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Armadilhas pelas ruas

Aproximadamente 650 metros separam o Canal 1 (Avenida Pinheiro Machado), do 2 (Avenida Bernardino de Campos), na orla da praia.…

10 de julho de 2009 - 21:59

Da Redação

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Aproximadamente 650 metros separam o Canal 1 (Avenida Pinheiro Machado), do 2 (Avenida Bernardino de Campos), na orla da praia. Ambos se estendem até a altura da Portuguesa Santista, quando se interligam. No entanto, não é apenas a distância métrica que coloca um canal longe do outro, mas também o estado das calçadas.
Enquanto no da Av. Bernar-dino de Campos, devido às obras de recuperação dos canais, todo o piso foi trocado, o da Pinheiro Machado segue esburacado em toda a sua extensão. Situação semelhante, aliás, à vivida pelos canais 6 (Avenida Joaquim Montenegro) e, em menor escala, o 7 (Avenida General San Martin).



Um dos trechos onde a situação é tida como mais crítica é na altura da Rua João Caetano, entre o Marapé e o Campo Grande. A circunstância é tal que, para o aposentado Alexandre Badú, de 63 anos, andar por aquelas calçadas é um verdadeiro “passeio” na lua. “Aqui é o lugar onde mais se tem aposentados e pessoas de idade e não poderia estar nessa situação. Você vê gente tropeçando, até caindo nos buracos. À noite, fica ainda mais difícil”, reclama.

Ao se caminhar pelo local, de fato, há falta de nivelamento em muitos trechos da calçada, especialmente nas proximidades das árvores, onde as raízes, em crescimento, ignoraram o concreto e destruíram o piso. Cenário diferente de quando se percorrem as calçadas dos canais 2, 3, 4 e 5, já reformadas, com um piso de concreto desempenado, igual ao colocado em vias do Centro, durante as obras para ampliação da linha do Bonde Turístico. Diferenças essas que irritam o aposentado: “Por que os moradores do Marapé e Campo Grande ficaram em segundo plano? Será que seria porque são bairros que só moram trabalhadores?”, revolta-se.



E Badú não é o único dos críticos aos buracos nas calçadas. Segundo dados da Ouvidoria Pública, encaminhados pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), de 1º de janeiro a 30 de abril deste ano, foram registradas 139 ocorrências — pouco mais de uma por dia — referentes a pisos inadequados ou renivelamento dos mesmos na Cidade (incluem-se tanto as calçadas de ruas como as próximas aos canais).
A condição atual, tanto do Canal 1 como do 6, também é vista como “ruim” pelo secretário de Obras e Serviços Públicos de Santos, Antônio Carlos Silva Gonçalves, que admite a necessidade de obras definitivas no local. A explicação para a demora, segundo Gonçalves, é a construção de uma ciclovia que tomará toda a extensão da Pinheiro Machado, e que, paralelamente, será contemplada com uma calçada.

“Estamos no aguardo dos recursos que serão provenientes do convênio com o Governo Estadual, por intermédio do DADE (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias), e dos estudos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) referentes à ciclovia”, revela.

A situação da Joaquim Montenegro, por sua vez, terá uma espera um pouco maior, pois a CET irá elaborar o projeto apenas quando concluir o do Canal 1. “Deve haver um convencimento (da CET) para que a possibilidade seja alcançada. É interessante porque é uma avenida que permite um acesso bem mais rápido ao cais do que nos outros canais. Mas se analisarem que não é viável, faremos como nas vias que já foram restauradas”, explica.

Até que tais obras consigam progredir, todavia, não se planeja alguma operação “tapa-buraco”. Gonçalves conta que isso chegou a ser tentado, mas não se obteve sucesso. “As intervenções não têm funcionado pela força que as raízes dos canais, especialmente o 1, têm tido. A manutenção realmente não tem sido boa, mas também porque a calçada é antiga e isso complica”, alega.

Saída
Gonçalves revela, por fim, que há um projeto em estudo na Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Seosp) para que as calçadas de Santos tenham um padrão único, construídas com o mesmo piso de concreto desempenado dos canais já reformados e do Centro.

“Eles podem até ter algum tipo de paisagismo, mas o importante é que facilite a locomoção, dê segurança e seja acessível”, prevê. O projeto tinha previsão de ser apresentado ao João Paulo Tavares Papa até o final do primeiro semestre deste ano, para que fossem traçadas diretrizes para toda a Cidade. Todavia, de acordo com a assessoria de imprensa da Seosp, o programa ainda não foi finalizado até o momento.


Estilos particulares


Muitas das rachaduras e posteriores buracos que se criam nas vias acabam sendo provenientes da invasão das raízes das árvores, que com facilidade ultrapassam os limites do piso. O que, aliás, afeta Santos de forma geral, não apenas na região dos canais.



“As calçadas da Cidade são envelhecidas como um todo, construídas com cerâmica, concreto usual e mosaico português. É natural ela não resistir tanto. E calçada não pode ficar tendo manutenção, deve estar sempre em condição de uso”, explica o secretário de Obras s Serviços, Antônio Carlos Silva Gonçalves, ponderando, ainda, outra questão: as calçadas situadas nas ruas e que, por sua vez, são de caráter particular, ou seja, de responsabilidade do proprietário do imóvel onde estão situadas.

Apesar da fiscalização da Prefeitura, não são poucos os buracos encontrados nas ruas em frente a prédios e casas. Além disso, em alguns casos, as próprias calçadas são ornamentadas de uma maneira até perigosa para quem transita algumas vias.

É o caso da Rua André Vidal de Negreiros, na Ponta da Praia, onde o número 117  tem a calçada da fachada construída à base de madeira. Um risco, especialmente em dias chuvosos, já que o piso em questão, quando molhado, pode causar escorregões de pedestres. “Eu até consigo prestar atenção, mas isso está errado”, reclama um cidadão que passava pela via, enquanto a reportagem do Boqueirão estava no local.

Segundo Gonçalves, o fiscal da Prefeitura responsável pela vistoria em determinado bairro pode intimar o dono da casa a consertar a calçada, para evitar acidentes, e em caso de não cumprimento, a multa pode chegar a R$ 1.200,00.

No entanto, admite que nem sempre a pessoa tem como cumprir as regras, pois é raro se estar com dinheiro. “Então, é importante que a legislação fique mais prática, permitindo parcerias com o Poder Público”, reflete, defendendo, em paralelo a isso, a inclusão da questão do plantio nas discussões do Plano Diretor, cuja alteração está prevista para esse ano. “É importante que se determinem bem os locais onde se poderão plantar as árvores e que tipo de vegetais são adequados para cada lugar”,  adiciona.

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