Orlando Rollo quer fazer “mandato popular” à frente do Santos Futebol Clube
Como sanear as dívidas do clube e montar um time competitivo?
Realmente é uma preocupação muito relevante, mas ela não nos assusta. Estamos preparados para resolver este problema. Apesar de jovem, sou o candidato hoje com mais experiência dentro da administração do futebol. Já fui conselheiro por seis mandatos no Santos, fui vice-presidente do Conselho Deliberativo, fui vice-presidente da Federação Paulista de Futebol representando a Baixada. Então, essa experiência que eu somei durante minha carreira me faz preparado para resolver estas questões, principalmente às financeiras. Nós pretendemos renegociar as dívidas de curto e médio prazo, que são as dívidas que mais nos preocupam, e realocar as verbas financeiras para algumas questões mais importantes. Para isso, nós precisaremos do apoio do Conselho Deliberativo. Por isso que temos uma chapa muito forte para nos auxiliar na administração do clube. E a verba relacionada ao futebol será usada exclusivamente para o futebol, para mantermos na íntegra um time com possibilidades reais de títulos. Não adianta fazer como alguns administradores que usam essa verba para outras questões do clube. Pretendemos arrecadar ainda mais, com formas criativas de arrecadação, algumas delas já usadas no mercado europeu de futebol e outros esportes de alto rendimento, especialmente os americanos como a NBA, por exemplo. Traremos formas ligadas diretamente ao marketing e ao futebol para aumentar nossa receita. Com a receita ampliada, vamos usar basicamente este montante para buscar um time competitivo para o futebol. Eu peço a todos os torcedores e associados que busquem conhecer mais nossas propostas. Vamos mudar o Santos, mudar os conceitos e manter a tradição do clube.
Isso também passa pelo patrocínio máster. Já existe alguma negociação em relação a isso?
Existem duas negociações em andamento com duas grandes empresas. Esses dois novos parceiros serão muito importantes para a nossa nova administração que começará ano que vem. Inclusive nós tentamos, como forma de ajudar o clube, que estas duas empresas já começassem a patrocinar o Santos a partir de agora. Mas os representantes destas empresas estão inteiramente receosos, porque não confiam na atual administração. E nós entrando a partir de janeiro, essas duas empresas vão nos auxiliar na captação de recursos, seja como patrocinador máster ou na gestão de parcerias.
A maioria dos torcedores prefere uma ampliação da Vila a construir um novo estádio. Como vê essa questão?
Esse anseio da torcida do Santos, que prefere uma ampliação da Vila, vem de encontro com o nosso objetivo, um dos nossos principais pilares da campanha. Qual é? A modernização e a ampliação da Vila. Por que nós temos este parâmetro: porque ouvimos o torcedor há quatro anos. O nosso grupo político é democrático que ouve a opinião de todos. Temos um projeto para ampliar e modernizar e faremos isso. Qual seria o impedimento técnico? A falta de previsão legislativa. Quando eu assumi como vereador, já propus a desafetação parcial de três ruas no interior do estádio, com exceção da Rua Princesa Isabel que, por ser uma rua principal de acesso ao estádio, caso fosse desafetada, prejudicaria a locomoção do estádio.
O que seria essa desafetação?
Seria a cessão do espaço, de parte da rua, em favor so Santos para que ele pudesse usar para a construção de novos pilares para a base de construção das novas estruturas. Mas isso não seria nenhuma novidade, pois essa desafetação acontece normalmente nos dias de jogos do Santos FC. O que a gente gostaria com esse Projeto de Lei que tramita na Câmara é que ela seja permanente. Ela diminuiria o leito carroçável das três vias, menos a Princesa Isabel.
Quantos lugares a Vila passaria a ter com essa intervenção que o senhor propõe?
O ideal é 45 mil lugares. Só que no momento não conseguiríamos chegar a essa quantidade toda. Hoje, o ideal é para 25 mil a 30 mil pessoas.

“Descarto um novo estádio. Temos que aproveitar uma área privilegiada que nós temos no município de Santos, de fácil acesso, que é a Vila. Hoje para construir novos estádios há uma dificuldade para encontrar espaços públicos ou particulares livres” Foto: Nara Assunção
Ainda assim acha viável erguer uma nova arena, ou essa ação já seria satisfatória?
No caso seria a ampliação e modernização. Descarto um novo estádio. Temos que aproveitar uma área privilegiada que nós temos no município de Santos, de fácil acesso, que é a Vila. Hoje para construir novos estádios há uma dificuldade para encontrar espaços públicos ou particulares livres. Hoje o mercado imobiliário tomou conta dos principais espaços geográficos. A gente entende que devemos explorar e aproveitar o lugar que já temos.
Aprofundando a questão do mando dos jogos, o Santos tem torcida espalhada por todo o País. É possível levar jogos para outros locais como o Interior do Estado e o Norte do Paraná, além de outras capitais?
É uma das nossas metas de campanha e faz parte do nosso planejamento, até para aumentar o nosso público. A Vila Belmiro é a casa do Santos e onde mandaremos a maioria dos nossos jogos, porém queremos mandar jogos pontuais e estratégicos em praças onde o Santos tenha uma grande aglutinação de associados. E posso inclusive citá-las: em São Paulo, no Pacaembu; na região do ABC; Em Presidente Prudente; Maringá; Londrina; Vale do Paraíba; Ribeirão Preto; São José do Rio Preto. O determinante será qual jogo e qual adversário do Santos. Um dos maiores absurdos desta diretoria foi mandar a despedida do Neymar em Brasília. Mas não por ser em Brasília, pois nós temos que privilegiar os nossos torcedores na Capital, mas o grande erro foi colocar Santos e Flamengo lá. Todo mundo sabe, até quem não gosta de futebol, que a grande maioria dos torcedores de lá e do Flamengo. Então, saberíamos que a maior torcida seria de flamenguistas. Então, fizeram esse erro estratégico grosseiro. Por exemplo, em Maringá, onde mandaremos alguns jogos, eles nunca serão contra o Atlético-PR, Coritiba, Paraná. Qual seria um jogo lá? Contra o Guarani, Sport, Bahia, onde a torcida do Santos predominaria. No Vale do Paraíba, onde também mandaremos jogos, em São José dos Campos, será contra um time do Paraná, nunca com uma equipe do Rio de Janeiro ou de Minas, onde a torcida deles teria um acesso privilegiado.
Como o senhor vê o papel do Comitê de Gestão do Clube?
Eu sempre fui contra o Comitê de Gestão por entender que este método de administração não é propício ao futebol, ele engessa o clube. Falei isso em 2010, quando se começou a discutir a mudança estatutária e tenho até entrevistas da época para comprovar. E não falo isso porque tenho boa de cristal. Falo porque já tinha experiência no meio do futebol e sabia que este tipo de administração em que você tem que consultar os pares para tomar decisões para o futebol não serve. No futebol, é preciso tomar decisões dinâmicas, em fração de segundo, não adiante se reunir uma vez por semana com seu grupo para querer decidir alguma coisa. Por isso que o Santos perde mais de 90% das negociações de jogadores, pois o presidente espera a opinião de todos para deliberar, e os empresários e outros clubes não tem essa tolerância toda com o tempo. Então sou favorável ao sim do comitê de gestão por meio de uma mudança estatutária.

