Com a economia aquecida, algumas funções começam a ser valorizadas pela falta de mão-de-obra, | Boqnews
Com a economia aquecida, algumas funções começam a ser valorizadas pela falta de mão-de-obra,
Precisa-se com urgência de cozinheiro, pedreiro, motorista, auxiliar de serviços gerais... Placas assim podem ser encontradas por toda a cidade e muitos locais encontram dificuldades em preenchê-las.  De acordo com o coordenador de RH, Reginaldo Costa de Abreu, é cada vez mais difícil encontrar pessoas disponíveis para algumas funções, como, por exemplo, serviços gerais. "As pessoas estão buscando trabalhos cada vez melhores. Acredito que o maior poder aquisitivo de toda população contribui para isso, o que é positivo".  


Segundo o economista Eduardo Becker, coordenador do curso da Esags, dois fatores influenciam neste momento: a economia nacional e também da região. O primeiro é o aquecimento do mercado, principalmente na construção civil e no aumento do poder aquisitivo das pessoas, permitindo, por exemplo, a contratação de uma empregada. Neste sentido, aumentou a demanda por estes profissionais. Além disso, as pessoas estão em busca de melhores funções, com mais direitos trabalhistas e salários, sem falar da qualidade de vida.  Neste sentido, o economista acredita que em algum momento poderá haver uma importação desta mão-de-obra.


A opinião do economista pode ser observada nos números nacionais. Os bolsões de pobreza encolhem, os brasileiros estudam mais, e têm mais escolhas e oportunidades profissionais. As classes D e E, por exemplo, caíram de 62% em 1990 para 25% em 2010. Além disso, setores do comércio e serviços abrem cada vez mais vagas. Em 2003, por exemplo, eram 260,3 mil. Número que subiu para 919,4 mil, no ano passado.


A alta demanda, aliada à falta de mão-de-obra, faz com que estas funções sejam mais valorizadas. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Santos (Sintracomos), Marcos de Oliveira, na construção civil a alta demanda  por profissionais tem valorizado as funções, mas - segundo ele - ainda é preciso melhores salários e respeito pela categoria com melhores condições de trabalho. "Muitas empresas, principalmente da construção, nos procuram em busca de profissionais".


No sentido de oferecer melhores oportunidades aos profissionais das áreas mencionadas, o sindicato oferece cursos."Um dos principais é o de solda, função que precisa de profissionais qualificados, principalmente nas áreas portuária e industrial. E diferente do que muitos possam imaginar as mulheres são as melhores para fazer este tipo de serviço", ressalta. De acordo com Marcos, cerca de 90% dos que fazem os cursos conseguem empregos.


De acordo com a coordenadora dos cursos, Bernardete Trajano, a procura pela qualificação tem sido cada vez mais alta. Existem núcleos em diferentes locais, como Valongo, Morro da Nova Cintra, Vicente de Carvalho,  Guarujá e São Vicente. "O próximo passo é abrirmos cursos em Praia Grande", explica. "O profissional qualificada acaba disputado no mercado de trabalho", diz. 


Centro de emprego oferece vagas e treinamento

Desde 2008 o Centro Público de Emprego de Santos (CPTES) já  ofereceu 7.961 vagas, realizou mais de 147mil atendimentos e colocou no mercado de trabalho 5.933 pessoas. De acordo com o levantamento, os setores da economia  que mais empregaram foram na prestação de serviços - sendo responsável por 40% (incluindo empresas de call center, as líderes nas contratações), comércio, com 30%, e construção civil, com 20%. Outros setores representam 10%. Também no Centro de Empregos, segundo a coordenadora Rosana Stinucci, é possível observar a falta de candidatos para preencher vagas mais simples. 


Além disso, as empresas parceiras têm aumentado a cada ano, com o surgimento de novas vagas. A Wilson Sons, por exemplo, entrará com  vagas para a área de construção naval, "com cargos muitas vezes ocupados por pessoal do Rio de Janeiro", explica. A dificuldade chega ao ponto de uma empresa  que precisava de motoristas para carreta ter selecionado candidatos sem experiência para fazer qualificação e depois serem contratados. 


