Não há dúvidas de que a tão "utilizada" sacola plástica prejudica o meio ambiente e que a sociedade deve pensar em alternativas para substituí-las. Segundo dados do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas (promovido pelos institutos Plastivida e Nacional de Plástico) somente em 2010 foram fabricadas 14 bilhões unidades deste tipo de material no País, sendo que cerca de 80% são reutilizadas apenas uma vez, pois parte delas tem como destino bueiros, provocando enchentes, e os lixões.
Na natureza, por sua difícil decomposição e por liberarem toxinas químicas, poluem mares, áreas de manguezais e ao serem consumidas por animais, como as tartarugas, são o motivo de sua morte, por intoxicação.
A partir de janeiro de 2012, o produto - considerado o principal vilão do meio ambiente - não deverá estar mais disponível gratuitamente nos supermercados do Estado de São Paulo e passará a ser vendido ao preço unitário de R$ 0,19. Mas será que a culpa deste título deve-se exclusivamente às sacolas plásticas ou deve ser dividida entre empresários, que fabricam sacolas de má qualidade, e também cidadãos, que a descartam de maneira indevida, levando-as para os mais diferentes destinos, além do próprio governo que não investe em tecnologia para encontrar soluções e educação?
De acordo com o proprietário da empresa de fabricação de sacolas em geral Abaret, Diego Sienra, a proibição das sacolas é pura demagogia. "No mercado, grande parte dos produtos estão em embalagens plásticas, do mesmo material que as sacolas. O problema é que as escolheram como culpadas por todos os males ambientais e esqueceram que elas não são as principais agentes do problema. Apenas 1,5% do polietileno (substância derivada do petróleo) é utilizado nas sacolinhas; o restante é em outros produtos", ressalta. Para ele, a sustentabilidade está na reutilização e também no descarte correto do material, além da reciclagem.
"Em relação à quantidade que é declarada não acho confiável. Ninguém nunca perguntou, por exemplo, quanto eu fabrico. Além disso, ainda não existem alternativas de baixo custo para o plástico. Deve-se investir na verdade em educação e melhorar a infraestrutura da coleta seletiva", diz.
Para especialistas, como o biólogo e pesquisador da Universidade Santa Cecília, Orlando Couto Junior, a questão não pode ficar restrita à proibição ou não das sacolinhas. "São diversos fatores que devem ser considerados como prioridade pelo Poder Público", explica.
No entanto, alguns exemplos mostram que a lei que proíbe as sacolas, pode ser apenas o início de uma mudança significativa de comportamento. No Estado de São Paulo, a primeira cidade a implantar o projeto foi Jundiaí. No município, com população de 370 mil pessoas, deixaram de ser consumidas 22 milhões de unidades e 81,4 toneladas de plástico filme por mês.
Para o vereador Manoel Constantino (PMDB), responsável por apresentar a lei em Santos (confira no quadro abaixo) — e que já está em vigor — a grande dificuldade, além de mudar o hábito dos consumidores, é a fiscalização. "É difícil controlar todos os locais para que respeitem a legislação e também as indústrias, mas se nós tivermos consciência do problema ambiental que a sacola acarreta será muito mais fácil. O processo, porém, é lento", reconhece.
Atitudes individuais são primordiais
Para o biologo Orlando Couto Junior, o que deveria estar em pauta é o tipo de material que as indústrias ainda estão produzindo e a qualidade do produto."Além disso, a população também tem sua responsabilidade. As pessoas podem mudar seu comportamento levando o carrinho de feira para o mercado e reutilizando as sacolas que forem necessárias. Do governo, é necessário que se invista em tecnologia - melhorando a destinação dos resíduos sólidos - e também em educação. Em uma visita nas palafitas, onde não há qualquer tipo de saneamento e infraestrutura, é possível ver famílias descartando seu lixo pela janela. Quem me garante, que com o banimento das sacolas, o problema acabará ou simplesmente irão começar a jogar outro tipo de material?", indaga.
Para ele, a substituição das convencionais por biodegradáveis é um avanço importante, por demorar menos tempo para se decompor na natureza. Entretanto, se descartadas também de maneira indevida, irá acarretarar danos ambientais.
Segundo o presidente do instituto Plastivida, Miguel Bahiense, ainda não há uma solução certa para substituir este tipo de material. "Todas as opções se analisadas ainda prejudicam o Meio Ambiente. Precisamos melhorar a qualidade das que já são produzidas e principalmente conscienizar sobre o descarte correto", salienta. De acordo com dados do instituto, que promove programa de conscientização para incentivar consumo consciente, em 2007 eram fabricadas 17,9 bilhões de sacolas. Já em 2011, a produção deve cair para 13,2 bilhões em razão da campanha que conta com a participação das principais redes de supermercados, como o Pão de Açúcar.
