Aos 61 anos, o publicitário Toninho Garcia não tem do que reclamar quando o assunto é a família. Do primeiro casamento, ganhou um casal de filhos (Felipe, 29 e Daniela, 27 anos) e uma ex-esposa (Ruth) com a qual a convivência é das melhores, a ponto dela ser a diretora-financeira de sua agência de publicidade, em Santos. Do segundo — e último, garante Toninho —, veio mais uma herdeira (Giovanna, 9 anos) e uma enteada (Daphne, 17 anos), filha de sua atual esposa Christiane e de quem Toninho participou da criação desde os dois anos.
Realidades como as de Toninho são cada vez mais comuns. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de recasamentos é crescente no Brasil, representando 17,10% do total de casamentos registrados em 2008 (ano dos últimos dados oficiais). Em 1999, por sua vez, essa quantia representava 10,60%.
Mas para existirem recasamentos é sinal de que houve uma união anterior, muitas vezes preenchida com o nascimento de uma ou mais crianças — e que, na maioria das vezes, quando pequenas, acabam ficando com a mãe após a primeira separação. Por sua vez, também é natural que após uma nova troca de alianças, venham novos "herdeiros", frutos dos novos relacionamentos.
E dentro desta perspectiva, surge um desafio para o pai, que deverá dar atenção aos rebentos de ambas as uniões. Um cenário que demanda amadurecimento e compreensão por parte de todos os envolvidos (pai, filhos e esposas — ex e atual), mas que, como mostram pais que contaram suas histórias ao Boqnews, é possível ser concluído com êxito.
Postura
Para Toninho Garcia, a convivência positiva entre filhos e ex-esposas é possível, principalmente se o pai tiver postura de "homem" — algo que o publicitário considera fundamental, mas que reconhece que não ser uma constante em famílias do cotidiano. "O pai precisa ser homem na separação. Não pode fazer como muitos, que abandonam os filhos, dão uma mixaria de pensão e ainda reclamam. Isso é um crime, é ser canalha. O filho é dele também", considera.
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Com seus dois filhos do primeiro casamento crescidos, Toninho Garcia aproveita hoje sua caçula, Giovanna, de 9 anos |
Foi levando sua filosofia à risca que Toninho conquistou um ambiente feliz de convivência entre as duas casas. "Quando nos separamos, meus filhos aceitaram bem, segundo minha ex-mulher, por eu sempre ter sido presente. Ia levar e buscar na escola, não queria dar esse trabalho a Ruth. Quando meu filho foi estudar em São Paulo, ele não sabia andar direito na cidade e fui buscá-lo todos os dias. Foram recados mudos que dei a eles, mostrando que estaria ao lado pelo resto da vida", relembra.
Compreensão
Também publicitário, Renê de Moura, 46 anos e que há 17 debutou como pai, quando sua primeira esposa deu à luz a Werner, recorda que, por vezes, um passo para o bom entendimento familiar está na compreensão. Por exemplo, “abrindo mão” da companhia do garoto em datas usualmente "de pai e filho" em prol de uma vontade dele ou mesmo da percepção de uma necessidade da mãe estar com o filho.
"A gente tinha um acordo: se ele passa o Natal com a mãe, fica comigo no Ano Novo e vice-versa. Mas depois chega o momento em que o menino cresce e passa a ter seus gostos. Então, às vezes ele quer ficar por lá e você tem que aceitar, não pode priorizar o que você gostaria. Chorei muitas vezes, mas é uma opção que a gente faz”, revela.
Até por essa compreensão, René diz que o relacionamento com o filho mais velho sempre foi de entendimento e companheirismo. Mas "reconhece" que chegou a se preocupar quando teve de contar a notícia ao primogênito de que ele ganharia uma irmãzinha.
"Minha (atual) esposa não podia ter filhos. Ela passou por vários exames e constatou-se que tinha endo-metriose. Mas quando ninguém mais esperava, nem nós, ela engravidou da Luiza. Na época, o Werner tinha 15 anos e a gente sabe que é uma fase em que há muitas dúvidas, principalmente quanto à atenção. Mas ele aceitou bem, pois é um garoto muito tranquilo", conta.
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Renê com seus filhos Werner e Luiza: compreensão é ingrediente para bom relacionamento |
Interação
E o casal de filhos, mesmo sem conviver junto, se dá bem, garante René. "A gente almoça junto todo final de semana e é até engraçado, porque a Luiza é bem desencanada, mas quando o Werner se aproxima, ela fica tímida (risos). Mas depois ela começa a se soltar, traz os brinquedos e senta com ele para assistir DVDs”.
O relacionamento de amizade entre a família do primeiro casamento e do segundo também empolga Toninho. "Eles (filhos) se tratam com muito carinho. Eles têm foto um com o outro e fazem questão de mostrar pelas redes sociais. O Felipe, inclusive, já conhecia a Christiane. Quando me casei, ela tinha 27 anos e ele 19, mas as cabeças já se entendiam bastante. A Ruth, quando nasceu a Giovanna, nos visitou, levou presente. Quando a Daniela fez aniversário, fomos eu e a Christiane à casa da Ruth. O relacionamento é perfeito", ressalta.
