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Saúde Mental

01 DE SETEMBRO DE 2019

Conscientização sobre suicídio aponta para a importância da terapia

A psicoterapia oferece o suporte adequado a quem enfrenta problemas e precisa de ajuda

Por: Ana Carol

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O calendário é marcado por meses associados a cores em campanhas de conscientização sobre alguns problemas de saúde.

Entre Agosto Dourado, Outubro Rosa e Novembro Azul está o Setembro Amarelo, quando é intensificada a campanha de prevenção ao suicídio.

Em 2003, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu a data de 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

No Brasil, desde 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) organizam as ações sobre o tema.

Dados da OMS indicam que cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano em todo o mundo.

É a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos – no Brasil é a quarta – atrás de situações externas, como acidentes e violência.

Assim, o principal objetivo do Setembro Amarelo é ampliar as informações sobre o assunto, visando reverter esta triste realidade.

Mal do século

Apesar da individualidade de cada ser, a maioria dos casos de suicídio é diretamente associada à depressão.

A psicóloga clínica Taluia Souza aponta ainda o bullying, conflitos sociais e consumo de drogas como outras possíveis causas.

No entanto, ela ressalta que, de maneira geral, as situações estão acompanhadas deste problema.

A depressão consiste em uma doença que provoca desequilíbrios na bioquímica cerebral e afeta o emocional do indivíduo.

Apesar de a tristeza ser um sentimento natural, ela é um sinal de alerta quando se torna constante e excessiva.

A doença caracteriza-se pela ausência de prazer em atividades que antes eram satisfatórias, oscilação de humor, dificuldade de concentração, alteração no sono e peso, sentimento de vazio interno, pessimismo, entre outros sintomas.

O diagnóstico é clínico, e requer acompanhamento de um psicólogo e um psiquiatra. O primeiro é responsável por detectar sintomas mais graves e encaminhar o paciente ao segundo profissional que, por sua vez, avaliará a necessidade de inserir medicação no tratamento.

Uma das válvulas de escape para quem apresenta algum transtorno é a automutilação. A psicóloga explica que isso funciona como um mecanismo para suprimir a dor emocional.

Os sinais que algo pode estar errado é isolamento e mudanças bruscas de comportamento.

Além disso, manifestações verbais de sofrimento merecem atenção. Frases como “quero sumir” e “não aguento mais” servem de alarme.

Apesar do estereótipo do deprimido isolado e sempre triste, cada um lida de uma maneira diferente com a doença.

Taluia destaca que é possível estar deprimido, mas aparentemente estar saudável e até brincalhão. A enfermidade é conhecida como “Mal do Século” pela OMS.

Índices

Dados de 2017 (mais recentes) revelam que 23 casos de suicídio foram registrados pela Secretaria Municipal de Saúde de Santos.

A principal faixa etária de vítimas é de pessoas de 30 a 39 anos. O menor, acima de 80 anos, com um caso registrado.

Uma cartilha lançada em 2017 pelo Ministério da Saúde expôs números e mostrou a agenda estratégica de prevenção ao suicídio.

No documento, números do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) apontam que, em média, 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano no Brasil.

A maioria das tentativas é feita entre mulheres (69% contra 31% dos homens) e, além disso, elas são mais reincidentes.

Entretanto, os homens obtêm maior êxito nas tentativas (79% contra 21%) do que as mulheres.

Entre os principais métodos utilizados, o envenenamento e intoxicação aparecem na frente, seguidos de uso de objeto perfurocortante e, por último, enforcamento.

Dados coletados entre 2011 e 2015 mostram que solteiros, viúvos e divorciados morrem mais pelo ato (60,4%) do que os casados ou que apresentam união estável (31,5%).

Auxílio

“Quem se mata não quer acabar com a vida, quer acabar com a dor. E precisa de atenção, acolhimento e suporte”, afirma Taluia.

Uma das ferramentas para detecção de sinais de alerta e possível prevenção ao suicídio é a psicoterapia (ou terapia).

No entanto, ela é cercada por estigmas, como o estereótipo de que é destinada somente para “loucos”.

Todo ser humano é passível de sofrimento, doenças ou transtornos, e procurar ajuda não é problema.

O principal papel do psicólogo é ajudar o paciente a compreender e organizar melhor os próprios pensamentos.

Dessa forma, é um procedimento para superar os momentos de dor e procurar comportamentos mais saudáveis e assertivos.

Taluia ressalta que a terapia consiste em um espaço de desenvolvimento, crescimento e transformação.

Portanto, não necessariamente precisa estar associada a uma doença ou a um problema grave.

Abordagens

Para a psicóloga e professora Tânia Estevaletto Macedo, a dificuldade de acesso à psicoterapia é maior que o estigma atualmente.