“Atualmente, os membros do Comitê mandam em tudo e não mandam em nada. Nós vamos mudar isso. Cada membro terá uma função específica dentro de determinada área do clube” Foto: Nara Assunção
Mas isso demandaria tempo e, também, a maioria do conselho. Neste período o senhor terá que montar um comitê de gestão para comandar o clube. Já pensa nestes nomes?
Sim, montaremos um comitê porque temos que seguir o estatuto, mas ele funcionará de forma diferente do que vemos hoje. Atualmente, os membros do Comitê mandam em tudo e não mandam em nada. Nós vamos mudar isso. Cada membro terá uma função específica dentro de determinada área do clube. Até acontecer a mudança.
A base é reconhecida internacionalmente como um celeiro de craques. Como o senhor vê hoje a estrutura da base? Quais ações o senhor planeja para esta área?
Apesar dos excelentes resultados dentro de campo, mérito dos profissionais que lá estão e dos jogadores, jovens talentos. A estrutura, principalmente a física, é horrível. Nós temos informações de que atletas ficam sem alimentação nos finais de semana, isso amplamente divulgado pela Imprensa. Queremos fazer uma reformulação, remodelação n departamento de futebol de base, inclusive na estrutura física. Queremos remodelar o CT Meninos da Vila, dar uma melhor estrutura, até no caso psicológico e educacional para os atletas. Queremos mudar a filosofia de trabalho neste aspecto educacional, cultural e psicológico. Queremos melhorar o que já está bom dentro do campo, já que fora está ruim.
Falando do profissional agora, o senhor pretende manter o Enderson Moreira? Com pouco tempo até a estréia do Paulista, como montará a equipe?
Apesar de respeitar o profissional Enderson Moreira, eu acredito que não seja a hora dele estar à frente do Santos. Eu acredito que o Santos precise de um profissional mais renomado e que seja respeitado. Então, o Enderson não faz parte dos nossos planos para este momento e nós já temos o planejamento do futebol de 2015, estamos conversando com técnicos renomados do futebol, porque não adianta a gente só fazer campanha, ganhar e no dia seguinte, não saber o que fazer.
Então já há sondagens a respeito de novos treinadores? Pode citar nomes ou perfis?
Ainda não posso citar nomes, pois estes profissionais hoje estão no mercado, estão empregados no mercado nacional e Internacional, técnicos estrangeiros de renomes internacionais.
O senhor então é a favor da vinda de técnicos estrangeiros para o clube?
Contanto que já disponham de vasta experiência profissional, sim. Aventureiros, não.

“…Vou continuar, como presidente do Santos, exercendo minhas atividades particulares normalmente. Sou servidor público estadual e meus horários são compatíveis com os horários da presidência do Santos” Foto: Nara Assunção
O senhor foi candidato a vereador e é suplente atualmente. Caso surja a oportunidade de assumir uma cadeira na Câmara durante um eventual mandato no Santos, o senhor o faria?
Não tem problema nenhum, os horários são absolutamente compatíveis. Tanto é que hoje existem muitos presidentes de clubes que são parlamentares. Até porque eu vou continuar, como presidente do Santos, exercendo minhas atividades particulares normalmente. Sou servidor público estadual e meus horários são compatíveis com os horários da presidência do Santos.
Qual a marca que o sócio e torcedor pode esperar do mandato do senhor à frente do Santos Futebol Clube?
Vamos fazer um mandato popular, voltado para o torcedor comum. Tanto que uma das nossas metas com ampliação e verticalização da Vila Belmiro é tirar o excesso de camarotes e setores Vips no estádio. Isso já vai fazer aumentar – e muito – o número de torcedores. Pois hoje o torcedor comum está afastado na Vila. A torcida hoje nos dias de jogo é composta basicamente por sócios e os torcedores comuns tem um espaço ali no portão 7 e 8 que é onde fica a Torcida Jovem, e muita gente não gosta de assistir jogo com torcida organizada. Temos que respeitar isso. Queremos trazer os setores populares para a Vila, de forma modernizada, pois hoje a Vila está elitizada. Elitizar não é o mesmo que modernizar. Queremos a Vila novamente como alçapão que foi antigamente. Fazer uma gestão bem popular é o nosso caminho.