Saúde

Família também soma no progresso de crianças com autismo

O atendimento multiprofissional somado ao entendimento familiar sobre o tema apresenta resultados positivos.

02 de abril de 2014 - 16:59

Da Redação

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Oferecer acesso à informação qualificada e dar apoio aos pais, ao mesmo tempo em que se estimula as potencialidades das crianças. Este é o desafio das equipes do Centro de Valorização da Criança, da Secretaria Municipal de Saúde, no trabalho com autistas.

O atendimento multiprofissional somado ao entendimento familiar sobre o tema apresenta resultados positivos. Na quarta-feira (2), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Há três centros na cidade, que estão acompanhando 190 autistas.

Geralmente, as crianças chegam à unidade após familiares ou professores identificarem algumas alterações, como choro excessivo, irritabilidade, isolamento, alterações no sono e alimentação e dificuldade na fala. “Muitos sintomas se confundem com comportamentos rotineiros da infância, por isso é preciso estar atento em todos os sinais.

Se a mãe perceber que o bebê não fixa a troca de olhar com ela ou completou dois anos com muita dificuldade na fala, por exemplo, deve procurar a unidade de saúde mais próxima. Normalmente, no autismo a inteligência está absolutamente preservada, mas há dificuldade de socialização, afetividade e comunicação”, destaca a fisioterapeuta Maria Luiza Cesar Cardia, da unidade da zona da Orla / Intermediária.

Quando o médico suspeita de autismo, deve ser feito o encaminhamento para o Centro de Valorização da Criança. “Justamente na infância temos uma neuroplasticidade maior, podendo organizar e readaptar estes padrões funcionais. A capacidade de adaptação da criança é maior. Com 11 anos e 11 meses ela já passa a ter uma estrutura de cérebro de um adulto”, detalha a acompanhante terapêutica Eliana Masch Naslauski.

Como funciona?
Ao chegar no Centro de Valorização, pais e crianças são acolhidos e passam por uma triagem. Quando constatado o problema, a criança é encaminhada para o grupo, de acordo com a faixa de idade.

Os encontros são semanais com as crianças, enquanto seus pais participam de um atendimento em grupo paralelo, onde busca-se alertar sobre o papel preponderante da família para a qualidade de vida e desenvolvimento dessa criança. Com as crianças o trabalho é feito de forma lúdica, em grupo, com uso de brinquedos, exercitando a socialização, com atividades do dia a dia. Para se estabilizar um caso é preciso, pelo menos, dois anos.

A equipe é composta por psiquiatra infantil, fisioterapeuta, psicólogas, acompanhantes terapêuticas, fonoaudiólogas, além dos funcionários administrativos.

Avanços na qualidade de vida
Quem aceita o desafio vê a recompensa no desenvolvimento e na qualidade de vida dos filhos. Foi assim com Ana Paula Domingos dos Santos, mãe de Isaac, de 5 anos. Ela começou a identificar os primeiros sinais aos seis meses de idade, devido à irritabilidade do bebê.

“No começo fiquei deprimida, só sabia chorar. Era chamada todos os dias na escola dele. Depois compreendi que eu precisava primeiro aceitar pra depois cuidar. E foi assim. O apoio neste caminho foi fundamental. Hoje vejo as recompensas no progresso dele: tem uma ótima disciplina e concentração, e fala muito bem”.

A família de Artur, 7 anos, também encontrou auxílio no local. O pai, Gilberto Lins Agelune, percebeu os primeiros sinais aos sete meses, por Artur não fixar o olhar e o movimento de pescoço. “É difícil entender o que precisa ser feito, compreender que o mundo não acabou. Muito pelo contrário, surgiu um novo mundo, onde precisamos dar estímulo, carinho, atenção, ter paciência. Com os estímulos certos os resultados chegaram: hoje ele fala bem, se socializa, convive muito bem com outras crianças”.

A mãe, Samanta, lembra que é fundamental repassar as informações aos demais familiares e educadores, para que todos trabalhem no mesmo objetivo.

Onde procurar ajuda?
Santos conta com três centros de valorização da criança, ligados à coordenação de Sáude Mental.

Funcionam de segunda a sexta, das 8h às 18h:

Rua Conselheiro Ribas, 379, Embaré (Zona da Orla / Intermediária)

Avenida Hugo Maia, 212, Rádio Clube (Zona Noroeste)

Rua Almeida de Moraes, 214, Vila Mathias (Região Central Histórica)

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