazer a pessoa enxergar direito novamente”, salienta Gonçalves.


O profissional adiciona, ainda, que a operação só é realmente sugerida para quem já está com a miopia/astigmatismo/hipermetropia bem estabilizada, e com idade acima dos 20 anos.


Retina


Uma das cirurgias mais delicadas que há é a de retina. Trata-se do lugar do globo ocular em que se “projetam” as imagens que o olho capta, e, vale apontar, não pode ser recuperada em caso de uma lesão irreversível.


Portadores de Retinoplatia Diabética, que é a presença de hemorragia dentro dos olhos, cuja ocorrência se dá com diabéticos, podem fazer a chamada Fotocoagulação. Considerada a forma mais efetiva para o tratamento da enfermidade, a operação visa evitar que a retinoplatia não se prolifere. Crianças em que se detecta, ao nascimento, algum problema do gênero na retina também podem passar por algum tratamento desta natureza.


Se bem feita, a cirurgia pode evitar que a visão seja ainda mais afetada e até perdida. No entanto, o laser precisa acertar bem o alvo desejado. Caso contrário, os riscos serão irrecuperáveis. “Se for atingida uma das três áreas principais da retina, que são o nervo óptico, a amácula ou o feixe papilomacular, a probabilidade de que se perca a visão é muito grande, sem possibilidade de transplante”, revela o professor da Unimes.


No entanto, segundo Gonçalves, é importante que a pessoa tenha em mente que o laser não é a salvação de todos os males. “Nos casos de descolamento da retina, o laser é apenas uma das opções, e não é suficiente.


Glaucoma


No caso do glaucoma, a indicação do laser é bastante limitada, sendo apenas para pessoas acima dos 40 anos — época em que a enfermidade começa a se mostrar existente, segundo Celso Afonso Gonçalves. E ainda assim, aconselha-se na maioria das vezes a utilização de colírios voltados ao tratamento da doença.


“Hoje, a farmacologia para se lidar com o glaucoma é muito boa. Em 90% dos casos, só o colírio é necessário. Uma minoria precisa de algo mais. Fora que há mais de 30 tipos de glaucoma, e apenas dois tipos oferecem podem oferecer reação: o pigmentar e o pseudoesfoliativo. Nos demais, o efeito é nulo”, explica.


Catarata


Um dos maiores “mitos”, por assim dizer, é a existência de operações via laser para cura da catarata. Na verdade, os raios servem apenas no pós-operatório, quando busca-se “agilizar” a cicatrização, através de um processo chamado de Fotodissrupção, feito com um aparelho chamado Yag Laser. Os cuidados, portanto, são referentes ao “corte” que é feito no tecido ocular, conforme finaliza o oftalmologista.

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