A “culpa” é do Neymar
Em palestra a estudantes de Jornalismo na Universidade Santa Cecília (Unisanta) na segunda-feira (26), o editor geral de Esportes de O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, Luiz Antônio Prósperi defendeu a cobertura do Estadão na “novela” que envolveu a possível transferência do atacante Neymar para o futebol espanhol — primeiro para o Barcelona, depois ao Real Madrid — na qual o jornal bancou, com exclusividade, a venda do atacante para os dois times, o que na última hora acabou não se configurando. Revelou ainda que o principal responsável pela permanência do atacante no Santos foi o próprio Neymar, que rejeitou a proposta decisiva do time da capital espanhola, já aceita pelo Peixe.
Segundo Prosperi, o jornal confiou (e ainda confia) em uma fonte “quente”, com vários e importantes contatos nas principais ligas da Europa, e que passou à Redação todos os detalhes do contrato que seria assinado pelo atacante do Santos com o time catalão — como multa rescisória, tempo de duração, etc. Conforme o jornalista, quando a negociação entre Santos, Barcelona e Neymar (via Neymar dos Santos, pai do atacante, e Wagner Ribeiro, empresário) estava a uma assinatura de ser selada, o Real Madrid contatou o presidente santista, Luis Alvaro Ribeiro, pedindo para aguardar que uma oferta ainda maior dos cofres merengues seria encaminhada.
Foi quando a canoa virou a favor do Real Madrid, a ponto dos dirigentes espanhois terem mandado médicos do clube para fazerem exames médicos com o atacante — de acordo com Prosperi, fotógrafos do jornal Marca, com quem o Estadão manteve contato durante a “novela”, fizeram imagens dos mesmos quando estes chegaram ao Brasil. Um procedimento que, segundo o editor (e conforme explicado pela própria Reportagem do jornal na ocasião), ocorre por exigência da UEFA (federação de futebol europeia) para contratações em times do continente, e que o Real só adota quando a contratação está definida. No entanto, na hora em que o contrato com os madrilenhos seria assinado, foi Neymar que não deu sequência ao processo.
Prosperi admitiu que após a manutenção do atacante no Santos, o jornal foi criticado — em alguns casos, “sem o respeito que merece uma institução como o Estadão”. Disse ainda que segurar a notícia, com todos os detalhes que tinha em mãos e tendo em vista a credibilidade da fonte, seria o mesmo que atestar falta de confiança no “informante” — o que poderia resultar na perda da fonte. Apesar disso, não se arrepende de ter bancado a informação, e ainda questionou a proposta do Peixe de reduzir em um ano o contrato do jogador (de 2015 para 2014) e garantir que Neymar poderia ir embora de graça ao término do vínculo.
“Foi algo muito estranho (a redução no tempo de contrato). O Santos pretende recuperar os milhões de euros que receberia por Neymar com marketing e aumento da torcida. Mas haja marketing para recuperar toda essa quantia. São mais de cem milhões de reais. Além disso, o time leva só seis, sete mil pessoas na Vila Belmiro, mesmo com o Neymar jogando o que vem jogando. Como que se quer tornar a terceira maior torcida do Brasil até 2014?”, indaga. Por fim, Prosperi revelou que, conforme as fontes do jornal, o interesse de Neymar é o de futuramente ir para o Barcelona, por acreditar que seu futebol renderá melhor na Catalunha do em Madri. Uma decisão que se reforçou logo após a goleada do Barça sobre o Santos, na final do Mundial de Clubes, na qual Neymar se encantou com a forma dos “blaugranas” se comportarem em campo.