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Educação: impactos que vão além do aprendizado

Com o ano letivo chegando ao fim, impactos na área causados pela pandemia são evidentes

11 de outubro de 2020 - 19:03

João Pedro Bezerra

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Na próxima semana é comemorado o Dia dos Professores. Desta vez, ele será comemorado de forma diferente. Afinal, 2020 trouxe impactos diretos na área e mostrou a importância dos educadores no futuro e na construção de uma sociedade.

As escolas ganharam novas formas, a sala de aula deu lugar ao puxadinho do quarto, a lousa deu lugar ao notebook e as reuniões de trabalho em grupo precisaram ser realizadas no whastapp.

Apesar do esforço dos professores e alunos, a educação passou por mudanças drásticas, para os estudantes mais pobres que não tem acesso à internet em casa, sendo praticamente um ano perdido. Já aqueles que possuem uma situação financeira melhor também tiveram o nível de aprendizagem comprometido.

Na última quarta-feira (7), o Governo do Estado de São Paulo autorizou à volta das aulas para atividades de reforço, contudo a medida não é obrigatória para os alunos e dependerá dos protocolos do município.

Santos

Em Santos, apenas as escolas particulares foram autorizadas a voltar com as atividades, assim com o estado liberou as suas unidades. De acordo com a secretária de Educação do Município, Cristina Barletta, o retorno do ensino presencial da rede municipal ainda está na fase de avaliação. “Estamos realizando pesquisas com as famílias. A secretaria mantém contato direto com os pais. Ao longo da quarentena disponibilizamos toda a estrutura do ensino a distância e também a distribuição do material didático impresso”, enfatiza.

Além disso, Cristina destacou que as atividades na rede municipal podem retornar em novembro, mas dependendo das condições de cada escola.

Como as escolas não podem voltar com 100% dos estudantes, em um primeiro momento, a prioridade será dos alunos que não têm acesso à internet ou aqueles que possuem dificuldades na aprendizagem.

A secretária de Educação ainda ressaltou o papel que a escola faz na vida de um aluno e que muitas crianças não têm onde ficar, pois os pais já voltaram ao trabalho. Por fim, ela citou que 2021 será um ano desafiador na área. “Os impactos no ensino foram diretos. Não vamos deixar nenhum aluno para trás. As atividades híbridas poderão continuar com aulas de reforço e também os estudantes terão a possibilidade de ficar mais tempo na escola”.

Educadores

De acordo com a educadora, Ana Maria Santos, 2020 não foi um ano perdido na educação, mas que trouxe impactos e desafios. “A pandemia permitiu um novo despertar nos professores, que foram à luta, buscando passar o conteúdo da melhor forma possível para os alunos”.

Ana Maria usou o próprio exemplo para explicar este contexto, já que os educadores passaram a trabalhar mais tempo, realizando diversas atividades, como: correções, atividades, plantão de dúvidas para os alunos e reuniões virtuais com os diretores do colégio.

Para a educadora, o grupo mais afetado pela pandemia foram as crianças do ensino infantil, já que um dos pontos principais é a socialização e a motricidade. Enquanto os alunos dos ensinos Fundamental Il e Médio não sentiram tanta diferença nesta questão, apesar das dificuldades em algumas matérias.

Para a psicopedagoga Silvia Simões, o retorno das aulas presenciais deve contar com um belo planejamento, em todas as áreas que envolvem os alunos, desde o portão até a ajudante de limpeza. “Será necessário o trabalho com a comunidade educacional, além dos pais, avós e cuidadores”.

Refletir e agir

Já em relação aos impactos mentais, Slivia citou que quando se deixa algo do cotidiano, isto sempre reprime emoções, ainda mais quando não estamos acostumados a receber o ‘não’, como foi imposto pelas autoridades para conter o avanço da pandemia”.

“Para aqueles que souberam lidar com isso, foi uma bela aprendizagem e espero que prossigam. Mas aqueles que ainda não entenderam, e estão sofrendo, precisam de um profissional para ajudá-los” concluiu Slivia.

Volta Tímida

Na semana quando algumas escolas particulares e estaduais já retornaram às atividades cumprindo os protocolos de segurança, como distanciamento, uso de máscaras e a capacidade reduzida no número de alunos, não foram sentidas diferenças na questão de locomoção.

Poucos alunos voltaram e a sensação da maioria das pessoas é que o retorno seguro aconteça só com a aprovação de uma vacina contra a Covid-19.

Outro fator a ser destacado é que já estamos em outubro e a maioria dos estudantes tem aulas até o fim de novembro, caso não fiquem em recuperação.

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