É importante lembrar, segundo o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos de Santos, Márcio Lara, que o Centro oferece vagas com necessidade de formação acadêmica, como engenheiros, até as que não necessitam de estudo. Além disso, o local, segundo o secretário, atua em duas linhas importantes. "Na seleção dos candidatos e também na orientação e qualificação profissional, com cursos que atandem a demanda das empresas", ressalta.  O próximo curso, por  exemplo, é para soldador. As inscrições começam nesta quarta-feira (2) e prosseguem até o dia 11 de maio. Podem participar pessoas com mais de 18 anos. Na hora da inscrição, basta levar RG, CPF e currículo.  


Segundo o psicólogo do local, Mateus da Gloria, o trabalho tem o objetivo de auxiliar a pessoa na hora da entrevista de emprego, além de desbloqueá-la de seus próprios medos. "E o retorno tem sido bem positivo. Enviamos, por exemplo, três turmas para uma entrevista. Uma com orientação, outra que recebeu metade do preparo e uma outra sem orientação. Nas duas primeiras, os candidatos foram 100% selecionados. Já entre os que não tiveram preparo só a metade foi selecionada", explica. No próximo dia 10, o Centro irá organizar um Encontro Empresarial - no Teatro Coliseu - para mostrar às empresas o retorno que o trabalho de seleção tem provocado. 

O centro funciona à Rua João Pessoa, 300, das 8 às 17 horas.


Conheça alguns trabalhadores


Entrou na Unisanta há dois anos na função de serviços gerais. "Na época estava desempregada e aproveitei a oportunidade, já visualizando melhorar de função com o tempo", revela. Há uma semana, trabalha como recepcionista na instituição. A intenção é cursar faculdade de Administração no próximo ano
Cristiane Alves - recepcionista



Trabalha como cuidadora de idosos, mas está se especializando em solda industrial. "Decisão foi para atender a demanda do mercado de trabalho e melhorar minha posição"
Angélica de Jesus - cuidadora de idosos



Trabalhava em um restaurante quando foi convidada para trabalhar como secretária no Sintracomos. Hoje, já se especializou em elétrica e dryon, e é professora no sindicato
Daniele Lira - secretária e professora



Começou em construção civil aos 6 anos. Formou-se em duas faculdades. Hoje trabalha fazendo serviços elétricos e hidráulicos. "A profissão ainda não é valorizada, mas fazendo o trabalho certo o bom profissional se destaca e consegue o devido valor"
José Paulino - engenheiro elétrico
27 de abril de 2012

Com a economia aquecida, algumas funções começam a ser valorizadas pela falta de mão-de-obra,

