Campanhas ajudam, mas agilidade no tratamento é fundamental, diz médico | Boqnews
Dr. Ricardo Pinto, mastologista e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia. Foto: Carla Nascimento

Outubro Rosa

24 DE OUTUBRO DE 2022

Campanhas ajudam, mas agilidade no tratamento é fundamental, diz médico

A campanha de alerta sobre a prevenção ao câncer de mama é fundamental, mas há necessidade de uma estrutura para início do atendimento às mulheres. Ou seja, de nada adianta fazer exames se há dificuldades para agendar o início do tratamento. O alerta é do médico mastologista Ricardo Pinto, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia. […]

Por: Fernando De Maria

array(1) {
  ["tipo"]=>
  int(27)
}

A campanha de alerta sobre a prevenção ao câncer de mama é fundamental, mas há necessidade de uma estrutura para início do atendimento às mulheres.

Ou seja, de nada adianta fazer exames se há dificuldades para agendar o início do tratamento.

O alerta é do médico mastologista Ricardo Pinto, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia.

Ele participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de hoje (24).

A pauta do programa enfatizou o Outubro Rosa, com destaque para a prevenção ao câncer de mama.

“Os gestores de saúde têm que se sensibilizar para agilizar o atendimento tão logo a paciente tenha o diagnóstico de câncer de mama”, salienta.

Ou seja, as campanhas ocorrem, exames são realizados, mas há demora excessiva entre o laudo  e a autorização para início do tratamento.

Sem contar que a pandemia represou a ida de pacientes aos consultórios médicos e na realização de exames, aumentando o volume de pessoas a serem atendidas.

“Existem casos de pacientes que demoraram três anos para consultarem o seu médico”, acrescenta.

A doença registra 66 mil novos casos anuais no Brasil – e a que mais mata mulheres no País.

E entre 6 a 7 mil mortes/ano – taxa de letalidade entre 9% a 11%.

Nos Estados Unidos, a taxa tem proporções epidêmicas.

São 250 mil novos casos anuais – e 60 mil mortes/ano – com taxa de letalidade de 24%.

Má alimentação, obesidade, consumo de álcool estão entre os motivos mais frequentes do surgimento da doença.

O médico Ricardo Pinto e jornalista Francisco La Scala participaram do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de hoje.

SUS e convênios

Segundo Pinto, a demora ocorre no SUS, mas também nos convênios.

Para se ter ideia, os planos têm até 21 dias, segundo a ANS – Agência Nacional de Saúde, para autorizar uma cirurgia.

“Muitos pedem para postergar. Esquecem que é melhor atender o paciente com urgência do que protelar o atendimento, pois o caso pode se agravar em pouco tempo”, salienta.

“Infelizmente, a medicina suplementar virou ‘business’ (negócio)”, lamenta

Afinal, quanto maior tempo entre a constatação da doença e o início do tratamento, maior o risco do quadro de saúde do paciente piorar.

“Existem células cancerígenas que duplicam a cada 20 dias”, alerta.

Ou seja, cânceres em estágios relativamente precoces (tumores de até 5 cm) chegam a 80% de cura.

E os que estão no estágio inicial (1), as chances de cura variam de 90% a 95%.

Por sua vez, os de graus 3 ou 4 tendem a ter uma probabilidade menor de sucesso.

Médico mastologista Ricardo Pinto enfatizou a importância da agilidade no tratamento tão logo o paciente receba o diagnóstico. Fotos: Carla Nascimento

Exames

Pinto enfatizou também que a despeito do INCA – Instituto Nacional do Câncer orientar que o tratamento entre mulheres deva iniciar aos 50 anos, a Sociedade Brasileira de Mastologia ressalta que os exames iniciem aos 40 anos.

“As taxas entre mulheres de 40 a 50 anos são semelhantes as registradas entre as que têm de 50 a 60 anos”, enfatiza.

O médico também destaca que a medida que a faixa etária evolui, o risco do surgimento de câncer de mama também avança.

Assim, em mulheres acima de 80 anos, esta taxa cresce na proporção de 1 para cada 8 (12,5% de risco), considerado elevadíssimo.

Dessa forma, ao contrário do que muitos possam imaginar, a ampla maioria dos casos de câncer de mama não tem relação com a genética.

Ou seja, apenas 10% dos pacientes têm parentes em 1º grau com a doença, histórico de câncer bilateral, ou em outras regiões do corpo.

“Em 90% dos casos, a paciente é a primeira da família”, enfatiza.

Por sua vez, a despeito da doença ser considerada feminina, homens também podem desenvolver o câncer de mama.

Entre 0,5% a 1% dos novos casos surgem em homens.

Portanto, a cada 100/200 mulheres vítimas de câncer de mama, existem 1 ou 2 casos entre homens.

“Nos homens, a idade de risco começa acima dos 50 anos e o tratamento é idêntico ao das mulheres”.

Mitos e verdades

O profissional também esclareceu que as próteses de silicone hoje no mercado não provocam risco do surgimento de câncer de mama.

Além disso, o tamanho da mama não tem relação com maior ou menor probabilidade de risco.

Por sua vez, mulheres com seios maiores ampliam as chances  de preservar a mama eventualmente se houver necessidade de operação.

Mutirão

No sábado (22). o movimento foi intenso nas 31 policlínicas de Santos durante o Dia D do Outubro Rosa, em prevenção ao câncer de mama.

Por sua vez, em cinco horas de evento especial pela saúde da mulher, foram coletados 1.298 exames preventivos (papanicolau).

Além disso,  624 consultas médicas, 834 consultas de enfermagem e 154 odontológicas ocorreram

Assim, também foram feitos 488 testes rápidos (HIV, sífilis,  hepatite) e aplicadas 544 doses de vacinas.

Houve ainda 965 mamografias solicitadas.

 

Programa completo

Confira o programa completo

 

 

Notícias relacionadas

ENFOQUE JORNAL E EDITORA © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

desenvolvido por:
Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.