Discussão
Em Santos, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) discutiu no último dia 12 a implantação da campanha Vamos tirar o planeta do sufoco, que visa ajudar na conscientização dos consumidores sobre a importância da preservação do meio ambiente, substituindo o uso de sacolas plásticas descartáveis por sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis. Segundo o diretor regional da APAS na Baixada Santista, Carlos Alberto Varandas, o objetivo é engajar o comércio, que tem papel fundamental na conscientização e incentivo à população para esta mudança.
"O movimento está em sintonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A sacola biodegradável será vendida, a partir de janeiro de 2012, por R$ 0,19, mas nosso objetivo não é econômico. Estamos realmente preocupados com o meio ambiente e a intenção não é nem substitui-las por biodegradáveis e, sim, estimular o uso das sacolas retornáveis", explica.
1bi
é a quantidade média de sacos plásticos distribuídos todo mês pelos supermercados do Brasil, isso significa 33 milhões por dia e 12 bilhões por ano, ou 66 sacos plásticos para cada brasileiro por mês.
Um pouco da lei 2.684...
Artigo 1 Ficam obrigados os estabelecimentos comerciais no Município de Santos a utilizarem para o acondicionamento de produtos e mercadorias em geral, embalagens plásticas biodegradáveis ou sacolas reutilizáveis, também chamadas de sacola permanente, quanso estas embalagens possírem características de transitoriedade.
Artigo 3 Os estabelecimentos comerciais terão prazo de seis meses a contar da data de publicação desta lei para substituir as embalagens plásticas comuns pelas biodegradáveis
Artigo 4 Esta lei não se aplica às embalagens originais das mercadorias, aplicando-se aos sacos e sacolas fornecidas pelo próprio estabelecimento para pesagem e embalagem de produtos perecíveis
Artigo 5 O descumprimento das disposições contidas nesta lei, acarretará ao infrator o pagamento de multa no valor de R$1 mil.
Paragráfo único Na reincidência a multa será aplicada em dobro.
Vilãs da natureza
Não há dúvidas de que a tão “utilizada” sacola plástica prejudica o meio ambiente e que a sociedade deve pensar em alternativas para substituí-las. Segundo dados do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas (promovido pelos institutos Plastivida e Nacional de Plástico) somente em 2010 foram fabricadas 14 bilhões unidades deste tipo de material no País, sendo que cerca de 80% são reutilizadas apenas uma vez, pois parte delas tem como destino bueiros, provocando enchentes, e os lixões.
Na natureza, por sua difícil decomposição e por liberarem toxinas químicas, poluem mares, áreas de manguezais e ao serem consumidas por animais, como as tartarugas, são o motivo de sua morte, por intoxicação.
A partir de janeiro de 2012, o produto – considerado o principal vilão do meio ambiente – não deverá estar mais disponível gratuitamente nos supermercados do Estado de São Paulo e passará a ser vendido ao preço unitário de R$ 0,19. Mas será que a culpa deste título deve-se exclusivamente às sacolas plásticas ou deve ser dividida entre empresários, que fabricam sacolas de má qualidade, e também cidadãos, que a descartam de maneira indevida, levando-as para os mais diferentes destinos, além do próprio governo que não investe em tecnologia para encontrar soluções e educação?
De acordo com o proprietário da empresa de fabricação de sacolas em geral Abaret, Diego Sienra, a proibição das sacolas é pura demagogia. “No mercado, grande parte dos produtos estão em embalagens plásticas, do mesmo material que as sacolas. O problema é que as escolheram como culpadas por todos os males ambientais e esqueceram que elas não são as principais agentes do problema. Apenas 1,5% do polietileno (substância derivada do petróleo) é utilizado nas sacolinhas; o restante é em outros produtos”, ressalta. Para ele, a sustentabilidade está na reutilização e também no descarte correto do material, além da reciclagem.
“Em relação à quantidade que é declarada não acho confiável. Ninguém nunca perguntou, por exemplo, quanto eu fabrico. Além disso, ainda não existem alternativas de baixo custo para o plástico. Deve-se investir na verdade em educação e melhorar a infraestrutura da coleta seletiva”, diz.
