Caso não seja revista, a imposição de tarifa de 50% anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, reflexo das divergências político ideológicas existentes entre os dois governos, trará impactos significativos a setores da atividade produtiva de ambos os países.
Mais do que procurar por culpados e utilizar retóricas populistas para propagar narrativas nacionalistas com objetivos eleiçoeiros, o momento requer prudência e altivez para a retomada de negociações visando restabelecer relações diplomáticas que preservem o interesse de ambas as nações e não apenas dos governos de plantão.
Não há como negar que a forma de condução de Trump à frente da maior potência militar e econômica existente no planeta abre um novo capítulo da geopolítica internacional, a partir da valorização das relações comerciais com base em alinhamentos ideológicos. Inegavelmente, os EUA exercem forte influência no mundo e, por isso, o presidente republicano quer impor uma nova ordem política e econômica a ser construída sob a sua liderança.
Nesse contexto, ao governo brasileiro cabe o dever de, apesar de defender posições muito antagônicas, buscar o estabelecimento de linhas de convergência e cooperação com um antigo aliado e, sobretudo, colocando-se como importante parceiro estratégico.
Mais do que ressaltar pontos de divergência e promover ataques verborrágicos publicamente, é de responsabilidade das autoridades brasileiras preservar as relações institucionais visando manter as muitas vias de integração que aproximaram as duas nações ao longo das décadas e resultaram em benefícios para ambos.
O Brasil sempre se pautou pelo respeito à democracia e à soberania dos países que mantém relação, não haverá agora de ser diferente.
Da mesma forma, o pragmatismo defendido por Trump serve como alerta para a necessidade de o País ampliar ainda mais suas rotas de comércio visando reduzir, de forma gradativa e contínua, a dependência de mercados como o dos EUA, responsáveis pela absorção de boa parte das exportações brasileiras.
O mundo está aberto às oportunidades e oferece novos sistemas de integração comercial para serem compartilhadas em benefício de todos, sobrepondo diferenças ideológicas e regimes de governo.
Portanto, é hora de valorizar pontos comuns que fortaleçam a união entre o Brasil e os EUA, ao invés de ressaltar diferenças e divergências que irão fragilizar uma relação de parceiros históricos.
Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
Deixe um comentário