Embora a maioria das pessoas acredite piamente que a geopolítica mundial pouco ou nada tenha a ver com as mudanças climáticas, há uma correlação direta entre ambas.
A geopolítica é a principal ferramenta utilizada pelas potências hegemônicas (desde tempos imemoriais), a fim de garantir acesso total a recursos naturais vitais ao Estado e seus cidadãos (primordialmente no tocante ao binômio água e energia, mas igualmente de minerais estratégicos), e manter seu domínio geopolítico regional e/ou global sobre as demais nações.
E elas farão de tudo para se apoderar dos valiosos recursos supracitados, como estamos presenciando no momento presente, de forma inequívoca, com a intervenção militar dos EUA na Venezuela (em total desacordo com o Direito Internacional), utilizando de seu enorme poderio militar, ao capturar o ditador Nicolás Maduro, com o intuito explícito (nas palavras do próprio presidente Donald Trump) de explorar as vastas reservas petrolíferas venezuelanas (as maiores do mundo).
Um exemplo cabal de como a geopolítica afeta as mudanças climáticas, e vice-versa, é o caso da seca histórica no Irã (a maior em 60 anos) que tem água para abastecer Teerã e sua região metropolitana (com mais de 17 milhões de habitantes), por cerca de umas duas semanas, até alcançar o Dia Zero, onde a capital iraniana deverá ser evacuada, pois ficará sem uma gota de água, o que, mui provavelmente, derrubará o regime em vigor na nação persa (modificando a geopolítica do Oriente Médio), num espaço temporal exíguo, caso não haja uma mudança urgente de 180° na administração do mais valioso dos recursos naturais da Terra: a água.
Ademais, as nações mais desenvolvidas economicamente, tecnologicamente, e militarmente mais poderosas, direcionam grandes volumes monetários em seus Complexos Industriais-Militares (US$ 2,7 trilhões/ano, com os EUA sozinhos gastando US$ 1 trilhão desse montante total), movidos a combustíveis fósseis, e ainda priorizam grandes investimentos nesses (responsáveis por mais de 80% da matriz energética mundial, especialmente o petróleo – a principal commodity de energia do mundo na atualidade), que são os maiores geradores de gases de efeito estufa – GEE (primordialmente o CO2) de origem antrópica, causadores das mudanças climáticas em curso na Terra.
Assim sendo, se desperdiça enormes volumes de capitais que deveriam estar sendo canalizados em mitigação climática (num total contrassenso), a fim de se evitar novos e ferozes conflitos bélicos (até de grandes proporções, regionais, e mesmo uma Terceira Guerra Mundial, com consequências inimagináveis a toda humanidade e a biosfera), num futuro não muito distante.
Diante do exposto, a geopolítica praticada atualmente pelas potências dominantes agravará ainda mais a já muitíssimo complicada situação do clima do planeta, bem como os embates beligerantes regionais e globais.
Portanto, a realização, com a máxima urgência, de investimentos maciços, dos montantes financeiros disponíveis (hoje concentrados nas nações mais ricas e desenvolvidas), na resolução definitiva da problemática climática global, é imperativa, o que por extensão, contribuirá decisivamente no apaziguamento das disputas internacionais em todo o mundo.

Lufe Bittencourt é geógrafo
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