Pais com filhos em mais de um casamento mostram que convivência é possível
Aos 61 anos, o publicitário Toninho Garcia não tem do que reclamar quando o assunto é a família. Do primeiro casamento, ganhou um casal de filhos (Felipe, 29 e Daniela, 27 anos) e uma ex-esposa (Ruth) com a qual a convivência é das melhores, a ponto dela ser a diretora-financeira de sua agência de publicidade, em Santos. Do segundo — e último, garante Toninho —, veio mais uma herdeira (Giovanna, 9 anos) e uma enteada (Daphne, 17 anos), filha de sua atual esposa Christiane e de quem Toninho participou da criação desde os dois anos.
Realidades como as de Toninho são cada vez mais comuns. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de recasamentos é crescente no Brasil, representando 17,10% do total de casamentos registrados em 2008 (ano dos últimos dados oficiais). Em 1999, por sua vez, essa quantia representava 10,60%.
Mas para existirem recasamentos é sinal de que houve uma união anterior, muitas vezes preenchida com o nascimento de uma ou mais crianças — e que, na maioria das vezes, quando pequenas, acabam ficando com a mãe após a primeira separação. Por sua vez, também é natural que após uma nova troca de alianças, venham novos “herdeiros”, frutos dos novos relacionamentos.
E dentro desta perspectiva, surge um desafio para o pai, que deverá dar atenção aos rebentos de ambas as uniões. Um cenário que demanda amadurecimento e compreensão por parte de todos os envolvidos (pai, filhos e esposas — ex e atual), mas que, como mostram pais que contaram suas histórias ao Boqnews, é possível ser concluído com êxito.
Postura
Para Toninho Garcia, a convivência positiva entre filhos e ex-esposas é possível, principalmente se o pai tiver postura de “homem” — algo que o publicitário considera fundamental, mas que reconhece que não ser uma constante em famílias do cotidiano. “O pai precisa ser homem na separação. Não pode fazer como muitos, que abandonam os filhos, dão uma mixaria de pensão e ainda reclamam. Isso é um crime, é ser canalha. O filho é dele também”, considera.
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Com seus dois filhos do primeiro casamento crescidos, Toninho Garcia aproveita hoje sua caçula, Giovanna, de 9 anos |
Foi levando sua filosofia à risca que Toninho conquistou um ambiente feliz de convivência entre as duas casas. “Quando nos separamos, meus filhos aceitaram bem, segundo minha ex-mulher, por eu sempre ter sido presente. Ia levar e buscar na escola, não queria dar esse trabalho a Ruth. Quando meu filho foi estudar em São Paulo, ele não sabia andar direito na cidade e fui buscá-lo todos os dias. Foram recados mudos que dei a eles, mostrando que estaria ao lado pelo resto da vida”, relembra.
Compreensão
Também publicitário, Renê de Moura, 46 anos e que há 17 debutou como pai, quando sua primeira esposa deu à luz a Werner, recorda que, por vezes, um passo para o bom entendimento familiar está na compreensão. Por exemplo, “abrindo mão” da companhia do garoto em datas usualmente “de pai e filho” em prol de uma vontade dele ou mesmo da percepção de uma necessidade da mãe estar com o filho.
“A gente tinha um acordo: se ele passa o Natal com a mãe, fica comigo no Ano Novo e vice-versa. Mas depois chega o momento em que o menino cresce e passa a ter seus gostos. Então, às vezes ele quer ficar por lá e você tem que aceitar, não pode priorizar o que você gostaria. Chorei muitas vezes, mas é uma opção que a gente faz”, revela.
Até por essa compreensão, René diz que o relacionamento com o filho mais velho sempre foi de entendimento e companheirismo. Mas “reconhece” que chegou a se preocupar quando teve de contar a notícia ao primogênito de que ele ganharia uma irmãzinha.
“Minha (atual) esposa não podia ter filhos. Ela passou por vários exames e constatou-se que tinha endo-metriose. Mas quando ninguém mais esperava, nem nós, ela engravidou da Luiza. Na época, o Werner tinha 15 anos e a gente sabe que é uma fase em que há muitas dúvidas, principalmente quanto à atenção. Mas ele aceitou bem, pois é um garoto muito tranquilo”, conta.
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Renê com seus filhos Werner e Luiza: compreensão é ingrediente para bom relacionamento |
Interação
E o casal de filhos, mesmo sem conviver junto, se dá bem, garante René. “A gente almoça junto todo final de semana e é até engraçado, porque a Luiza é bem desencanada, mas quando o Werner se aproxima, ela fica tímida (risos). Mas depois ela começa a se soltar, traz os brinquedos e senta com ele para assistir DVDs”.
O relacionamento de amizade entre a família do primeiro casamento e do segundo também empolga Toninho. “Eles (filhos) se tratam com muito carinho. Eles têm foto um com o outro e fazem questão de mostrar pelas redes sociais. O Felipe, inclusive, já conhecia a Christiane. Quando me casei, ela tinha 27 anos e ele 19, mas as cabeças já se entendiam bastante. A Ruth, quando nasceu a Giovanna, nos visitou, levou presente. Quando a Daniela fez aniversário, fomos eu e a Christiane à casa da Ruth. O relacionamento é perfeito”, ressalta.

