Prometida, ciclovia não sai e coloca em risco ciclistas na Av. Fernando Costa | Boqnews

Santos

31 DE JULHO DE 2019

Prometida, ciclovia não sai e coloca em risco ciclistas na Av. Fernando Costa

A avenida Fernando Costa ganhou melhorias, como a ampliação das calçadas e diminuição do leito carroçável. No entanto, a ciclovia prevista não saiu do papel.

Por: Fernando De Maria

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Com a reforma, as calçadas ganharam espaço enquanto a ideia da ciclovia foi abandonada, colocando em risco os ciclistas em razão do estreitamento da pista. Fotos: Nando Santos

 

No dia 11 de julho, o site do Diário Oficial estampava a seguinte manchete: Avenida Fernando Costa tem novas calçadas e 43 mudas de árvore (confira o link)

No local, foram feitos 7,2 mil metros quadrados de passeios reformados e 12,4 mil metros quadrados de pavimentação refeita.

Os trabalhos contemplaram também outras oito vias do entorno, sendo que a Fernando Costa é a vitrine em razão da sua importância e o fluxo constante de veículos e ônibus em razão da sua extensão.

As obras iniciaram em novembro passado e foram custeadas com recurso do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade), do Governo do Estado.

Valor oficial, conforme placa instalada:  R$ 1.964.536,09.

Só a parte dos passeios e a ciclovia – que não saiu – a previsão de custos era de R$ 399.376,09, conforme planilha de serviços.

Não bastasse, o valor total do contrato com a empresa vencedora da licitação  foi de R$ 3.940.294,72.

Assim, o montante previa serviços de pavimentação na Encruzilhada.

 

Placa da obra da primeira fase de reurbanização na Ponta da Praia. Foto: Nando Santos

 

E a ciclovia?

A inauguração, no entanto, esconde uma realidade: a ciclovia de 620 metros que cortaria a via conforme o projeto original foi abortada.

Isso após abaixo-assinado de moradores, a despeito da proposta original prevê-la em razão do elevado fluxo de ciclistas que por lá trafegam.

Vídeo gravado pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa junto com o vereador Sérgio Santana (PR) chegou a ser divulgado.

Na ocasião, o chefe do Executivo afirmava que o trecho não receberia mais a ciclovia atendendo pedido dos moradores.

Assim, como o projeto original foi modificado.

Hoje o que se vê na rua são calçadas largas – alguns trechos com mais de 4 metros de extensão, mas com o trecho carroçável diminuído – em média a via passou a ter 11 metros de largura.

 

Calçadas foram padronizadas em toda a extensão da via. Foto: Nando Santos

 

E mais estreito em alguns trechos, como junto à Avenida Rei Alberto I.

No entanto, como a via tem mão dupla e o estacionamento é permitido em ambos os lados, o espaço aos ciclistas – que seriam beneficiados com a ciclovia – virou uma armadilha.

Especialmente quando os ônibus de linhas circulares ou fretados se cruzam.

Assim, o fluxo na via é constante destes veículos.

É comum alguns ônibus, por exemplo, invadirem as faixas do outro lado da pista, especialmente se há algum ciclista no caminho.

“Várias linhas de ônibus passam por aqui. Agora está mais complicado para a gente”, reclama o pintor Adilson dos Santos, 45 anos.

Morador de Guarujá, ele usa a pista diariamente ao após atravessar a balsa para trabalhar em Santos.

“Afinal, cadê a ciclovia?”, indaga.

 

Com o estreitamento da pista, o risco de acidentes cresceu para os ciclistas. “Afinal, e a ciclovia?”, indaga o pintor Adilson dos Santos. Foto: Nando Santos

Qualidade do asfalto questionada

Situação semelhante ocorre com Antonio Nascimento, que trabalha em uma gráfica localizada na Fernando Costa.

Morador em Guarujá, ele atravessa a balsa de bicicleta.