Precisa-se com urgência de cozinheiro, pedreiro, motorista, auxiliar de serviços gerais… Placas assim podem ser encontradas por toda a cidade e muitos locais encontram dificuldades em preenchê-las.  De acordo com o coordenador de RH, Reginaldo Costa de Abreu, é cada vez mais difícil encontrar pessoas disponíveis para algumas funções, como, por exemplo, serviços gerais. “As pessoas estão buscando trabalhos cada vez melhores. Acredito que o maior poder aquisitivo de toda população contribui para isso, o que é positivo”.  
Segundo o economista Eduardo Becker, coordenador do curso da Esags, dois fatores influenciam neste momento: a economia nacional e também da região. O primeiro é o aquecimento do mercado, principalmente na construção civil e no aumento do poder aquisitivo das pessoas, permitindo, por exemplo, a contratação de uma empregada. Neste sentido, aumentou a demanda por estes profissionais. Além disso, as pessoas estão em busca de melhores funções, com mais direitos trabalhistas e salários, sem falar da qualidade de vida.  Neste sentido, o economista acredita que em algum momento poderá haver uma importação desta mão-de-obra.
A opinião do economista pode ser observada nos números nacionais. Os bolsões de pobreza encolhem, os brasileiros estudam mais, e têm mais escolhas e oportunidades profissionais. As classes D e E, por exemplo, caíram de 62% em 1990 para 25% em 2010. Além disso, setores do comércio e serviços abrem cada vez mais vagas. Em 2003, por exemplo, eram 260,3 mil. Número que subiu para 919,4 mil, no ano passado.
A alta demanda, aliada à falta de mão-de-obra, faz com que estas funções sejam mais valorizadas. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Santos (Sintracomos), Marcos de Oliveira, na construção civil a alta demanda  por profissionais tem valorizado as funções, mas – segundo ele – ainda é preciso melhores salários e respeito pela categoria com melhores condições de trabalho. “Muitas empresas, principalmente da construção, nos procuram em busca de profissionais”.
No sentido de oferecer melhores oportunidades aos profissionais das áreas mencionadas, o sindicato oferece cursos.”Um dos principais é o de solda, função que precisa de profissionais qualificados, principalmente nas áreas portuária e industrial. E diferente do que muitos possam imaginar as mulheres são as melhores para fazer este tipo de serviço”, ressalta. De acordo com Marcos, cerca de 90% dos que fazem os cursos conseguem empregos.
De acordo com a coordenadora dos cursos, Bernardete Trajano, a procura pela qualificação tem sido cada vez mais alta. Existem núcleos em diferentes locais, como Valongo, Morro da Nova Cintra, Vicente de Carvalho,  Guarujá e São Vicente. “O próximo passo é abrirmos cursos em Praia Grande”, explica. “O profissional qualificada acaba disputado no mercado de trabalho”, diz. 
Centro de emprego oferece vagas e treinamento
Desde 2008 o Centro Público de Emprego de Santos (CPTES) já  ofereceu 7.961 vagas, realizou mais de 147mil atendimentos e colocou no mercado de trabalho 5.933 pessoas. De acordo com o levantamento, os setores da economia  que mais empregaram foram na prestação de serviços – sendo responsável por 40% (incluindo empresas de call center, as líderes nas contratações), comércio, com 30%, e construção civil, com 20%. Outros setores representam 10%. Também no Centro de Empregos, segundo a coordenadora Rosana Stinucci, é possível observar a falta de candidatos para preencher vagas mais simples. 
Além disso, as empresas parceiras têm aumentado a cada ano, com o surgimento de novas vagas. A Wilson Sons, por exemplo, entrará com  vagas para a área de construção naval, “com cargos muitas vezes ocupados por pessoal do Rio de Janeiro”, explica. A dificuldade chega ao ponto de uma empresa  que precisava de motoristas para carreta ter selecionado candidatos sem experiência para fazer qualificação e depois serem contratados. 
É importante lembrar, segundo o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos de Santos, Márcio Lara, que o Centro oferece vagas com necessidade de formação acadêmica, como engenheiros, até as que não necessitam de estudo. Além disso, o local, segundo o secretário, atua em duas linhas importantes. “Na seleção dos candidatos e também na orientação e qualificação profissional, com cursos que atandem a demanda das empresas”, ressalta.  O próximo curso, por  exemplo, é para soldador. As inscrições começam nesta quarta-feira (2) e prosseguem até o dia 11 de maio. Podem participar pessoas com mais de 18 anos. Na hora da inscrição, basta levar RG, CPF e currículo.  
Segundo o psicólogo do local, Mateus da Gloria, o trabalho tem o objetivo de auxiliar a pessoa na hora da entrevista de emprego, além de desbloqueá-la de seus próprios medos. “E o retorno tem sido bem positivo. Enviamos, por exemplo, três turmas para uma entrevista. Uma com orientação, outra que recebeu metade do preparo e uma outra sem orientação. Nas duas primeiras, os candidatos foram 100% selecionados. Já entre os que não tiveram preparo só a metade foi selecionada”, explica. No próximo dia 10, o Centro irá organizar um Encontro Empresarial – no Teatro Coliseu – para mostrar às empresas o retorno que o trabalho de seleção tem provocado. 
O centro funciona à Rua João Pessoa, 300, das 8 às 17 horas.
Conheça alguns trabalhadores

Entrou na Unisanta há dois anos na função de serviços gerais. “Na época estava desempregada e aproveitei a oportunidade, já visualizando melhorar de função com o tempo”, revela. Há uma semana, trabalha como recepcionista na instituição. A intenção é cursar faculdade de Administração no próximo ano
Cristiane Alves – recepcionista

Trabalha como cuidadora de idosos, mas está se especializando em solda industrial. “Decisão foi para atender a demanda do mercado de trabalho e melhorar minha posição”
Angélica de Jesus – cuidadora de idosos

Trabalhava em um restaurante quando foi convidada para trabalhar como secretária no Sintracomos. Hoje, já se especializou em elétrica e dryon, e é professora no sindicato
Daniele Lira – secretária e professora

Começou em construção civil aos 6 anos. Formou-se em duas faculdades. Hoje trabalha fazendo serviços elétricos e hidráulicos. “A profissão ainda não é valorizada, mas fazendo o trabalho certo o bom profissional se destaca e consegue o devido valor”
José Paulino – engenheiro elétrico
Da Redação
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