Política

Eleições americanas não devem causar impactos em Santos

Segundo especialistas, questões comerciais e ambientais podem atrapalhar o desenvolvimento internacional do Brasil, mas sem refletir na economia santista

18 de novembro de 2020 - 14:53

Felipe Rey

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Joe Biden foi eleito o 47º presidente dos EUA. Foto: Getty Images/AFP

 

Em meio a pandemia da covid-19 e também dos problemas econômicos vividos pelo País, a escolha de Joe Biden, o 47º presidente dos Estados Unidos, também poderá implicar em algumas mudanças no Brasil

Na visão do advogado e Doutor em Direito Ambiental Internacional, Rodrigo Zanethi, Biden deverá proteger a indústria norte americana e isso acarretará numa diminuição no comércio entre os países.

Vale lembrar que Donald Trump taxou os produtos semimanufaturados de aço e ferro neste fim de mandato.

À época, Trump impôs esta medida alegando que era uma questão de segurança nacional.

No final do ano passado, ele alegou que Brasil e Argentina estavam desvalorizando suas moedas, o que prejudicaria os agricultores americanos.

Assim, “com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todo o aço e o alumínio enviados para os EUA a partir desses países”, disse à época.

Hoje, mesmo não sendo o principal parceiro comercial brasileiro (a China ocupa a liderança), os EUA exportam óleo combustível, adubo, inseticida e óleo bruto, produtos semimanufaturados de aço e ferro, dentro outros produtos.

Porém, de janeiro e outubro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019, as exportações tiveram uma queda de 25%.

 

Isolamento

Na visão do cientista político Rafael Moreira, a eleição de Biden contribuirá para o isolamento internacional do Brasil, tendo em vista toda a reorientação política externa que haverá nos EUA.

“O Biden tem uma visão completamente diferente ao meio ambiente, e que parece ser mais próxima a da União Europeia, auxiliando, ainda mais, no isolamento internacional”, assegura.

Mas, para que o Brasil não seja prejudicado internacionalmente, o país deveria ter uma reorientação externa e também ambiental, conforme Moreira.

Porém, ele afirma que isso não deverá ocorrer devido a manutenção do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, assim como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Porto de Santos

Porto de Santos não deverá sofrer influências da eleição de Joe Biden. Foto: Divulgação

 

Em contrapartida as possíveis perdas no País, Zanethi não observa possíveis percalços ao Porto de Santos.

Segundo ele, o que está afetando o Porto de Santos é seu alto custo e os atrativos tributários e logísticos que estão sendo oferecidos por outros portos.

“Mas, o Porto de Santos ainda é o maior polo de entrada e saída de mercadorias. Porém, cabe atenção”, assegura.

De acordo com dados da ComexStat, no período de janeiro a outubro de 2020, os EUA exportaram US$ 4.57 bi (R$ 24,2 bilhões), o que representa 10% nas participações comerciais.

A China, por exemplo, obteve uma participação de US$ 11.87 bi (R$ 63 bilhões) em valor FOB – que quer dizer que o exportador é responsável pela mercadoria até ela estar dentro do navio, para transporte, no porto indicado pelo comprador.

Em relação as importações, a participação americana é maior que a exportação e chega a 16%, com um total de US$ 5.63 bi (R$ 29,8 bilhões) no valor FOB, enquanto a China participa de 24% (US$ 8.33 bi) (R$ 44,2 bilhões).

Questionado também sobre o impacto da política americana aqui no Porto de Santos, o cientista Rafael Moreira alerta que pode acontecer, caso haja alguma sanção comercial devido as políticas ambientais adotadas no País.

“Caso isso os Estados Unidos ameaçarem, aí sim poderemos ter algum impacto. Mas isso depende de muitas variáveis”, afirma.

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