Para especialistas, como o biólogo e pesquisador da Universidade Santa Cecília, Orlando Couto Junior, a questão não pode ficar restrita à proibição ou não das sacolinhas. “São diversos fatores que devem ser considerados como prioridade pelo Poder Público”, explica.
No entanto, alguns exemplos mostram que a lei que proíbe as sacolas, pode ser apenas o início de uma mudança significativa de comportamento. No Estado de São Paulo, a primeira cidade a implantar o projeto foi Jundiaí. No município, com população de 370 mil pessoas, deixaram de ser consumidas 22 milhões de unidades e 81,4 toneladas de plástico filme por mês.
Para o vereador Manoel Constantino (PMDB), responsável por apresentar a lei em Santos (confira no quadro abaixo) — e que já está em vigor — a grande dificuldade, além de mudar o hábito dos consumidores, é a fiscalização. “É difícil controlar todos os locais para que respeitem a legislação e também as indústrias, mas se nós tivermos consciência do problema ambiental que a sacola acarreta será muito mais fácil. O processo, porém, é lento”, reconhece.
Atitudes individuais são primordiais
Para o biologo Orlando Couto Junior, o que deveria estar em pauta é o tipo de material que as indústrias ainda estão produzindo e a qualidade do produto.”Além disso, a população também tem sua responsabilidade. As pessoas podem mudar seu comportamento levando o carrinho de feira para o mercado e reutilizando as sacolas que forem necessárias. Do governo, é necessário que se invista em tecnologia – melhorando a destinação dos resíduos sólidos – e também em educação. Em uma visita nas palafitas, onde não há qualquer tipo de saneamento e infraestrutura, é possível ver famílias descartando seu lixo pela janela. Quem me garante, que com o banimento das sacolas, o problema acabará ou simplesmente irão começar a jogar outro tipo de material?”, indaga.
Para ele, a substituição das convencionais por biodegradáveis é um avanço importante, por demorar menos tempo para se decompor na natureza. Entretanto, se descartadas também de maneira indevida, irá acarretarar danos ambientais.
Segundo o presidente do instituto Plastivida, Miguel Bahiense, ainda não há uma solução certa para substituir este tipo de material. “Todas as opções se analisadas ainda prejudicam o Meio Ambiente. Precisamos melhorar a qualidade das que já são produzidas e principalmente conscienizar sobre o descarte correto”, salienta. De acordo com dados do instituto, que promove programa de conscientização para incentivar consumo consciente, em 2007 eram fabricadas 17,9 bilhões de sacolas. Já em 2011, a produção deve cair para 13,2 bilhões em razão da campanha que conta com a participação das principais redes de supermercados, como o Pão de Açúcar.
Discussão
Em Santos, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) discutiu no último dia 12 a implantação da campanha Vamos tirar o planeta do sufoco, que visa ajudar na conscientização dos consumidores sobre a importância da preservação do meio ambiente, substituindo o uso de sacolas plásticas descartáveis por sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis. Segundo o diretor regional da APAS na Baixada Santista, Carlos Alberto Varandas, o objetivo é engajar o comércio, que tem papel fundamental na conscientização e incentivo à população para esta mudança.
“O movimento está em sintonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A sacola biodegradável será vendida, a partir de janeiro de 2012, por R$ 0,19, mas nosso objetivo não é econômico. Estamos realmente preocupados com o meio ambiente e a intenção não é nem substitui-las por biodegradáveis e, sim, estimular o uso das sacolas retornáveis”, explica.
1bi
é a quantidade média de sacos plásticos distribuídos todo mês pelos supermercados do Brasil, isso significa 33 milhões por dia e 12 bilhões por ano, ou 66 sacos plásticos para cada brasileiro por mês.
Um pouco da lei 2.684…
Artigo 1 Ficam obrigados os estabelecimentos comerciais no Município de Santos a utilizarem para o acondicionamento de produtos e mercadorias em geral, embalagens plásticas biodegradáveis ou sacolas reutilizáveis, também chamadas de sacola permanente, quanso estas embalagens possírem características de transitoriedade.
Artigo 3 Os estabelecimentos comerciais terão prazo de seis meses a contar da data de publicação desta lei para substituir as embalagens plásticas comuns pelas biodegradáveis
Artigo 4 Esta lei não se aplica às embalagens originais das mercadorias, aplicando-se aos sacos e sacolas fornecidas pelo próprio estabelecimento para pesagem e embalagem de produtos perecíveis
Artigo 5 O descumprimento das disposições contidas nesta lei, acarretará ao infrator o pagamento de multa no valor de R$1 mil.
Paragráfo único Na reincidência a multa será aplicada em dobro.