“Ficou mais estreito e mais perigoso”, reclama.

Não bastasse, ele questiona a qualidade do asfalto aplicada.

“Foi uma camada fina demais. É possível já ver alguns buracos”.

É o caso do trecho em frente ao número 278 da rua.

 

Poucos dias após o fim das obras, este buraco já era visível na pista…

 

…assim, uma operação tapa-buraco já foi acionada para esconder o problema da pista, recém-inaugurada. Fotos: Nando Santos

 

Trecho de asfalto recém-colocado. Qualidade motiva críticas de moradores. Foto: Nando Santos

 

Uma fenda já se apresentava há poucos dias do fim da obra.

Um pequeno tapa-buraco já foi feito no local – destacando-se do resto do asfalto.

Em dias de chuva, as poças d’água em alguns trechos são comuns.

Algo, na realidade, incomum por um serviço tão recente.

 

Apesar de placa de proibido estacionar, veículos estacionam junto à ilha construída, deixando a pista mais estreita e dificultando a curva de veículos de maior porte, como ônibus e caminhões. Foto: Nando Santos

 

Mais estreita

Não bastasse, uma ilha, com grama, foi construída junto ao cruzamento com a Praça Rebouças, afunilando ainda mais o trânsito, especialmente quando os ônibus tentam entrar e/ou sair da via.

“Forma fila nos horários de rush”, reclama a dona de casa Neusa Maria Simões, vizinha ao local.

Além disso, a mudança tem prejudicado a carga e descarga de mercadorias em um padaria na esquina das vias.

“Se tiver alguém descarregando e carregando, os ônibus não passam. De manhã, é o caos”, enfatiza o comerciante Marcelo Ferreira.

 

Várias linhas de ônibus passam pela via. Foto: Nando Santos

 

Os piores horários são entre às 5 e 6 horas da manhã  e das 18 às 20 horas, horários de passagem dos fretados.

E com o início das aulas, a situação tende a piorar neste trecho em razão do aumento do fluxo de motoristas em direção às escolas localizadas nas imediações.

 

Prefeitura alterou a proposta original a pedido de moradores que temiam acidentes em razão da implantação da ciclovia. Foto: Nando Santos

Prefeitura

Dessa forma, indagada se a população foi ouvida antes da proposta de implantação de uma ciclovia na via, a Prefeitura de Santos, por meio de nota, informou que os projetos de implantação de ciclovias na cidade são discutidos preliminarmente por meio do grupo técnico para elaboração do Plano de Mobilidade Urbana.

E isso envolve diversos setores da Prefeitura.

Além disso, são apresentados e apreciados na Comissão de Assuntos Cicloviários (CAC) com o objetivo de incentivar o uso da bicicleta.

“A comissão reúne representantes do Poder Público municipal e de entidades da sociedade civil para discutir e aperfeiçoar o sistema cicloviário da Cidade. É constituída por representantes das secretarias de Desenvolvimento Urbano, Infraestrutura e Edificações, Esportes, Comunicação e Resultados, da CET, da Fundação Pró-Esporte e Prodesan”.

E ainda: Sesc, Pedal Noturno de Santos, Associação Paulista de Medicina (Santos), Desafio Ciclístico Santos-Iguape, Associação Brasileira de Ciclismo e Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos.

De qualquer forma, não ficou claro o motivo da desistência da construção da ciclovia, a despeito dos recursos empregados para tal.

 

Segunda etapa

Apesar da ausência da ciclovia na Avenida Fernando Costa, espera-se não ocorra o mesmo na Aristóteles de Menezes.

Isso porque a segunda etapa de revitalização do bairro da Ponta da Praia avançará atingindo todo o quadrante, com requalificação das vias, recapeamento e implantação de acessibilidade nas esquinas.

E ainda: implantação de uma ciclovia de 600 metros na Aristóteles Menezes, para ligação da pista do entorno do Rebouças com o canal 6.

 

 

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