Estudo

Valor da cesta básica sobe 27% em um ano em Santos

Se há um ano a cesta básica representava 41,7% do salário mínimo (R$ 1.045,00 em 2020), hoje, ela equivale a 50,3% do atual salário mínimo (R$ 1.100,00 em 2021)

08 de abril de 2021 - 17:49

Fernando De Maria

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Professora Dalva Mendes analisou os motivos dos reajustes na cesta básica. Foto: Divulgação

 

A sensação de que os preços dos alimentos estão aumentando acima da capacidade salarial das pessoas não é ilusão, mas fato.

Afinal, entre abril do ano passado e março último, ou seja, 12 meses da pandemia, o valor da cesta básica subiu 26,8%.

Até fevereiro (números de março  não foram divulgados) o índice de inflação do IBGE (IPCA) dos últimos 12 meses chegou a 5,2%.

Março, aliás, registrou o segundo maior índice de reajuste no valor na cesta básica desde o início da pandemia, chegando a R$ 553,32, atrás apenas do mês de janeiro, quando os números chegaram ao recorde de R$ 594,54.

Assim, se há um ano a cesta básica representava 41,7% do salário mínimo (R$ 1.045,00 em 2020), hoje, ela equivale a 50,3% do atual salário mínimo (R$ 1.100,00 em 2021).

O valor decorre, em especial,  da elevação dos preços  do quilo da carne (acém) em 15,65%, batata (+ 25,75%) e margarina (7,3%) em comparação a fevereiro (houve alta de 5,6% em um mês)

Dos 13 itens da cesta básica, apenas dois tiveram queda de preços em março: o litro de leite (-5,17%) e quilo da banana nanica (-17,57%).

Confira dados do boletim do Índice de Custo da Cesta Básica de Alimentos – Labores – Laboratório Econômico Social da Universidade Católica de Santos.

 

 

 

Sem supérfluos

A cesta básica toma como referência decreto federal de 1938 que institui os alimentos básicos que comporiam uma cesta para uma adulto poder sobreviver.

“Não há supérfluos nesta cesta”, afirma a pesquisadora Dalva Mendes Fernandes, mestre em Educação, professora de estatística; pesquisa de mercado e econometria da Unisantos e coordenadora da Incubadora de empreendimentos econômicos e solidários.

Ela participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias desta quinta (8) onde discorreu sobre os preços dos alimentos e explicou os motivos da alta, bem acima da inflação oficial.

Conforme ela, a explosão do dólar – sem perspectivas de queda – contribuiu para a elevação dos preços, especialmente das commodities.

“Com a pandemia, houve aumento do consumo de alimentos no mundo. E os produtores perceberam isso optando por aumentar as exportações em detrimento do mercado interno”, destacou.

Ela também enfatizou que muitos produtores estão mudando suas áreas plantadas, substituindo, por exemplo, plantio de arroz por soja visando, em especial, a exportação, mais rentável.

Isso impacta, por exemplo, no preço final do arroz (menos áreas plantadas) e na soja (maior produção para exportação).

E considera irrelevante o impacto do auxílio emergencial no aumento de preços, como ocorrido no ano passado, e agora a partir de abril.

 

Fome

A docente também destacou que a situação seria ainda mais grave se não houvesse a solidariedade da população, que se organiza para ajudar a população mais carente.

“Esta rede tem ajudado as pessoas”, salienta.

Confira detalhes na entrevista

 

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