A profissional aponta que o serviço público de saúde não dá conta da demanda existente, e alguns planos de saúde não oferecem o serviço ou limitam o número de sessões.

Tânia também destaca a importância da terapia para o autoconhecimento, a fim de estar preparado para problemas que possam surgir.

Taluia, especializada em adolescentes, vê maior procura das garotas pela terapia.

Mas, assim como Tânia, afirma que o processo é ideal e benéfico para todos, independente de faixa etária ou gênero.

A Psicologia oferece diferentes abordagens e o paciente deve procurar por aquilo que o deixe mais confortável.

Mais importante do que falar sobre suicídio, para Tânia – que também é coordenadora do Departamento de Apoio Pedagógico, Psicológico e Social da Unisantos – é aproveitar setembro para falar sobre vida e valorização das pequenas coisas.

O ambiente universitário concentra o público jovem e a professora ressalta a importância do olhar atento para tal público, que enfrenta o ritmo da vida moderna e lida com as cobranças do início da vida adulta.

O apoio de familiares é amigos é essencial. No entanto, o acompanhamento psicológico é essencial e insubstituível.

CVV

Uma forma de atendimento que oferece apoio emocional de maneira sigilosa é o Centro de Valorização da Vida (CVV).

No telefone 188, voluntários em todo o território nacional atendem ligações no serviço, que funciona 24 horas por dia de forma gratuita.

Com isso, o mês de setembro traz oportunidade de estimular reflexões sobre suicídio.

Além do telefone, o atendimento também pode ser feito via e-mail ou chat no site.

Segundo Renato Caetano, voluntário do CVV Santos, a unidade situada na Rua Campos Melo nº 189, na Vila Matias, atende perto de 8 mil chamadas por mês.

São 95 voluntários, que recebem treinamento por meio de curso e reuniões semanais.

A instituição conta também com o programa Caminho de Renovação Contínua (CRC). Nele, são promovidos encontros quinzenais em grupos, levando temas de reflexão e autoconhecimento.

As reuniões acontecem na Universidade Santa Cecília, Universidade Católica de Santos, no CVV e, em breve, na Universidade São Judas – Campus Unimonte.

Desmistificando o tema

Comentários preconceituosos a respeito de uma tentativa de suicídio foram o gancho para Aline Bezzoco desenvolver o aplicativo ‘Tá tudo bem?’, lançado em agosto de 2017.

Aline, desenvolvedora front-end e conhecedora do processo de terapia, contou com a colaboração de sua psicóloga para desenvolver o produto.

De fácil manuseio e sem pesar muito na memória do celular, o aplicativo apresenta linguagem simples.

Mensagens motivadoras chegam por meio de notificações ao longo do dia. O botão de emergência para falar com alguém direciona o telefone para o número 188.

Além disso, é possível adicionar um contato da agenda para eventuais emergências.

Uma das funções é o “respire”, baseado em exercícios de respiração que Aline aprendeu na terapia para lidar em momentos de crise.

A desenvolvedora do app destaca a importância do debate sobre saúde mental atualmente, mas reconhece os desafios.

“Infelizmente ainda existem diversos tabus e preconceitos sobre o tema e eles precisam ser discutidos”, salienta.

O aplicativo está disponível na Play Store para dispositivos Android.

É importante ressaltar, sobretudo, que aplicativos e sites não substituem o suporte oferecido por um profissional.

 

Saúde Mental

Arte: Mala

 

Acessibilidade

Existem maneiras de conseguir tratamento psicológico gratuitamente ou a baixo custo.

A Prefeitura de Santos possui uma rede de Atenção Especializada em Saúde Mental, formada por cinco Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para adultos, com acolhimento integral quando necessário (24h).

Além disso, dois Caps Álcool e Outras Drogas (um deles para adolescentes), e dois Caps Infanto Juvenis (para crianças).

Cada unidade recebe a população de acordo com a área de abrangência (ver endereços abaixo).

Com média mensal de 17 mil atendimentos, os Caps permitem que o paciente seja atendido várias vezes durante o mês.

Para acolhimento e agendamento de consultas, o cidadão com transtornos mentais graves ou que faz uso abusivo de álcool e drogas deve comparecer à unidade correspondente ao bairro onde mora.

O atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Atendimento para adultos

Caps Zona Noroeste
Rua Bulcão Viana, 880 – Bom Retiro

Caps Centro
Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 236 – Macuco

Caps Praia
Av. Cel. Joaquim Montenegro, 329 – Ponta da Praia

Caps da Vila
Av. Pinheiro Machado n.º 718 – Marapé

Caps Orquidário
Avenida Francisco Glicério, 661 – Gonzaga

Caps Álcool e Outras Drogas
Rua Silva Jardim, n.º 354 – Macuco
Tel. 3237-2681

Atendimento infantil

Caps Álcool e Outras Drogas Infanto Juvenil
Rua Campos Melo, 298 – Encruzilhada
Tel. 3221-8367

Caps Infantil da Zona Noroeste
Av. Praça Maria Coelho Lopes, nº395 – Santa Maria

Caps Infantil da Orla / Intermediária
Av. Bernardino de Campos, 617 – Campo Grande

Caps Infantil da Região Central Histórica
Rua Almeida de Moraes, 214 – Vila Mathias

 

Programação

O CVV, como uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no País, planeja ações por toda a Cidade de Santos.

No próximo domingo (8), Santos e Atlhetico Paranaense jogarão às 16h na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.

Para a data, haverão atividades especiais no campo e no intervalo de jogo.

Já nesta terça-feira (10), a instituição promove palestra na Unisanta (ver abaixo).

No próximo dia 15 (domingo), a Caminhada de Valorização terá início às 10h, partindo da Praça das Bandeiras, no Gonzaga.

Posteriormente, no fim do mês, o Abraço Solidário acontecerá no dia 28 (sábado). O local de encontro é na esquina do calçadão da Rua Othon Feliciano com a Avenida Ana Costa, a partir das 15h.

Além disso, universidades de Santos estão com ações gratuitas e abertas ao público ao longo do mês.

Unisanta

A Universidade Santa Cecília sediará, nesta terça-feira (3) às 19h, a Campanha de Prevenção contra o Suicídio, uma iniciativa da Comissão de Saúde da OAB Santos.

Na ocasião, a psicóloga Paula Amato ministrará palestra sobre suicídio no Auditório do Bloco D da universidade (Rua Oswaldo Cruz, 266, Boqueirão), ressaltando que essa questão afeta todas as classes sociais e idades.

As inscrições podem ser feitas via e-mail [email protected]

Posteriormente, no Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio (10), psiquiatra Bruno Reis estará na universidade em evento realizado pelo CVV.

Aberta ao público, palestra abordará prevenção do suicídio e a epidemia de autolesão que afeta os jovens e adolescentes.

O local é Auditório do Bloco E, na Rua Cesário Mota, número 8, no quarto andar.

Unimes

Já a Universidade Metropolitana de Santos realizará a Semana Acadêmica de Psicologia de 23 e 27 de setembro.

A programação completa, gratuita e aberta ao público para o Setembro Amarelo estará disponível a partir desta segunda-feira (2) no site www.unimes.br.

As atividades acontecem no Campus Rosinha Viegas (Av. Francisco Glicério, nº 6/8, Encruzilhada).

Unisantos

Palestras, bate-papo, apresentações musicais, rodas de conversa e exibição de filmes acontecerão na Universidade Católica de Santos.

Todas as atividades contarão com organização e participação dos alunos e professores do curso de Psicologia.

Também com atividades abertas ao público, a programação estará no site www.unisantos.br.

São Judas – Campus Unimonte

Durante todo o mês de setembro, alunos de Psicologia realizarão atividades e oficinas no pátio da universidade.

Nesta quinta-feira (5), às 18h e posteriormente no dia 19, acontece a Roda de Conversa, aberta ao público.

O evento é parceria do CVV com o Núcleo de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico (NAAP) da São Judas.

No dia 10 (terça), haverá distribuição de biscoitos da sorte intitulados “Biscoitos da Vida” aos alunos, feitos pelos estudantes de Gastronomia.

Posteriormente, no dia 17 (terça), o preparador físico Marcio Atalla ministrará a palestra Vida em Movimento, exclusiva para alunos.

A psicóloga Luciana Cescon falará sobre prevenção ao suicídio o ano inteiro a partir das 18h, em evento aberto ao público.

Chá da tarde será oferecido às senhoras moradoras do cortiço que são atendidas na Catedral de Santos no dia 26 (segunda).

Iniciativa partirá dos cursos de Psicologia e Gastronomia. No dia seguinte (27), evento exclusivo para alunos propõe mesa redonda organizada pelo curso de Medicina Veterinária.

O Centro Universitário São Judas – Campus Unimonte fica na Rua Comendador Martins, 52, Vila Mathias.

Unifesp

Universidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista tem programação voltada também para o Setembro Azul.

A campanha é voltada para a conscientização da luta da comunidade surda pela educação bilíngue – libras e português.

Encontros estão marcados para os dias 9, 16 e 23 de setembro, das 19h às 21h, com emissão de certificado. Além de representantes da comunidade, o evento é voltado para discentes, docentes e técnicos da área.

Para mais informações: [email protected]

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