Santos perde uma de suas mais importantes referências da música popular brasileira. Faleceu aos 81 anos o músico, compositor, pesquisador e memorialista Jorge Maciel, um dos fundadores e diretores do Clube do Choro de Santos, entidade criada em 2002 e responsável pela preservação e difusão do choro na região.
Sendo assim, violão de sete cordas, cantor e compositor, Jorge Maciel foi figura central na cena do choro e da seresta em Santos e cidades do entorno. Dessa maneira, sendo reconhecido por sua atuação artística, sua dedicação à memória musical brasileira e sua presença formadora em rodas, eventos e projetos culturais ao longo de décadas.
Integrou grupos históricos do choro, como o Flor Amorosa — ao lado de Dadinho, Moacyr Cardoso e outros mestres — e Os Cinco Companheiros, com Hugo, Joãozinho, Miltinho e Carlinhos, participando ativamente da consolidação da linguagem do choro na região.
Aliás, teve trajetória de reconhecimento nacional, vencendo o 7º Concurso Nacional Talentos da Maturidade, promovido pelo Banco Real (Santander), e participando de programas de televisão apresentados por Hebe Camargo, Ronnie Von e Rolando Boldrin, entre outros. Realizou inúmeras apresentações ao longo de sua carreira, muitas delas acompanhado por músicos consagrados como Carlinhos (pandeiro), Miltinho, Hugo, Joãozinho e Luizinho (7 cordas).
Legado
Além de sua produção musical — que inclui álbuns como 50 Anos de Jorge Maciel — Jorge Maciel construiu um legado fundamental como guardião da memória do choro santista. Em parceria com o pesquisador Jaime Mesquita Caldas, foi fomentador do projeto Almanach de Choro, premiado pelo FACULT da Prefeitura de Santos, dedicado à preservação e difusão de pesquisas sobre personagens, histórias e acervos da música tradicional brasileira na região.
Mesmo afastado de atividades presenciais por motivos de saúde, manteve colaboração constante com o Clube do Choro de Santos e seus diretores. Desse modo, permanecendo ativo na vida cultural da entidade até seus últimos anos.
Além disso, reconhecido também por seu carisma, humor e pela tradição de contar causos durante apresentações, Jorge Maciel deixa um legado que ultrapassa a música: deixa uma memória viva, coletiva e formadora.
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